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Sabedoria e cidadania…

Sabedoria e cidadania…

Nos últimos dias, por mero acaso, tenho reparado numa frase publicitária inscrita num chapéu-de-sol de uma esplanada. Evitando fazer publicidade à marca do café – para mim, os melhores cafés do mundo sempre foram os de S. Tomé e Príncipe, de Timor e Cabo Verde – não deixo passar a frase em claro: sabor da sabedoria! Confesso que nunca tinha visto esta frase. Já tenho reparado em “saberes e sabores”, por exemplo, mas este sabor da sabedoria não conhecia. Sabedoria popular certamente.

E por uma qualquer razão, veio-me à ideia o enorme elenco de ditados e provérbios portugueses amplamente divulgados. Hoje, contudo, muito provavelmente não cumpridos na sua grande maioria. Podemos começar eventualmente por este “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”, com uma potencial correspondência naquele outro “bem prega Frei Tomás o que ele próprio não faz”.

Legitimamente poderão questionar a razão de citar estes. E com legitimidade, posso igualmente dizer que não terá sido ao acaso. Há uma ligação profunda entre os ditados e os tempos que vivemos. Quer a sabedoria, quer a cidadania exigem compromisso. Por exemplo higienizar as mãos antes de pegar no pão nos supermercados, manter o distanciamento social – mesmo nas filas das caixas de multibanco, não deitar para o chão na via pública as máscaras utilizadas, reciclar o lixo doméstico e saber colocá-lo nos respetivos contentores, respeitar as regras básicas da convivência humana. Saber viver “em sociedade” é também isto.

Como é, seguramente, saber estar numa esplanada sem ajuntamentos, saber estar na praia à distância recomendada e sem correr riscos desnecessários em baixo de uma «arriba», tendo como fundamental a ideia de que podemos errar na avaliação do risco de contágio devido a vários fatores – como por exemplo a falsa perceção do risco quando nos baseamos na informação das redes de contacto mais próximas, como são os amigos, a família, os vizinhos ou os camaradas de trabalho. Não há que dar valor ao pânico ou à desconfiança mas, cautela e caldos de galinha…nunca fizeram mal a ninguém.

O importante é estar «bem informado». Mais do que a quantidade, valorizemos a boa informação. E fiquemos com a certeza de que as chamadas «redes sociais» não são o caminho mais recomendado.

Como li aqui há dias, “o homem é senhor do que pensa e escravo do que fala”.

António Bondoso
Jornalista

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