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Metro do Porto assegura conclusão das linhas Rosa e Amarela em 2024

Metro do Porto assegura conclusão das linhas Rosa e Amarela em 2024

Passados nove meses desde a última visita pelas obras da Metro do Porto a VIVA! voltou a dirigir-se aos locais de construção da Linha Rosa e Amarela. Em causa está a execução de sete novas estações de metro, cinco das quais subterrâneas, que irão resultar num percurso de 73 quilómetros.

Entre as duas linhas, que poderão servir diariamente 33 mil passageiros, a Amarela encontra-se numa fase mais avançada da obra, até porque a empreitada “é substancialmente mais simples”. “São menos estações, neste caso são três, na Linha Rosa são quatro, e duas delas são à superfície, só a de Manuel Leão é que será subterrânea e muito por causa disso está mais adiantada”, explicou fonte da Metro.

A conclusão das obras na Linha Amarela está prevista para o ano de 2023 e a operação deve iniciar em 2024. Já na Linha Rosa a empreitada deverá terminar em 2024 “para a operação arrancar nos meses finais desse ano ou início de 2025”, revelou a mesma fonte.

Num périplo pelos principais pontos de construção das novas linhas, a equipa da VIVA! testemunhou os trabalhos que estão a decorrer em várias frentes, fazendo, agora, um ponto de situação. Confira de seguida…

Linha Rosa

Com várias frentes ativas no momento o engenheiro responsável pela obra da Linha Rosa, Pedro Lé Costa, começa por fazer uma viagem desde a Praça da Liberdade. Adianta que estão a realizar o desvio do rio de Vila, sendo necessário “fazer um túnel para desviar essas águas”, e na própria estação está a ser feito “um trabalho com equipamento hidrofresa para construir as paredes” da mesma.

“Subindo em direção a Santo António, na Praça dos Leões, junto à Reitoria e ao famoso Café Piolho estamos a tratar de uma série de serviços afetados, ou seja, uma série de desvios de redes, que têm de ser removidas para se poder fazer um poço de ventilação ao túnel de via”, relatou o engenheiro, acrescentando que na Boavista existe um poço idêntico ao da zona do Café, na Rua Júlio Dinis, onde estão “praticamente a meio da escavação”.

Já no Hospital de Santo António, “no meio do Jardim do Carregal”, foi iniciada “a escavação do túnel de via que vai em direção à Liberdade” e estão a ser terminados “dois poços que vão servir para depois escavar subterraneamente a estação (de forma a evitar constrangimentos na superfície, toda a zona do Hospital será escavada de maneira subterrânea)”.

Pronto para receber a equipa da VIVA, o engenheiro Gilberto Ferreira, começou por explicar logo na entrada da obra (da referida estação) que o túnel que vai ligar o Hospital de Santo António à estação Liberdade “cruza por debaixo do túnel de Ceuta”. Por esse motivo, “os primeiros metros de escavação estão a ser feitos com um controle superior de formações e uma vigilância mais exaustiva pelo risco que implica fazer este tipo de obras neste local em particular”. O avanço expectável é que na segunda semana de dezembro já o túnel tenha passado por baixo do túnel de Ceuta e que tudo tenha corrido dentro do planeado.

Esta estação terá dois acessos: um junto ao Hospital em frente às consultas externas; outro em frente ao instituo de medicina legal e esta “vai ser a última frente a ser aberta lá para o próximo ano”, afirmou.

Passando para a Galiza, Pedro Lé Costa, esclareceu que nessa estação se decidiu fazer escavação convencional, a céu aberto, onde já foi possível chegar ao fundo da estação e se está a fazer “o corpo” da mesma.

No local, Cristian Teixeira, adjunto do diretor de obra, frisou que foi feita uma escavação de oito metros no túnel do emboquilhamento sul, que vai em direção ao Hospital de Santo António. Por sua vez, em direção à Casa da Música, no emboquilhamento norte, estão a ser realizados “os trabalhos preparativos para iniciar o túnel”. “Demos início também às estruturas internas e estamos a colocar proteção acústica para se poder fazer trabalhos à noite”, concluiu.

Na estação da Boavista/Casa da Música II estão a “começar a escavação e rebaixar mais um nível”, para que seja possível fazer “uma laje e pôr o desvio de trânsito na Avenida de França”, indicou Pedro Lé Costa. Segue-se o “chamado método invertido que é escavar depois debaixo da laje o corpo desta estação”, sendo que “o mais urgente de momento”, é, de facto, “fazer esta laje para poder repor o trânsito na Avenida”.

Adicionalmente estão também “a implementar um projeto” que “irá permitir fazer uma ligação à nova Linha Rubi”. No futuro irão existir também duas galerias técnicas, “que vão servir para em qualquer momento durante a operação se poder injetar carruagens estando o tráfico em movimento ou fazer pequenas manutenções”, revelou.

Quanto ao avanço das obras, Pedro Lé Costa, admitiu que a estação da Galiza está numa fase mais adiantada, tendo isso que ver com os métodos construtivos, desvios de trânsito e serviços afetados.

