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S. João no Porto

S. João no Porto

“O S. João era mais divertido, o que não quer dizer que hoje não haja diversão”, começou por explicar à Viva o conhecido jornalista e historiador do Porto Germano Silva. “É um momento em que se esquece o ‘vossa excelência’.  A diferença é que as rusgas eram menos organizadas: formavam-se nos bairros, passavam nas Fontainhas e terminavam com o tradicional banho nas águas orvalhadas do Douro, antes de o sol nascer, porque todos acreditavam que dava saúde”, acrescentou.

Com efeito, contrariamente ao que muitas pessoas pensam, o S. João nunca foi uma festa católica. Trata-se de uma celebração pagã, intimamente ligada ao culto da fecundidade, do fogo e do sol. Apesar de muitos desconhecerem as verdadeiras origens do festejo, a sjoao2felicidade estampada nos rostos de quem percorre o coração da cidade naquela noite é já uma marca da Invicta. O conceito “é o mesmo”, sublinhou Germano Silva, notando que as pessoas se entregam “à folia sem constrangimentos”.

“Claro que o S. João vai evoluindo conforme a cidade evolui”, afirmou o historiador, recordando que “as ruas dos Caldeireiros, do Almada – onde as varandas ficavam todas iluminadas – e a Praça da Liberdade – com o fogo preso – já foram os epicentros” da festividade. O auge do arraial chegou também a ser junto ao Bolhão e no Mercado do Anjo que, entretanto, encerrou. Nos anos 50, o fogo de artifício era lançado na Serra do Pilar “para que as pessoas o vissem das Fontainhas”.

“O S. João continua a ser a rua”

Apesar das diferenças, Germano Silva ainda vive a celebração da mesma forma. “Para mim, o S. João continua a ser a rua”, revelou à Viva, acrescentando que, todos os anos, se desloca à rua de S. Victor, na qual a festa “mantém as características antigas, como a cascata”. O historiador recorda também o arraial das Fontainhas que, não sendo o mais antigo da cidade, se transformou na verdadeira sjoao3“meca” do S. João do Porto. Em meados do século XIX, “um senhor decidiu construir uma cascata monumental e oferecia café quente e pão com manteiga a quem a fosse ver”, explicou, esclarecendo que, com o tempo, se tornou “quase obrigatório” a passagem pelas Fontainhas nesta época.

Mas a festa popular não é apreciada apenas pelos portuenses. “É preciso não esquecer que a revista Newsweek fez, há uns anos, grandes reportagens sobre festas cíclicas do mundo e o S. João do Porto vinha lá”, relembrou Germano Silva, explicando que ao contrário do que acontece, por exemplo, em Braga, onde o S. João “tem uma programação”, no Porto, não existe um plano definido, “o que é muito aliciante para os turistas”. “Recordo-me que, num ano, Mitterrand estava na cidade e ficou espantado com o S. João. Os seguranças ficaram atormentados por causa da confusão, mas ele andou na rua a ver a festa”, contou o historiador do Porto.

30 eventos de música, desporto e artes

Além do tradicional fogo de artifício, que vai unir as duas margens do Douro de 23 para 24 de junho, e do bailarico dos Aliados, este ano, as festas de S. João integram mais de 30 eventos, passando pela música, artes e desporto. Depois da 9.ª edição do “Serralves em Festa” e do Optimus Primavera Sound, que termina no dia 10, a cidade receberá, até ao dia 1 de julho, a Festa na Fábrica Social, que terá, pelo terceiro ano consecutivo, a Cascata da autoria de Joaquim Correia; o Porto 7 – Festival Internacional de Curtas-Metragens, que decorre até 17 de junho no Passos Manuel e Hard Club e a 3.ª edição da Cascata de S. João no jardim da Casa Museu Guerra Junqueiro.

sjoao4A habitual Corrida de S. João está marcada para o dia 17 de junho, às 10h30, na Praceta do Molhe. Nos dias 21, 22 e 23, o Coliseu do Porto receberá “Portugal Criativo – Lugares Criativos”, que “promete ser um espaço privilegiado de encontro com pessoas e ideias, promovendo a criatividade como força impulsionadora do desenvolvimento social e económico dos territórios”. A Biblioteca Municipal Almeida Garrett vai acolher, no dia 23, pelas 15 horas, “Viagens à volta do Porto” – conferências destinadas a dar a conhecer a cidade através dos tempos. Agendadas para o dia 30, às 21 horas, estão as Rusgas de S. João, tradição que remonta a 1957. O ponto de encontro será na Praça da Batalha, seguindo-se o desfile ao longo de Stª Catarina, Passos Manuel, D. João I e Aliados, onde os vários grupos atuarão perante os jurados.

De 5 a 8 de julho, o Porto receberá, pela primeira vez, o Extreme Sailing Series, evento de vela que contará com a participação dos melhores velejadores de nove nacionalidades. Oito equipas mundiais vão disputar, em território português, uma etapa daquela que é considerada a “Fórmula 1 da vela”.
Uma agenda que promete, nos próximos dias, levar portuenses e não portuenses a viverem, descontraidamente, as ruas da cidade.

Mariana Albuquerque

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