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Re-Food Foz do Douro

Re-Food Foz do Douro
Portuenses unem-se na luta contra a fome e o desperdício de alimentos

“Junta um grupo de dez, doze pessoas e vem falar comigo”. Estas foram as palavras que, endereçadas por Hunter Halder a Francisca Mota, deram luz verde para que a jovem decidisse lançar mãos à obra e fazer chegar ao Porto um projeto que promete marcar a diferença na vida dos mais carenciados. Com o lema “Aproveitar para alimentar”, o Re-Food, criado em Lisboa, há três anos, pelas mãos de Halder, assumiu o desafio de recolher e distribuir a comida cedida por restaurantes às famílias em dificuldades. E é este duplo combate – do desperdício e da fome – que vai começar, agora, a ser travado também no Porto, através da criação de um núcleo do projeto na freguesia da Foz do Douro. O conceito da iniciativa foi apresentado ao público esta quarta-feira à noite, dia 12 de março, numa reunião onde eram esperadas 250 pessoas e que acabou por acolher cerca de cinco centenas.

Francisca Mota teve conhecimento do Re-Food enquanto tirava a sua licenciatura, na capital, e nunca mais quis largá-lo. “Conheci o projeto no ano passado, quando estive a viver e a estudar (Serviço Social) em Lisboa. Num dos estágios curriculares que realizei, uma pessoa que trabalhava comigo desafiou-me a ir a uma reunião de gestores do núcleo de Santa Clara, que ainda não está operacional”, contou, acrescentando que decidiu, então, alinhar na equipa do núcleo de Telheiras, com o qual colaborou até ao fim de 2013. “Posso dizer que me apaixonei pela ideia”, confessou a jovem, em declarações à Viva. Já com a licenciatura próxima do fim e com o plano de voltar para o Porto, cidade onde nasceu e tem a sua família, a jovem falou com Hunter Halder, perguntando-lhe se poderia viajar para o norte com a iniciativa na bagagem. O repto lançado pela portuense foi acolhido com satisfação, até porque já havia o desejo de expandir este apoio a outras cidades portuguesas. “Deste modo, juntamos o útil – o facto de conhecer o funcionamento do projeto como voluntária – ao agradável e cá estamos nós, hoje, a começar oficialmente o Re-Food no Porto”, afirmou, com orgulho.

re_food_2Acabar com a fome e reforçar laços comunitários

Tal como explicou a dinamizadora, o programa é 100% voluntário e destina-se a “acabar com o desperdício de alimentos preparados e com a fome nos meios urbanos”, ao mesmo tempo que contribui para “reforçar os laços comunitários locais”. Neste momento, existem quatro núcleos operacionais em Lisboa: Nossa Senhora de Fátima, Telheiras, Estrela e Lumiar, sendo que estão já em desenvolvimento “pelo menos mais 14, também na zona da Grande Lisboa”.

Entretanto, o Re-Food Foz do Douro também já está a dar os seus primeiros passos. Quando o núcleo estiver plenamente operacional, a tarefa dos voluntários envolvidos passará, de forma resumida, pela recolha de alimentos em restaurantes, cafés, supermercados e outras instituições que queiram associar-se ao projeto – “e que tenham alguma comida preparada que seria desperdiçada” – pela preparação/embalamento dos alimentos e pela sua posterior distribuição pelas famílias carenciadas, “previamente identificadas”.

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Conselho Nuclear do Re-Food Foz do Douro já está definido

A criação de um Conselho Nuclear (de gestão), composto por, pelo menos, 24 voluntários (12 ativos e 12 suplentes), divididos em seis pastas de gestão (liderança, operacional, apoio da comunidade, beneficiários, voluntários e fontes de alimentos) é o primeiro passo para a constituição de um núcleo. De acordo com Francisca Mota, o conselho do “clã” da Foz foi formado na reunião desta semana, mas há sempre espaço para aqueles que estiverem interessados em juntar-se ao grupo.

re_food3As tarefas para os próximos tempos já estão bem delineadas. Em primeiro lugar, é necessário dar início a uma profunda investigação no terreno, com vista à identificação de possíveis empresas parceiras, de estabelecimentos disponíveis para o fornecimento de alimentos e de todas as instituições/grupos que trabalham com famílias carenciadas a nível alimentar. Além disso, o núcleo está também à procura de um espaço que possa funcionar como centro de operações, sendo que, neste ponto, poderá haver novidades brevemente. “O presidente da União das Juntas de Freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, [que tem estado a apoiar a iniciativa] revelou que já tem um espaço identificado, no entanto, uma vez que esse local pertence à Câmara Municipal do Porto, ainda há uma parte burocrática que terá de ser ultrapassada para que se chegue a um acordo”, contou a jovem.

Mobilizar as restantes freguesias do Porto até 2015

Mesmo antes da realização do encontro de apresentação do Re-Food, Francisca Mota começou a aperceber-se do entusiasmo dos cidadãos face ao desafio, “pela forma como reagiram” à campanha de divulgação e pelo “interesse que demonstraram em conhecer melhor o projeto”. Aliás, a equipa de gestores não tinha ainda iniciado a pesquisa de eventuais parceiros e já alguns restaurantes se estavam a oferecer para uma colaboração. As 500 pessoas que compareceram no encontro – obrigando até a organização a efetuar uma mudança de sala, para um auditório maior – foram apenas a confirmação de que os portuenses se deixaram conquistar pela ideia desenvolvida por Hunter Halder. Francisca Mota pretende, por isso, expandir o projeto a todas as freguesias portuenses “até 2015”, bem como começar a semear o ‘bichinho’ Re-Food nas cidades limítrofes. Neste momento, a jovem ainda não consegue prever o arranque oficial das atividades no terreno. “Tudo dependerá do tempo que demorarmos até conseguirmos ter um espaço que sirva de centro de operações e até conseguirmos contratualizar as parcerias com os estabelecimentos de restauração, empresas e instituições/grupos locais”, esclareceu, reiterando que no Re-Food Foz do Douro há sempre lugar para mais alguém que esteja disposto a fazer a diferença.

Texto: Mariana Albuquerque   |   Fotos: https://www.facebook.com/refoodportugal

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