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TAP para que te quero

TAP para que te quero

Ao contrário do que se passa nos dias de hoje, em que tudo o que é português é bom, mesmo excelente, excepto a TAP, fui educado desde tenra idade a “saber” que tudo o que era estrangeiro é que era bom, com a excepção da nossa TAP. A Companhia Aérea tinha os melhores pilotos, os melhores aviões, a melhor manutenção, chegava e partia sempre sem atrasos, etc., etc., etc., e com ela íamos desde qualquer lado a qualquer parte do mundo. 

Assim, dessa forma, cresci, com orgulho, a adorar a TAP, e ainda hoje tenho pela companhia um apreço muito especial. 

Mas já nada é o que sempre foi. Tudo o que era verdade deixou de o ser, e a parte pior é que já não podemos viajar com a “nossa” Companhia de qualquer sítio para outro qualquer lugar. 

Os gestores entenderam fazer da Companhia Nacional uma Companhia Regional, com sede na Portela, e nem precisaram de mudar o logótipo. As três letrinhas mantiveram-se, enganando os incautos, já que os enormes prejuízos cresciam a olhos vistos e eram pagos por todas as regiões de Portugal, por todos nós. Os interesses de alguns sobrepuseram-se aos interesses de todos.

Abandonaram os aeroportos dos Açores, da Madeira, de Faro e do Porto, deixando de prestar serviço público e abrindo caminho a muitas outras Companhias que assim passaram a operar nestes locais em vez da “nossa”. 

Cresceu a contestação, a que o governo da República fez ouvidos moucos. Os prejuízos chegaram e cresceram de tal forma que foi preciso injectar milhões e milhões de euros a fundo que parece perdido e pago pelo erário público. O abismo aproximou-se.

O governo, que tinha alienado a maior parte da sua posição na estrutura, voltou a ser “dono”, mas agora de uma empresa falida. 

O Presidente da Câmara da cidade do Porto, um dos mais críticos de toda a actuação da TAP, em especial no que respeita ao Aeroporto Sá Carneiro, diz para quem o quiser ouvir que agora, a TAP, por culpa própria, já não faz falta ao Porto. O ministro que tutelava, e tutela, a área, um optimista sem bases para o ser neste caso, impôs a sua ideia, afirmando que a “nossa” TAP iria, a breve trecho, ser de novo, a menina dos nossos olhos, voltando a dar lucro. Mas os factos desmentem-no a cada dia que passa, com a Companhia a apresentar os maiores prejuízos de sempre; – quatro milhões e trezentos mil euros por dia..

Do ponto de vista do portuense e de um modo geral da maior parte dos habitantes da zona Centro e Norte de Portugal, a “Transportadora Aérea Nacional” desrespeitou toda uma Nação ao centrar-se numa única zona do país. Dezenas de Companhias passaram a fazer o trabalho que a nossa não quis e, se calhar, de melhor forma, fazendo jus à importância que temos.

Nas últimas notícias ouve-se que as sete rotas que a TAP oferecia em 2019, com partida e chegada ao Porto e que tinham sido eliminadas, não regressam. Oferecem, isso sim, migalhas, como os 40 mil lugares nas viagens para a capital, 20 mil para o Funchal e outros 20 mil para Paris, mas isto só até ao fim do verão. E, parece que por aqui se fica, o que não é, nem pode ser, um interesse nacional, já que esta redução implica um aumento de voos a partir da Portela. Disponibilizam menos 705 mil lugares, enquanto outras companhias oferecem um reforço substancial no número de lugares disponíveis.  

Para nós, aqui no Porto, enquanto esta situação se mantiver, a transportadora aérea de Lisboa não interessa para nada. Lamentavelmente ainda temos, por ordem de quem nos governa, de pagar o que ela traz de prejuízo.

Sabes, TAP, desde há uma grande quantidade de anos que deixaste de ser o que todos esperávamos de ti, para passares a ser residual nas nossas apreciações e considerações. 

Foste a menina dos meus olhos e o orgulho de uma Nação. Agora não passas de uma carrada de desilusões, um monte de dívidas, uma bancarrota mais do que previsível, e uma transportadora regional.

Será que ainda tens futuro?

TAP, para que te quero, apesar do apreço meio parvo que por ti ainda tenho?

José Fernando Magalhães

Nota: Por decisão do autor, este texto encontra-se escrito em Português, e não ao abrigo do suposto «novo acordo ortográfico».

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