“Na Galiza o facto de ter sido transferida para um jardim, fora da via pública, permite que se possa atacar muito mais cedo e essa é, por exemplo, uma das vantagens que já está a ser preparada para a futura Linha Rubi. Esta já tem prevista uma série de estações e conseguimos, nos estudos prévios, que essas estações ficassem localizadas em zonas com menos transtorno para o público em geral”, sublinhou o engenheiro.

Sobre as principais dificuldades encontradas ao longo da obra afirmou que têm sido os serviços afetados. “Por melhor que se tenha cadastrado as várias infraestruturas que existem no subsolo”, pelo facto de o Porto ser uma cidade muito antiga, “há coisas que é impossível prever”.

Linha Amarela

Do lado de Vila Nova de Gaia, o engenheiro Daniel Camiñas Yepes, a trabalhar na Linha Amarela, confessou que as principais adversidades estão associadas à geotecnia. Há um cuidado redobrado em relação “aos locais que estão a ser escavados, o terreno e o material usado, por exemplo, porque existem casas por cima dos túneis. Temos que garantir o suporte previsto no projeto e que não existem derrocadas”, salientou, não deixando de referir que as condições climatéricas também influenciam o avanço da empreitada.

Segundo o engenheiro entrevistado pela VIVA!, os pilares para Santo Ovídio estão quase todos prontos e está a ser agora feito o lançamento do tabuleiro. “Na primeira parte da obra, o viaduto em betão está concluído, o tabuleiro está terminado e a parte metálica do viaduto também”.

Em Manuel Leão está a ser feita a estrutura da estação, “já foi feito o poço e agora estão a começar a subir a estrutura com o betão”. Estão também “a trabalhar no poço de ventilação de emergência e está previsto ligar uma galeria até ao poço, que é relativamente pequena, tem apenas sete metros”, contou Daniel Camiñas Yepes.

Na estação Hospital Santos Silva a zona das trincheiras abertas está em curso e o próximo passo é começar a estrutura metálica desta estação. Na parte das trincheiras cobertas também grande parte está concluída. “Temos de conseguir fazer uns desvios de algumas ruas para terminarmos os módulos e ficar com todas as trincheiras cobertas prontas também”, acrescentou.

“A seguir temos uma parte de aterro que também está terminado faltando a montagem da via e por fim temos a estação de Vila d’Este. Lá estamos a fazer os muros e lajes. É outra área que estamos agora a trabalhar, mas que a meteorologia não tem ajudado muito”, relatou o engenheiro.

Disse ainda à nossa reportagem que a estação de Santos Silva é mais adiantada, visto que possui todas as fundações prontas, esperando montar a estrutura metálica.

O projeto de construção das novas estações nas cidades do Porto e Gaia tem impactado a vida quotidiana de moradores, comerciante e turistas. Contudo a esperança é de que as novas linhas sejam um motor transformador para ambas as cidades.

Os esforços para minimizar qualquer impacto acontece regularmente, muito facilitado pelo diálogo que tem sido mantido com a população. “Temos feito os possíveis para afetar o mínimo possível as pessoas e isso mesmo, obriga até, às vezes, a ajustes no projeto”, admitiu o engenheiro, Pedro Lé Costa.

Também o engenheiro Gilberto Ferreira partilha o mesmo sentimento afirmando que “todos os dias” fazem “o melhor para evitar” que os trabalhos na estação do Hospital de Santo António “sejam um motivo de queixa”.

“Esta obra está a dois metros e meio dos prédios então foram instalados meios para mitigar a influencia do ruído da obra, por causa dos trabalhos de 24 horas, de forma a permitir que os moradores não fossem tão afetados. Tentamos manter uma comunicação constante com eles e a maioria tem sido muito recetiva, inclusive os comerciantes. Uma das coisas que nós agradecemos é a compreensão que eles têm com a execução da obra”, sustentou.

Fonte da Metro do Porto reiterou ambas as declarações e afirmou que a relação com os comerciantes “tem sido ótima”.

Perante os problemas que surgem tem se “sempre tentado encontrar soluções para os mesmos”. Têm sido postas em prática algumas iniciativas “como é o caso das Galerias na Trindade [espaço para os comerciantes afetados pelas obras da Linha Rosa]” e o facto de terem “um revisor oficial de contas a estudar caso a caso eventuais indemnizações que sejam devidas aos comerciantes”.

A mesma fonte da empresa reconheceu ainda que este tipo de empreitada, por ser muito complexa, não se faz “sem algumas perturbações”, mas apelam “à compreensão das pessoas e dos comerciantes em especial”.

Estação São Bento/Liberdade
Estação São Bento/Liberdade
Hospital de Santo António
Hospital de Santo António
Hospital de Santo António
Hospital de Santo António
Engenheiro Gilberto Ferreira
Galiza
Galiza
Galiza
Galiza
Cristian Teixeira, adjunto do diretor de obra
Casa da Música II
Casa da Música II
Casa da Música II
Casa da Música II
Casa da Música II
Pedro Lé Costa, engenheiro responsável Linha Rosa
Viaduto de Santo Ovídio
Viaduto de Santo Ovídio
Engenheiro Daniel Camiñas Yepes
Manuel Leão
Manuel Leão
Manuel Leão
Santos Silva
Santos Silva
Santos Silva
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