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“Mar, Movimento e Cultura” dão corpo a estratégia de Matosinhos

“Mar, Movimento e Cultura” dão corpo a estratégia de Matosinhos

“Se eu disser que a estratégia de Matosinhos é M2C, quem não estava a prestar atenção agora está curiosíssimo para saber o que quer dizer. Eu traduzo: significa ‘Mar, Movimento e Cultura’”, explicou Guilherme Pinto, na apresentação do livro “Blogue do Clube dos Pensadores”, realizada no Tryp Porto Expo, em Matosinhos.

O presidente da autarquia foi um dos convidados para mais um debate do clube fundado por Joaquim Jorge, autor da obra apresentada. Durante cerca de vinte minutos, Guilherme Pinto destacou a importância dos programas que envolvem a comunidade, de modo a mostrar às pessoas as mais valias do concelho. “Inventámos agora um movimento, que se chama “Agitar Matosinhos”, porque a minha perceção é a de que a maior parte dos cidadãos vive à margem do que se vai fazendo”, notou, contando que muitos estudantes ainda não sabem o que é, por exemplo, o Constantino Nery, “a principal sala de espetáculos de Matosinhos”. “Muita gente vive no desconhecimento e pede coisas que estão mesmo ao lado, apenas porque não sabe que elas existem”, lamentou o autarca.

A fuga aos “buracos negros da energia coletiva”

Com a fórmula “M2C”, Guilherme Pinto pretende provar aos portugueses que é preciso apostar no que cada cidade tem de único e “esquecer o mito de que Portugal está na cauda da Europa”. “Há gente que, sentada à mesa do comentário, diz que nunca vai acontecer nada de positivo, que nada vai mudar e que vai estar sempre tudo pior. Mas, a verdade é que foi sempre tudo mudando e que hoje, qualquer comparação com aquilo que acontecia no passado, é pura coincidência”, salientou. O presidente da câmara de Matosinhos entende, assim, que, enquanto não houver uma atitude mais positiva, será difícil o país afirmar-se. “Eu não conheço ninguém que consiga fazer um projeto de sucesso estando permanentemente a pôr-se em causa e a duvidar das suas próprias capacidades”, apontou.

Economia do Mar

No exercício de descodificação da fórmula estratégica de Matosinhos, o mar é o primeiro elemento a merecer destaque. “Nós já descobrimos a Economia do Mar há seis anos e temos uma estratégia que tem a ver com a sua valorização em todos os aspetos”, revelou Guilherme Pinto, mencionando a requalificação da orla costeira e o programa gastronómico “único” – Mar à Mesa. “Hoje, toda a gente sabe que comer peixe é em Matosinhos”, acrescentou com satisfação.

O autarca lembrou ainda que Portugal tem a maior Zona Económica Exclusiva da Europa e que, “se pensarmos que hoje, e no futuro, a maior parte do comércio internacional se faz via Atlântico (…) ficaremos a perceber que Portugal está no centro do mundo”. “Está no centro da logística, que é decisiva para as sociedades. Ora, a logística temos nós em Matosinhos – o Porto de Leixões”, referiu, garantindo que a estrutura está a integrar-se na cidade “de uma forma cada vez mais harmoniosa”. Guilherme Pinto apontou também a importância da ciência na tarefa de exploração das riquezas do mar. “E nós também nos empenhámos e vamos conseguir ter aqui o pólo de Ciências do Mar da Universidade do Porto, que vai liderar o aproveitamento dos recursos marinhos num futuro próximo”, sustentou.

Atividade económica e cultural

Outro elemento contido na fórmula diz respeito ao “Movimento”, que, tal como explicou o autarca, significa “atividade económica”. “Vamos ter a SIC, somos a terra do “Magalhães”, da Efacec, da Optimus, enumerou. Por outro lado, defendeu também que o concelho já é conhecido pela sua atividade cultural, “quer seja através da música clássica, quer no Constantino Nery, quer seja na presença próxima da maior coleção de arte espanhola que vai estar em exibição permanente em Matosinhos”.

Por fim, Guilherme Pinto referiu que “Matosinhos é a porta de entrada para o norte e para a Área Metropolitana do Porto (AMP)”, afirmando lamentar a ausência de um maior entendimento entre as autarquias. “Tenho pena que, em conjunto, Porto, Gaia e Matosinhos não consigam criar sinergias suficientes para que esta estratégia seja mais aprofundada”, afirmou.
“Nós passamos muito tempo a falar de Lisboa, mas esquecemo-nos de tratar daquilo que é nosso. Por exemplo, muita gente utiliza o comboio em Campanhã e não existe um parque de estacionamento, uma gare central para acolher as pessoas. Vamos pela VCI e o que temos é um descampado, um terreiro miserável, onde não se pode estacionar o carro, e umas acessibilidades indignas de uma região que devia dar dignidade ao transporte ferroviário”, criticou o presidente da câmara.

Guilherme Aguiar, responsável pelo pelouro do desporto na autarquia de Matosinhos, foi outros dos convidados de Joaquim Jorge, salientando o bom entendimento com o executivo PS e o trabalho dos vereadores na defesa do bem estar dos cidadãos. Já no período dedicado ao debate, e no seguimento de uma questão colocada na plateia, o vereador teve oportunidade de falar sobre a corrupção, defendendo tratar-se de um fenómeno global, não apenas ligado ao universo do desporto.

O autor do livro “Blogue do Clube dos Pensadores”, Joaquim Jorge, defendeu a necessidade de uma “nova política para o século XXI”. “É preciso políticas baratas. Deixem-se de carros, de benesses. Não é ir a um bairro social de uma pobreza brutal com um carro de 100 mil euros, isso é ofensivo”, notou. O fundador do clube de reflexão aproveitou ainda para deixar um apelo aos autarcas presentes no debate. “Não se esqueçam de São Mamede de Infesta, que parece “Trás-os-Montes” de Matosinhos”, notou, acrescentando que a freguesia “continua a não passar de uma aldeia de cimento”.

Mariana Albuquerque

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