PD - revista Sabe Bem

Off, Teatro Carlos Alberto

Off, Teatro Carlos Alberto

Off
2 a 4 outubro, sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

A mala voadora volta a proporcionar-nos o convívio com Uma Família Inglesa, depois da estreia na nossa programação do ano passado. Festiva reunião e partilha anual de autores e textos ingleses caros à companhia, esta sexta edição traz ao Teatro Carlos Alberto e ao Mosteiro de São Bento da Vitória três espetáculos atravessados pela ideia de fim, parte de um programa maior a decorrer em simultâneo no espaço da mala voadora no Porto. “Off “é uma peça sobre o fim em si, o fim de um ciclo, do planeta, o fim de tudo. O fim da própria mala voadora, que o queria inventar, com tempo e distância, desde 2017, e que a voragem do tempo presente lhe roubou. Em estreia absoluta, Jorge Andrade encena este texto de Chris Thorpe sobre uma inevitabilidade, num espetáculo que sabemos como acaba. E como nada há para inventar, temos todo o tempo para festejar.
texto Chris Thorpe | direção Jorge Andrade | tradução Manuel Poças | assistência de encenação Maria Jorge | cenografia e figurinos José Capela | desenho de luz João Fonte, Jorge Andrade | direção de produção Pedro Jordão | produção executiva Andreia Bento | com Andreia Bento, Jorge Andrade, Maria Jorge | coprodução mala voadora, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Nacional São João | residência O Espaço do Tempo

KAMP
9 outubro, 21h | 10 outubro, 19h, TeCA

O FIMP no TNSJ
Como dizer o indizível e como realizar o irrealizável? Os espetáculos que acolhemos da 31.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto partilham estes desafios. “KAMP” mantém-se em repertório há quinze anos, longevidade que se explica pela eloquente resposta que a companhia Hotel Modern deu a uma pergunta terrível: que palavras tem o teatro, que não as ditas, para nos trazer em testemunho o horror do Holocausto? KAMP leva-nos numa viagem pelo quotidiano do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Através de um jogo entre a pequena e a grande escala – entre as milhares de minúsculas marionetas, a sua ampliação audiovisual e a presença física dos atores –, somos transformados em testemunhas de um genocídio planeado.
criação e interpretação Herman Helle, Pauline Kalker, Arlène Hoornweg | desenho de som e interpretação ao vivo Ruud van der Pluijm | técnicos Aram Visser, Joris van Oosterhout direção de produção Tineke Verheij | produção Hotel Modern (Holanda) | agradecimento aos sobreviventes Fien Benninga-Warendorf, Lenie Boeken-Velleman, Hans e Noemie Beckman, que em 2004-05 se disponibilizaram a partilhar as suas memórias dos campos
Espetáculo em língua inglesa, legendado em português

Lições de Voo
14 outubro, 19h, TeCA

O FIMP no TNSJ
Como dizer o indizível e como realizar o irrealizável? Os espetáculos que acolhemos da 31.ª edição do Festival Internacional de Marionetas do Porto partilham estes desafios. “Lições de Voo” conduz-nos a um benfazejo lugar de ficção, o deserto de Abu, onde vive gente que se parece com aviões e aeroplanos que se confundem com pessoas. Esta criação do Teatro de Marionetas do Porto, encenada por Isabel Barros, foi concebida para todos aqueles que, sendo maiores de 3 anos, sonharam um dia que o corpo se libertava do peso e da gravidade, e que podiam voar tão levemente como uma folha ou um pássaro.
conceito e encenação Isabel Barros | marionetas Hernâni Costa Miranda a partir das ilustrações de João Vaz de Carvalho | música Carlos Guedes | desenho de luz Filipe Azevedo | figurinos Cláudia Ribeiro | cenografia Coletivo | criação de textos Isabel Barros, Micaela Soares, Vítor Gomes | adaptação para Língua Gestual Portuguesa Joana Cottim | preparação vocal Shirley Resende | produção executiva Sofia Carvalho | interpretação Micaela Soares, Vítor Gomes | coprodução Teatro de Marionetas do Porto, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery

