Recheio

Rute Braga: “Gostava que as pessoas mantivessem este espírito de união que se sentiu ao longo destes meses”

Rute Braga: “Gostava que as pessoas mantivessem este espírito de união que se sentiu ao longo destes meses”

A covid-19 mudou a realidade de milhares de portugueses que, fruto das circunstâncias, completamente atípicas, que vivem desde março, tiveram que se confinar em casa, alguns obrigados a uma paragem forçada dos seus ritmos de trabalho, outros a conhecerem novas formas de trabalhar, com a entrada em vigor do teletrabalho [para as funções que assim se pudessem exercer], mas todos isolados e mais “unidos e solidários do que nunca”, a respeitar “cautelosamente” as orientações das autoridades de saúde, como tantas vezes elogiou Marcelo Rebelo de Sousa e que originou o “milagre português”.

De ruas cheias de vida, como a afamada Avenida dos Aliados e a Rua de Santa Catarina, no Porto, a transformarem-se em espaços vazios e de saudade, de familiares e amigos a afastarem-se, na esperança de se protegerem de um vírus, invisível, mas que deixou – e continua a deixar – eternizadas marcas de uma pandemia sem igual. Foi este o retrato de um país, que passou por três períodos de estado de emergência e que foi obrigado a reinventar-se e a (re)pensar prioridades.

Exemplo disso, entre tantos outros que lhe poderíamos ter trazido na estreia da rubrica “Opinião”, que lançamos nestes primeiros dias de junho, é Rute Braga, a conhecida apresentadora do Porto Canal, cara do N’Agenda, que, em tempos de pandemia, fez da sua casa estúdio para poder continuar a levar até si, aí em casa, as melhores e mais deliciosas entrevistas. “Aprender a trabalhar com o skype, cuidar da imagem e do cenário do programa, contactar os convidados, explicar o que iriam fazer, ter o cuidado em confirmar que estava a gravar a entrevista e estar atenta ao cronómetro para não exceder muito o tempo de conversa” foram alguns dos desafios com que se deparou, numa experiência que, em tempos normais, envolveria várias pessoas da equipa, mas que, ainda assim, diz ter sido “bem positiva”.

“Adoro desafios e este era a forma de continuar a trabalhar e até de ir mais longe, de contactar com pessoas que dificilmente viriam ao Porto para uma entrevista. Sinto que os convidados estão mais disponíveis, talvez porque estão em casa, sem a equipa à volta e sem as câmaras que normalmente os intimida, por isso e sem dúvida alguma que tem sido uma experiência muito gratificante e com imensos pontos fortes”, destacou.

Questionada a propósito da possibilidade de se poder perder um pouco a empatia/proximidade com os entrevistados ao fazer televisão nestas circunstâncias, a apresentadora portuense não tem dúvidas: “a única coisa que se perde é o beijinho físico que damos quando nos cumprimentamos e nos despedimos, porque de resto, a forma como me têm recebido em suas casas, o modo simpático e disponível com que todos eles respondem às minhas perguntas e desafios é muito gratificante”. “Acho que conseguimos manter o nível do programa em casa e estou muito feliz e agradecida a toda a equipa que não aparece, mas que continua a trabalhar a partir de casa”, continuou.

Em relação ao futuro dos canais de televisão, principalmente dos regionais, como é o caso do Porto Canal, no período pós-pandemia, revela que não está de todo pessimista. Acredita que ao longo destes meses de confinamento, à semelhança do que aconteceu com artistas de música, atores, museus e escolas, os canais de televisão também se reinventaram, criaram novos formatos e, consequentemente, abriram um mundo de possibilidades. “Esta situação obrigou-nos a ser mais criativos, a pensar «e agora, como é que podemos comunicar da mesma forma com o público lá em casa?»”.

Viveu a quarentena na companhia do marido, André Brito, e das suas duas filhas [com três e seis anos] e garante que encarou esse período “de forma bastante tranquila”. “Vi este isolamento social até de uma forma positiva, estarmos os quatro em casa, juntos e durante tanto tempo, para mim foi uma dádiva”. E foi, juntos, em família, num “trabalho [constante] de equipa” que diz terem conseguido lidar com eventuais pressões que poderiam ter surgido. “Tenho muita sorte no marido que tenho, que me apoia a 200% e me ajuda muito aqui em casa. Foi tudo uma questão de organização”, revelou à VIVA!, contando ainda que as meninas reagiram “muito bem” a tudo o que estava a acontecer. “Até na relação entre as duas, esta situação acabou por ser positiva, ajudou a fortalecer os laços entre irmãs, aprenderam a estar mais tempo juntas e a brincar em conjunto”.

Em família, Rute e André, ela também com uma carreira de sucesso como manequim e ele conhecido fotógrafo de moda e reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho de nus, criaram ainda um projeto em que protagonizaram várias sessões fotográficas e que partilhavam, depois, nas suas páginas de instagram. “O André até indicações dava aos seguidores de como tinha feito as imagens, que acessórios tinha usado para que pudessem fazer o mesmo em casa com as mulheres”, salienta, adiantando que o feedback que foram recebendo foi muito bom.

Um período de confinamento, como se comprova através destas fotografias, muito bem aproveitado por esta família, que se reinventou profissionalmente e que criou, ainda, um projeto bastante especial. Sentiram-se, naturalmente, as saudades de uma vida pré-covid, que os colocava, a qualquer hora e em qualquer momento, junto daqueles que mais amam, mas manteve-se a esperança e a certeza de que o “amanhã será melhor”. Sem medos, Rute Braga afirmou à VIVA! que o que sentiu, efetivamente, mais saudades foi de estar com os seus pais e com a irmã, de lhes dar abraços e ir à casa deles. “Na primeira vez que entrei em casa dos meus pais depois deste confinamento, até lágrimas me vieram aos olhos”, revelou.

“Eramos tão felizes e nem sabíamos” é uma das frases que mais se faz ouvir ao longo desta pandemia, e embora a apresentadora do Porto Canal tivesse consciência do quão feliz era, e continua a ser, acredita que a maior lição que este novo coronavírus lhe trouxe foi a de que “a saúde é realmente a coisa mais importante que temos e que a família vem logo a seguir”. E se pudesse fazer um pedido à estrela cadente, como em casa costumam dizer, pediria que as pessoas mantivessem o espírito de união que se sentiu ao longo destes meses.

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