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Ucrânia: uma questão de princípios e de realidade prática

Ucrânia: uma questão de princípios e de realidade prática

Portugal é um dos países europeus onde o consenso em torno da guerra da Ucrânia e da necessidade de apoiar o povo ucraniano contra a agressão russa tem sido mais elevado. Tal explica-se em parte pela proximidade ao povo ucraniano desde a grande vaga de imigração dos anos 90, e em parte pela identificação da Rússia como um possível inimigo desde os tempos da Guerra Fria.

Claro que existem críticas e opiniões contrárias, sendo as de Miguel Sousa Tavares das mais notórias. Em todo o caso, fica sempre a sensação que as críticas têm, na sua base mais recôndita, um denominador comum: o antiamericanismo. Será por isso que não têm adesão na opinião pública, porque a opinião pública nesta matéria não é pró-americana – é pró-ucraniana.

Mas, além dos princípios, a defesa da Ucrânia é também uma questão prática.

A jogada na qual ninguém apostava

Algumas casas de apostas desportivas internacionais oferecem bancas e odds relativas a acontecimentos; por exemplo, o resultado de eleições num qualquer país, ou apostar em qual o próximo país que vai sair da União Europeia, ou – como já está a acontecer – se o Reino Unido reintegrará a União Europeia como membro de pleno direito até ao final de 2026. (Note que as melhores casas de apostas internacionais, não tendo licença para operar em Portugal, não permitem o acesso a visitantes vindos do nosso país. Clique aqui e comprove esta realidade.)

Em Portugal, e devido à forma como a lei enquadra as apostas desportivas, este tipo de oferta não é possível e as casas portuguesas cingem-se ao desporto propriamente dito. Porém, se tal fosse possível, arriscaríamos dizer que ninguém apostaria na possibilidade de Vladimir Putin lançar uma guerra de conquista da Ucrânia em 2022.

Os custos geopolíticos que provam a validade da resistência

Ao fim de 14 meses de guerra ficou claro que a Rússia empenhou imensos recursos num atoleiro militar, estando atualmente sem meios para lançar ofensivas e limitando-se a manobras de defesa dos territórios conquistados. Entre a perda de influência junto dos países da Ásia central, as perdas causadas pela emigração e a progressiva dependência da China, a invasão está a revelar-se um cataclismo geopolítico duradouro para a Rússia – provando que o crime não compensa.

Apoiar a Ucrânia por motivos práticos                                                             

Os críticos argumentam também que o Ocidente não tem superioridade moral para invocar o Direito Internacional tendo em conta a invasão do Iraque, e que o chamado Sul Global está moralmente certo nas desconfianças que coloca ao apego da Europa e dos Estados Unidos à independência da Ucrânia. Isto levanta três pontos.

O primeiro é aquele para a qual o colunista do Financial Times, Janan Ganesh, alertava há uns tempos: o Ocidente tem de deixar de romantizar o Sul Global. O “Terceiro Mundo” não é composto por países fundamentalmente bons, exóticos e inocentes, mas por países que perseguem os seus interesses como nós – pessoas como nós, iguais a nós.

O segundo é que o “Ocidente” nunca existiu aquando da invasão do Iraque. A França, a Alemanha e muitos outros países foram frontalmente contra a iniciativa americana. Sucede, infelizmente, que o Ocidente precisa da proteção americana para se defender dos agressores clássicos, como ficou claramente óbvio na sequência da invasão da Ucrânia.

O terceiro é que os críticos parecem sonhar com os tempos em que era cada nação por si e não havia nem mecanismos nem uma visão coletiva de princípios comuns para identificar e resistir a agressores – a década de 30 do século XX. Foi nesse “caldo” que foi possível a Hitler invadir e ocupar, um por um, quase todos os países europeus. E é para evitar isso que a União Europeia e a NATO existem.

Portugal, que não sofre uma guerra propriamente dita no seu território desde 1847 (tirando os golpes de estado e as pequenas intentonas militares do início do século XX), sabe instintivamente que é necessário os pequenos juntarem-se para se defenderem contra um “grande” que não tem motivos válidos para se sentir ameaçado. Daí que a vontade de ajudar a Ucrânia se mantenha elevada.

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