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Processos e estratégias do envelhecimento em meio urbano, por Cláudia Moura

Processos e estratégias do envelhecimento em meio urbano, por Cláudia Moura
A vida na velhice é um acto de liberdade e de escolha, num quadro determinado por coordenadas.

Deixo-vos a pensar… a sociedade actual é confrontada perante o paradoxo do fenómeno do envelhecimento – se o desenvolvimento tecnológico da humanidade, avanço da medicina e da ciência, facilita o aumento da longevidade, também instala a questão: mas, o que fazer com este tempo?
Daí a urgência em transformar tempo em razão e, por conseguinte, em emoção.
A crescente longevidade circunscreve a introdução de novas fases nas idades da vida, a vida necessita, portanto, de ser reinventada. O envelhecimento impõe assim uma reorganização global da vida quotidiana, afinal, nesta fase da vida o idoso é rodeado por alguma ambivalência. Aqui, a actividade social representa o espelho para a construção da identidade e auto-estima. É nesta fase da vida que surge a emergência da intervenção junto do idoso em prol da reforma da identidade, reconstruindo o percurso de vida.
Envelhecer resulta da relação estabelecida entre o estilo de vida que se tem ou se deseja ter e a capacidade para o usufruir. É possível dizer que se presencia uma mudança profunda na vida humana, originando a emergência de estratégias através das quais se torna possível reinventar o percurso de vida. Ora, se as estratégias são o produto de habitus, então, importa compreender, em que medida e como os habitus do idoso em meio urbano podem funcionar enquanto instância de mediação entre as estruturas sociais a que estão sujeitos e as práticas quotidianas que desenvolvem.
De modo a responder a estas alterações a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou o projecto Cidade Amiga das Pessoas Idosas, que preconiza a adaptação das estruturas e serviços para que estes sejam acessíveis e promovam a inclusão dos cidadãos idosos. Afinal a representação deste projecto retrata uma nova cultura urbana, onde é permitido às pessoas idosas a participação cívica na sociedade. Tal como iniciamos esta reflexão, os avanços da ciência e da medicina trouxeram o acréscimo dos anos de vida, porém, cabe a cada um a procura pelo desenvolvimento. Tendo a cidade do Porto essa preocupação na presente imagem positiva da velhice, possui características de uma cidade amiga das pessoas idosas através da excelência dos serviços prestados nas diferentes freguesias da cidade.
Assim, parece importante referir que cada indivíduo é único e envelhece da forma como viveu.

Cláudia Moura
Professora universitária

*Este texto não foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico{jcomments on}

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