Mártir
17 outubro, 21h | 18 outubro, 16h, TeCA

“Mártir” surgiu em 2012, em reação ao debate sobre o fundamentalismo islâmico que então dividia a sociedade alemã. “Achava completamente hipócrita a forma como as pessoas na Europa Ocidental apresentavam com orgulho a nossa sociedade como estando assente em ‘valores cristãos’”, lembra Marius von Mayenburg. Quis então dramatizar – isto é, confrontar, complexificar – as causas do radicalismo político e religioso. O “mártir” do título dá pelo nome de Benjamim e é um fundamentalista cristão, alguém que interpreta os ditames bíblicos com absurda literalidade. Começa por fazer greve às aulas de natação, em protesto contra a falta de “pudor” dos biquínis usados pelas suas colegas. Opõe-se aos ensinamentos da professora de Biologia, que procura explicar à turma a teoria da evolução de Darwin. “O fundamentalismo religioso oferece soluções simples para problemas complexos”, sublinha o dramaturgo alemão. Rodrigo Francisco, o diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada, encenou com rigor e subtileza esta matéria convulsa, e montou o “espetáculo como um caleidoscópio social avariado pela intolerância e sectarismo”. Palavras que resgatámos da revista Time Out, que elegeu “Mártir” como um dos melhores espetáculos de teatro de 2018.
de Marius von Mayenburg | encenação Rodrigo Francisco | tradução Manuela Nunes | cenografia José Manuel Castanheira | figurinos Ana Paula Rocha | desenho de luz Guilherme Frazão | interpretação Ana Cris, André Albuquerque, Inês de Castro, Ivo Marçal, João Cabral, Pedro Walter, Tânia Guerreiro, Vicente Wallenstein | produção Companhia de Teatro de Almada

Folle Époque
22 a 25 outubro, quinta e sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

É a primeira vez dos SillySeason no Teatro Nacional São João. Fundado em 2012, este coletivo vem concebendo objetos teatrais em que a própria noção de teatro se vai reconfigurando na relação com outros universos e linguagens, como o vídeo, a performance, a fotografia ou a música. “Folle Époque” evoca o centenário de uma era de prosperidade e falência, os loucos anos 1920, revisitando-os contra o pano de fundo dos tempos “interessantes” que nos coube em sorte viver, os incertos anos 2020. Em cena, convocam-se narrativas hipotéticas que remetem para os dois tempos, ambos caracterizados pela vertigem de uma catástrofe iminente. Recordemos o crash bolsista de 1929 e a ascensão do nazismo, que encontram um eco sombrio na vigilância e manipulação de algoritmos, nas alterações climáticas ou na emergência de novos autoritarismos… Num vaivém entre a realidade-real e a realidade-ficção, “Folle Époque” desencadeia um jogo de reduplicação em espelho, um mise en abyme. A loucura e os seus excessos espelham o conflito ético-moral da pós-modernidade. Como serão os novos anos 20?
conceção e direção SillySeason – Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva, Ricardo Teixeira | assistência de encenação José Leite | cenografia António MV, SillySeason | figurinos Inês Ariana, SillySeason | música Ricardo Remédio | vídeo João Leitão | desenho de luz Manuel Abrantes | apoio ao movimento Rodrigo Teixeira | assistência de produção Mariana Nunes | interpretação Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva, Ricardo Teixeira, Rodolfo Major, Sara Ribeiro, Teresa Coutinho | coprodução SillySeason, Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional São João

Língua
5 a 8 novembro, quinta e sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

Em 2019, a Estrutura celebrou dez anos de atividade com Party, que foi a um tempo interlúdio festivo e espetáculo de transição para uma outra via programática. “Língua” inaugura um novo ciclo, onde a companhia regressa a um território fortemente ancorado na ideia de autorreflexividade, explorando o ato criativo como conteúdo, abrindo-o a múltiplos questionamentos. Trata-se de um espetáculo que utiliza a Língua Gestual Portuguesa como veículo primordial de comunicação. E que coloca esta língua no centro das operações, ela que está geralmente condenada a habitar um cantinho do palco. Aqui, a voz e o texto não assumem um lugar de primazia, os gestos falam mais alto do que as cordas vocais. Cátia Pinheiro e José Nunes colocam em causa as relações de poder e privilégio que caracterizam os vigentes protocolos teatrais. Procuram “desimportantizar” a língua que ouvimos (quem a ouve…) e sublimar outras dimensões relacionais do espetáculo. Língua é uma tentativa de combater o “fonocentrismo”, que perpetua relações de violência, insistindo em obrigar todas as pessoas a falar da mesma forma. Dentro e fora do teatro.
criação Cátia Pinheiro & José Nunes | dramaturgia Cátia Pinheiro, Diogo Bento, José Nunes | desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção e Pedro Nabais | cenografia Cátia Pinheiro | som Vasco Rodrigues | vídeo Vasco Mendes | figurinos Jordann Santos | formação LGP Ana Bela Baltazar | produção executiva Ana Lopes | interpretação Diogo Bento, José Nunes, Mariana Magalhães, Tiago Jácome, Joana Cottim (e outros intérpretes a definir) | coprodução Estrutura, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Nacional São João apoio 23 Milhas

