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Cinema Batalha reabre no início de 2022

Cinema Batalha reabre no início de 2022

Três anos depois da Câmara Municipal do Porto ter anunciado a requalificação do Cinema Batalha, um dos mais icónicos equipamentos culturais da cidade do Porto, eis que, no final deste ano, chegará a boa nova. Os portuenses verão brevemente concluída uma das obras mais almejadas ao longo dos últimos anos. A requalificação do agora designado “Batalha Centro de Cinema” estará concluída no segundo semestre do ano e a abertura acontecerá já em fevereiro próximo, revelou Rui Moreira.

A estrutura abrirá portas à cidade com uma imagem renovada, projetada pelo Atelier 15 Arquitetura, de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez, que não desvirtuará a “matriz art déco que o distingue”. “Incorporará contemporaneidade e novos usos culturais, com a missão de envolver toda a comunidade”, assegurou o município portuense. “A nova instituição pública, centrada na divulgação de correntes cinematográficas, cultura fílmica e investigação em cinema, abrirá no início de 2022, em fevereiro”.

Com quatro pisos, cada um com diferentes funcionalidades, o equipamento municipal apresentará logo no rés-do-chão, à superfície da rua, um bar, resultante da recuperação do antigo salão de chá e café – onde nos anos 70 foi construída a “Sala Bebé” – e que estará equipado para exibições e performances, adiantou a autarquia portuense.

No piso 1, ficará localizada a sala de projeção preparada para a exibição de formatos digitais e analógicos – a já conhecida “Sala Grande”. A sala é composta por 341 lugares, 183 dos quais na plateia, 112 na tribuna (ao nível do piso 2) e 42 no balcão, do alto do piso 3. O Batalha Centro de Cinema terá também uma “Sala Estúdio”, localizada no quarto e último piso, onde estarão também contemplados um bar e um “terraço com vistas para a praça, para o Teatro Nacional São João e para a Igreja de Santo Ildefonso”. O espaço, com 126 lugares, estará também preparado para a projeção de “formatos digitais e analógicos, em caixa autónoma”.

O segundo piso do equipamento será aproveitado para uma “biblioteca especializada em cinema”, com zona de leitura, que, de acordo com o município, “pretende ser «um epicentro» daquilo que é o acervo documental sobre a sétima arte”. Ao mesmo nível, estará também uma mediateca “dedicada ao património fílmico da cidade do Porto, com um arquivo digital que será trabalhado ao longo dos anos”.

Além das suas duas salas de projeção preparadas para exibição de formatos digitais e analógicos – a Sala Grande com 341 lugares e a Sala Estúdio com 126 lugares –, o Batalha Centro de Cinema integrará um espaço de galeria de 65m2 dedicado às artes visuais, uma biblioteca especializada em cinema, que pretende ser “um epicentro” daquilo que é o acervo documental sobre a sétima arte, e ainda uma mediateca dedicada ao património fílmico da cidade do Porto, com um arquivo digital que será trabalhado ao longo dos anos.

O equipamento contará ainda com “uma galeria dedicada às artes visuais, com uma área aproximada de 65 metros quadrados”, uma loja de artigos de cinema, zonas administrativas e técnicas e sanitários.

Foto: Arquivo

De acordo com o presidente da Câmara Municipal do Porto, o projeto elaborado dá resposta aos “desafios tecnológicos” e “usos culturais” previstos para o Batalha, “ao mesmo tempo gerindo as vicissitudes patrimoniais de um edifício singular, classificado, em 2012, como Monumento de Interesse Público”.

O objetivo, segundo anunciou, aquando da apresentação da estratégia programática desenhada para o Batalha, é que se crie uma “relação expandida e crítica com os seus mais diversos públicos e agentes, permitindo que a cidade veja nascer uma instituição aberta, participada, estimulante e também divertida”.

A autarquia portuense deixa o convite para “a estreia desta longa-metragem”, onde os “figurantes são as estrelas do cinema”, já no início do próximo ano.

Em causa está um investimento municipal de aproximadamente quatro milhões de euros. A obra, recorde-se, iniciou em novembro de 2019, cerca de quinze dias depois do Tribunal de Contas ter dado “luz verde” ao seu arranque.

A estratégia programática

Não pretende ter a missão exclusiva de programar cinema histórico, ou dedicar-se a estreias de filmes que entram no circuito comercial, mas antes propor uma programação que estimule o conhecimento e fruição cultural através das múltiplas formas de fazer e pensar o cinema”, realçou Guilherme Blanc, diretor artístico do novo equipamento municipal.

A missão estratégica do Batalha, acrescentou, será dar a conhecer obras e práticas fílmicas relevantes no cinema, introduzir debates e discursos contemporâneos através das múltiplas possibilidades estéticas e formais do cinema e da imagem em movimento. Além disso, o plano passa também por “disseminar obras sem canais de difusão em Portugal e estabelecer parcerias com os agentes programadores da cidade”.

Foto: Miguel Nogueira | CM Porto

O Batalha Centro Cinema pretende ainda dar apoio à investigação no domínio da História do Cinema e do pensamento crítico sobre imagem em movimento, e promover ações de cruzamento disciplinar com outras artes, nomeadamente as visuais, através de projetos expositivos e performance.

A programação contemplará a apresentação de monografias e ciclos retrospetivos de obras e práticas de cinema individuais, e também de movimentos; ciclos discursivos/temáticos, “através dos quais iremos debater assuntos políticos, culturais e filosóficos”; focos sobre cineastas e artistas contemporâneos, nacionais e internacionais.

A proximidade à comunidade é um dos pontos-chave do programa. “Em alternativa a trabalharmos um projeto educativo per se, queremos introduzir uma dimensão programática onde se trabalhe, em primeira linha, a inclusão social e cultural através do acesso ao cinema, passando isto pela educação, mas também pela criação de comunidades de cinefilia junto a diferentes grupos de diferentes identidades, demografias e culturas”, afirmou o responsável que, até ao final do ano passado, exerceu funções de diretor artístico do Departamento de Arte Contemporânea e de Cinema, na empresa municipal Ágora.

De acordo com Guilherme Blanc, o Batalha Centro de Cinema apostará também em programas anuais de continuidade, acolhimentos e parcerias, sessões especiais, entre outras disciplinas.

Foto de entrada: Filipa Brito | CM Porto

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