CM Matosinhos

O futebol sem adeptos em Portugal

O futebol sem adeptos em Portugal

Desde 1863, altura em que as regras de futebol moderno foram criadas, que este é um desporto extremamente popular para o público, evidenciando uma união clara entre as classes mais pobres e mais ricas.

O mundo mudou… e, hoje, todos guardamos na memória uma última época, em que ao invés do barulho efusivo que habitualmente surgia das bancadas de um estádio, se ouviam os jogadores a discutir entre si, a pedir aos colegas de equipa para criarem pressão ou mesmo se percebia as instruções dos treinadores. Tudo se ouvia, à exceção daqueles que criavam o verdadeiro entusiasmo ao jogo, ou seja, o público.

Com esta mudança, os resultados desportivos começaram a ser diferentes. As equipas com orçamentos mais pequenos defrontaram-se com as chamadas grandes equipas e continuaram a sofrer a pressão “fim de semana após fim de semana” para obterem um resultado positivo. Os bons resultados são sempre sinónimo de trabalho árduo, quer do plantel como da equipa técnica. E há inúmeros fatores relativos ao primeiro lugar. A igualdade dos grandes e pequenos através do barulho dos adeptos veio ditar um futebol diferente, um jogo realmente jogado dentro de campo.

A falta de público só veio salientar que o ambiente criado pelos adeptos é um dos pormenores que faz a diferença entre as equipas. Apesar de os jogos sem público terem mostrado mais equilíbrio nos resultados, este fez muita falta. A falta que nos fez ver os olhos das crianças a brilhar ao verem os seus ídolos, um festejo dos golos entre os jogadores e os adeptos, as imagens que víamos em grande ecrã do abraço ao desconhecido que se sentava ao nosso lado, cujo nome desconhecíamos, estando só ligados pelo amor ao futebol.

A falta de público não só afetou as equipas seniores como também o desporto juvenil: houve quem dissesse que foi positivo não ter os pais a fazerem pressão nas crianças como houve quem afirmasse que os filhos necessitam de ver os pais nas bancadas para os apoiar… um assunto ao qual nunca chegaremos a um consenso.

bola

O futuro do desporto em Portugal está a ser bastante discutido, os escalões que antecedem o futebol sénior não competiram, muitos destes jogadores acabarão por desistir do desporto que praticam há mais de 12 anos e, não sabemos dizer ao certo as consequências que isto nos trará no futuro. Contudo, o futebol juvenil em Portugal está com uma margem enorme, vemos as nossas seleções a chegar a finais e mesmo a ganhar as grandes competições, temos cada vez mais treinadores formados e com conhecimento, com uma metodologia conhecida a nível mundial e a formar os melhores atletas do mundo. Na nossa realidade, a aposta na formação ainda não é a mais prioritária, contudo as equipas estrangeiras criam-nos esse impute… sendo o jogador português apetecível para as equipas estrangeiras, mas ainda pouco apetecível para as equipas portuguesas.

O futuro está assegurado nos próximos anos. Esperemos que os escalões mais jovens não percam a carruagem em relação aos outros países e continuem a dar as maiores felicidades ao público português. Não nos esqueçamos, o futebol deve ser vivido com alegria e educação, os protagonistas do jogo são pessoas que merecem respeito e que estão a trabalhar. Em boa verdade, ninguém quer ser insultado no seu local de trabalho.

Fábio Costa
Treinador de Futebol

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