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O Porto e a simbologia do número 31

O Porto e a simbologia do número 31

Quando estamos em problemas, é frequente dizermos que arranjamos um verdadeiro “trinta e um”. O mais engraçado de tudo é quando paramos um bocadinho para pensar e nos interrogamos: mas porquê um “trinta e um” e não um “vinte e nove” ou um “quarenta e sete”? Porquê este número em específico?

Ora bem, para compreendermos esta expressão popular portuguesa, temos de ir aos confins da história do Porto. Recuemos até ao mês de janeiro do ano de 1891. O dia? Pois claro: 31. Nesta data, tal como refere a Agenda Cultural do Porto, instalou-se uma grande revolta militar do exército, na cidade.

O objetivo era acabar de uma vez por todas com a monarquia e fazer com que a república fosse implantada. O problema é que a iniciativa não foi muito bem aceite. Na sequência desta tentativa de derrube da monarquia, os revolucionários acabaram por ser suprimidos, o que culminou num desfecho indesejável e sangrento: 12 mortos e 40 feridos, de acordo com a mesma fonte de informação.

No final de contas, esta revolta não deu em nada de concreto, mas isso não fez com que a data deixasse de ser lembrada. Tanto é que na cidade do Porto e nos seus arredores existem várias ruas com a designação “31 de janeiro”. Uma delas fica em Santo Ildefonso, outra fica na Póvoa de Varzim, outra em Alfena, por exemplo.

Entretanto, os anos passaram-se é certo e o mais provável é que quando pense num “trinta e um”, imagine uma zaragata, uma confusão, mais do que qualquer ato heróico. Contudo, especialmente no Porto, esta expressão remete para a valentia que sempre nos caracterizou enquanto cidade.

O 31 deu origem a canções

Aliás, tanto o “trinta e um” é importante em Portugal e, em particular, na cidade do Porto, que até chegou a ser feita música em homenagem a este dia. Já ouviu falar no “Fado do 31”? Tal como refere o Público, alguns dos versos da canção dizem “Agrava-se a chinfrineira/ Vai aumentando o zum-zum/ Vem, bomba, rebenta, pum/ Depois mais tarde vereis/ 24, 26, 29 e 31.

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Este número é tão importante na cidade Invicta que o “Fado do 31” chegou, inclusive, a ser mencionado em outras músicas. Por volta do ano de 1936, Beatriz Costa viria a dar voz ao “Fado do 17”, que dizia “Foi-se o biscoito, a bomba e o pum/ ficou tudo sossegado/ morreu o fado do 31”. Os versos da música concluíam, ainda, “Ai, Portugal, é que é so conversar, falazar, falazar”, numa clara referência a Salazar (via Público).  

O 31 também pode simbolizar um jogo de cartas

Esta é a principal teoria acerca de arranjar um “trinta e um”. No entanto, curiosamente, há quem atribua esta designação a um simples jogo de cartas. No jogo em questão, distribuem-se três cartas por cada jogador. Cada um dos elementos em jogo, tem a possibilidade de pedir as cartas que quiser para conseguir aproximar-se o máximo possível do número 31.

Não será propriamente arriscado dizer que a primeira relação estabelecida entre o Porto e o número “trinta e um” é bem mais interessante do que a segunda. No entanto, e se lhe disséssemos que este número também tem um significado muito específico, no Brasil?

Em terras canarinhas, a expressão “bater um 31” não é propriamente indicadora de bons motivos. Antes pelo contrário, esta faz alusão à morte, já que o 31, em muitos sítios, também é associado ao azar ou à sorte.

Como pudemos ver, isto de “arranjar um 31” pode ter vários significados. Ainda que seja uma expressão utilizada por todo o território nacional, as suas raízes encontram-se bem assentes na cidade do Porto, onde esta expressão surgiu, devido à valentia dos militares que tentaram, pela primeira vez, pôr fim à Monarquia em Portugal.

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