A Morte de Raquel
12 a 15 novembro, quinta e sexta 21h | sábado 19h | domingo 16h, TeCA

Estamos em 2080, o ano em que Raquel Castro morreu. Tinha 99 anos e no seu epitáfio constam as seguintes palavras: “Esqueci-me de apanhar a roupa!” A atriz e encenadora convida-nos para o seu velório, um velório nada convencional, um pouco excêntrico até. Em palco, três atores assumem a voz de Raquel. Boicotam a ordem cronológica, misturam recordações reais ou adulteradas da sua vida até 2020 com uma fabricação de factos ocorridos entre essa altura e o ano de 2080. Constroem um futuro simultaneamente “temido”, “previsível” e “desejado”. “A Morte de Raquel” explora as possibilidades de um futuro imaginado. É um espetáculo que brinca com a ideia do fim e tenta sobreviver aos medos que desperta. Com ele, Raquel Castro acrescenta mais um capítulo a um percurso artístico fascinado pela exploração autobiográfica e autoficcional. “Os Dias São Connosco” (2013), a sua primeira criação em nome próprio, era um diário filmado para a sua filha mais velha ver quando tiver 28 anos, em 2038. Os nascimentos e as mortes de Raquel Castro têm muitos futuros e muito teatro dentro. Alguém tem a gentileza de ir apanhar a roupa dela?
texto e encenação Raquel Castro | apoio dramatúrgico Pedro Gil | apoio à criação Keli Freitas | desenho de luz Daniel Worm | cenografia e figurinos Ângela Rocha | sonoplastia e música original Diogo Almeida Ribeiro | direção de produção Vítor Alves Brotas/Agência 25 | interpretação Joana Bárcia, Nuno Nunes, Raquel Castro, Rita Morais | coprodução Barba Azul, São Luiz Teatro Municipal, Teatro Nacional São João | apoio financeiro Fundação GDA

Virgem Doida
18 e 19 novembro, 19h + 21h, TeCA

Ciclo Este é o Meu Corpo
“Este é o Meu Corpo” unifica quatro decisivos solos de Mónica Calle e desenha um arco temporal de 28 anos. Neste gesto, a criadora e intérprete revisita, questiona e atualiza um corpo de trabalho, sondando o seu devir. Um corpo físico, pessoal e artístico, mas também um corpo coletivo, sempre construídos em relação com os outros, trabalhando a palavra, palavra feita corpo. “A Virgem Doida” (1992), com texto de Rimbaud, foi o solo-estreia de Mónica Calle e da estrutura que fundou, a Casa Conveniente, centelha inaugural de um teatro íntimo e cúmplice.
texto Artur Rimbaud | criação, interpretação, figurinos e cenografia Mónica Calle | desenho de luz José Álvaro Correia | fotografia Bruno Simão | vídeo Marcelo Pereira

Rosa Crucificação
21 e 22 novembro, 19h + 21h, TeCA

Ciclo Este é o Meu Corpo
“Este é o Meu Corpo” unifica quatro decisivos solos de Mónica Calle e desenha um arco temporal de 28 anos. Neste gesto, a criadora e intérprete revisita, questiona e atualiza um corpo de trabalho, sondando o seu devir. Um corpo físico, pessoal e artístico, mas também um corpo coletivo, sempre construídos em relação com os outros, trabalhando a palavra, palavra feita corpo. A escrita de Henry Miller é a matéria transformada em “Rosa Crucificação” (2018), criando um lugar e um tempo de liturgia e comunhão, onde os nossos medos, desejos e memórias se confrontam. Um tempo outro, sagrado e profano, um teatro minimal, um teatro total.
texto a partir de Henry Miller | criação, interpretação, desenho de luz Mónica Calle | cenografia, vídeo de cena, desenho de luz, fotografia Laycos

Teatro Carlos Alberto (TeCA)
Rua das Oliveiras, 43
4050-449 Porto
www.tnsj.pt
Informações Linha Verde TNSJ – 800 10 8675
Número grátis a partir de qualquer rede

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