Revista Sabe Bem 67 - PD

Ventriloquismo

Ventriloquismo
Deliciado com as performances do reconhecido ventríloquo português José Freixo e do seu inseparável Donaltim, Ricardo Marques decidiu construir, em segredo, um boneco que viria a ser a primeira versão do Tonico. Hoje, já com um novo visual, mas igualmente “alegre, brincalhão, inteligente, meigo, rebelde, charmoso” e “com um grande efeito sobre as mulheres”, o boneco vai começar a subir ao palco do Hard Club às terças-feiras, pela mão de Ricardo Marques. “Ventriloquismo” é o nome do espetáculo protagonizado pelos companheiros de vida que partilham peripécias num serão descrito como “hilariante do princípio ao fim”.

ric_4Tonico, um boneco com vida própria

Ricardo Marques conhece Tonico como ninguém. “As suas palavras provocam sorrisos e gargalhadas, mas têm coisas que puxam pelos sentimentos, o que leva o público, muitas vezes, a sentir por ele uma grande ternura”, contou à Viva o ventríloquo.
Mas, afinal, como é que funciona esta arte? “Isso não sei porque, na verdade, o Tonico fala mesmo”, brincou Ricardo Marques, explicando que o ventriloquismo é a capacidade “de falar outras vozes, quase sem mexer os lábios e a boca, dando a impressão de que a voz não vem de quem na realidade está a falar”.

Apesar de haver quem defenda que os ventríloquos apresentam certas características físicas particulares, propícias ao desenvolvimento da arte, Ricardo Marques sabe que, no seu caso, o ventriloquismo nasceu por paixão e muito treino. “Nas sílabas começadas por determinadas letras mais difíceis faço uma pressão ainda mais acentuada no estômago e trabalho a língua em posições especiais, de maneira a produzir o som dos fonemas”, sintetizou o artista.

Cada espetáculo é preparado cuidadosamente. “Começo por escrever os textos, pesquisar músicas e estabelecer uma sequência”, contou Ricardo Marques, acrescentando que a fase seguinte é a do ensaio, já na companhia do Tonico. “Quando posso, procuro ter quem me veja para ter análise crítica”, destacou.

No caso de uma performance correr menos bem, o ventríloquo afirma ter sempre a desculpa de ser o mais tímido da parceria. “Mas não culpo o Tonico nem ele me culpa. Preferimos dizer que a culpa é da crise mundial ou do mordomo”, brincou, em declarações à Viva.

ric_3A magia do ventriloquismo fica completa no momento em que Ricardo Marques se convence de que Tonico adquire vida própria. “Acontece frequentemente eu soltar gargalhadas por ser surpreendido, naquela fração de segundo, pelo meu amigo”, confessou o artista, considerando ser este o aspeto que o distingue dos outros ventríloquos.

Uma paixão “à José Mourinho”

“Se eu vivesse nos Estados Unidos viveria muito bem”, salientou o companheiro de Tonico, contando que, antes de se dedicar a esta arte, “tinha dias de só comer sandes”. “Agora continuo a comer apenas sandes, mas já coloco alguma coisa dentro do pão”, referiu, admitindo que, para se ser ventríloquo, é necessário “ter uma paixão à José Mourinho, criatividade, humor e capacidade de improviso”. “E masoquismo também, para continuar, mesmo ganhando menos do que o Mourinho”, acrescentou Ricardo Marques, com prontidão.

Apesar das dificuldades e de uma eventual necessidade de conjugar empregos, Ricardo Marques quer ser ventríloquo “toda a vida”. “O Tonico é que está à espera de uma vaga para substituir José Sócrates”, revelou, adiantando que os espetáculos no Hard Club vão estar repletos de humor, análise da atualidade, música e stand-up comedy.

Mariana Albuquerque

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