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Soares dos Santos admite necessidade de novo resgate a Portugal

Soares dos Santos admite necessidade de novo resgate a Portugal

“Não posso aceitar que no Parlamento se passe a vida a questionar porque é que o secretário de Estado pediu a demissão quando isso não resolve o problema da dívida. Peço a todos os portugueses que se deixem das diferenças e que caminhem no mesmo sentido”, apelou, assegurando que se o país quiser realmente sair da crise conseguirá fazê-lo.

Para Soares dos Santos, é fundamental que o povo português esteja consciente das vitórias que já conquistou e das que ainda pode ganhar. “Chegar à Polónia vindo de um país pequeno, com uma massa crítica pequena e ser um líder do mercado perante grandes empresas mundiais é um motivo de orgulho muito grande”, notou, garantindo que a sua família pretende continuar em Portugal.

Ao longo do período de debate, moderado por Joaquim Jorge – fundador do CdP – Soares dos Santos teve ainda a oportunidade de explicar que “na Jerónimo Martins não se aceitam políticos”, desvalorizando, assim, o regresso de António Borges à empresa, ao mesmo tempo que lidera a comissão de acompanhamento das privatizações. “Não sei como é que, de um dia para o outro, isto virou um assunto público, mas posso dizer que são somos candidatos a privatizações”, esclareceu.

Segundo o empresário de 77 anos, a bolsa é um fator “extremamente importante” para o crescimento de qualquer empresa. “A entrada na bolsa deu-nos meios necessários para o processo de internacionalização”, garantiu, sublinhando que todas as companhias, de pequena, média ou grande dimensão, “têm de ter um balanço financeiro muito forte”. E é preciso gastar dinheiro na formação dos quadros. Temos que entender que a época do ‘empresário-patrão’ acabou”, disse, referindo que esse foi um dos trunfos da JM.

“As empresas têm de começar já a pensar como se vão organizar”

Perante os problemas de crescimento que Portugal atravessa, Soares dos Santos considera que os empresários têm de começar já a pensar na forma como vão organizar as suas companhias. “O Estado chegou à conclusão que não tem dinheiro para acompanhar o desenvolvimento da nação e obriga a iniciativa privada a fazer aquilo a que não lhes pertence. Na minha opinião a primeira responsabilidade social de uma empresa é a de produzir lucro”, defendeu.

De acordo com o presidente do conselho de administração da JM, os últimos inquéritos realizados no grupo mostraram que “as pessoas estão cada vez com mais dificuldades”, não só a nível financeiro, mas, por exemplo, em relação ao local onde poderão deixar os filhos. “Notámos também um aumento de roubos nas lojas e, afinal, as pessoas apenas tinham fome”, contou, acrescentando ter criado “um fundo para alimentar” esses cidadãos.

Na análise da situação portuguesa, Soares dos Santos destacou ainda que outra questão “tremendamente importante” é o papel dos sindicatos que, para o empresário, “não conseguem perceber o mundo moderno”. “A maior parte dos sindicatos está a morrer por falta de associados”, destacou, defendendo que estas entidades já não estão a responder “às necessidades das pessoas”. “Continuam a preocupar-se com o salário mínimo em vez de se preocuparem com a formação e a informação. Não se pode admitir que uma pessoa vá trabalhar de manhã e encontre a fábrica fechada. É a ética empresarial que está em jogo”, lamentou, ressalvando que Portugal tem de começar rapidamente a debater estes problemas.

Texto: Mariana Albuquerque

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