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Serralves em Festa 2014

Serralves em Festa 2014
Para ver, ouvir e sentir no Serralves em Festa 2014

É considerado um dos maiores eventos culturais da cidade do Porto que atrai, a cada edição, dezenas de milhares de pessoas. A programação do Serralves em Festa 2014 já está fechada, prometendo 40 horas de animação non-stop naquele que é o festival de todas as artes. Entre as 8h00 de 31 de maio (sábado) e a meia-noite de 1 de junho (domingo), o equipamento portuense abrir-se-á aos cidadãos, brindando-os com propostas musicais, de dança, teatro, performance, circo contemporâneo, cinema, vídeo, fotografia e visitas às exposições do Museu de Arte Contemporânea. Trata-se de um “momento de celebração da visão artística multidisciplinar e contemporânea” que pauta o desempenho de Serralves, segundo sublinhou a diretora artística do museu, Suzanne Cotter, na apresentação do plano de atividades previstas para o evento, que junta diversas instituições portuguesas.

serralves2014_2E entre os destaques desta edição – que assume a temática geral “Terreno Comum” – está, desde logo, a estreia da nova criação da coreógrafa brasileira Lia Rodrigues, “Pindorama”, que, segundo explicou Cristina Grande, responsável pela programação de dança e performance, é uma peça crítica sobre a condição humana e a sua capacidade de resistência. Com o título de um nome indígena dado às terras brasileiras antes da chegada dos europeus, o trabalho integra o tríptico dedicado por Lia Rodrigues à água e à relação entre o indivíduo e o grupo. De sublinhar que a coreógrafa é conhecida pelo seu envolvimento político, social e ético na vida quotidiana das favelas do complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde instalou, em 2003, o Centro de Artes da Maré, sede da Lia Rodrigues Companhia de Danças e Escola Livre de Danças.

Em estreia absoluta estará também “Sediela”, de Marina Nabais e Simão Costa, que consistirá num jogo de materialização sonora do movimento e de movimentação de som, concebido sobre uma superfície bidimensional instalada no Parque de Serralves. Interessa mencionar que a coreografia parte de um trecho de “O Peso de Uma Semente”, que a dupla estreou em 2013 no GuiDance, em Guimarães.

Mas o espírito de festa não vai ficar confinado aos limites geográficos de Serralves, expandindo-se a outros espaços do Porto. Na área da performance, por exemplo, a Baixa da cidade vai receber “Track”, do artista visual Graeme Miller. Trata-se de um projeto que convida o espectador a deitar-se sobre uma estrutura em movimento contínuo e a olhar para cima, de forma a “observar individualmente as paisagens atravessadas ao longo do caminho”, numa experiência “imersiva, solitária e hipnótica”. A plataforma de coreógrafos e bailarinos Desnorte, situada no Porto, vai apresentar “Several”, peça da artista visual e performer Vera Mota, interpretada em duetos por seis coreógrafos. Tal como esclareceu Cristina Grande, trata-se de três exercícios que serralves2014_3aliam uma coreografia simples mas rigorosa a uma forte componente sonora, produzida por bastões de madeira batidos contra o chão.

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Um dos momentos importantes da programação de Circo Contemporâneo será a apresentação de “Smashed”, da Companhia Gandini Jugling, numa “proposta inesquecível de reivenção da arte do malabarismo”. O espetáculo junta nove performers, nove cadeiras, 80 maçãs e uma enorme variedade de peças de louça que ocupam o palco, num jogo constante que rompe com as convenções da manipulação de objetos, procurando chegar “ao lado negro das relações humanas”. A proposta surge inspirada no universo de Pina Bausch.  A Companhia Erva Daninha também já confirmou a sua presença nas 40 horas mais animadas de Serralves, prometendo apresentar, em estreia absoluta, o espetáculo de trapézio “Baínha”, que aborda a questão da identidade.

Dedicado à temática do esforço físico, o projeto “Biométricos”, da Companhia Visões Úteis chegará ao Serralves em Festa depois de ter sido apresentado em dois momentos anteriores: na Baixa da cidade, a 17 de maio, e no Espaço Mira, em Campanhã, a 24 de maio. A peça representa uma reflexão sobre a capacidade de ultrapassar os limites do corpo mas também sobre as diferenças no valor que habitualmente se atribui aos esforço nas áreas artística, desportiva e laboral. Também realizado em espaço aberto, o “Projeto Secreto” chegará pelas mãos do Radar 360, em parceria com o Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP). De acordo com os organizadores, “Secreto é o espaço-casa ou a nave transparente onde habitam duas personagens empenhadas em partir para grandes viagens e explorações sucessivas”.

serralves2014_4Do alinhamento musical, revelado por Pedro Rocha, fazem parte mais de 40 concertos. Um dos nomes sonantes é o da Sun Ra Arkestra, formação de jazz americana criada nos anos 50 por aquele pianista, compositor e filósofo, pioneiro na abertura do jazz à música eletrónica e à space music. A animar os corpos na habitual Festa do Prado estarão os canadianos Duchess Says, com o eletro-punk vocalizado por Anne-Claude Deschênes; os londrinos Factory Floor, com as suas batidas maquinais e industriais e os portugueses Octa Push, que conjugam algumas das correntes da eletrónica de dança com o calor do afrobeat. O equipamento portuense decidiu ainda desafiar o jovem músico e compositor Tiago Sousa a criar um projeto para a orquesta Guitarrafonia (ensemble formado em 2006, com professores e alunos de escolas da Beira Interior), especialmente pensado para a festa. Segredos que podem ser desvendados ao longo de um evento que, nas edições anteriores, recebeu mais de 770 mil visitantes.

Texto: Mariana Albuquerque

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