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Mafalda Veiga: A guitarra como “instrumento de experimentação”

Mafalda Veiga: A guitarra como “instrumento de experimentação
Mafalda Veiga vive e respira música. Deu para constatar na conversa que mantivemos com a artista no Museu FC Porto, a propósito do evento “Dar Letra à Música”, realizado no passado dia 19 de janeiro. Paixão, sinceridade e liberdade são conceitos que povoam o percurso desta cantautora, numa carreira que já caminha para os 30 anos.

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Parece que foi ontem. Mas Mafalda Veiga completa este ano 30 anos de carreira, data que merece “balanços” e, naturalmente, “comemoração”.
A artista viajou com a Viva cruzando neste percurso, de certa forma cronológico, as áreas pessoal e profissional.
Mas vamos às origens de Mafalda Veiga. Sempre entusiasta pelas artes, interessou-se desde muito cedo pela escrita, pintura e, claro, a música. Sempre a música. A influência familiar foi muito importante. Desde uma avó pintora a um tio fadista.
“Não sei determinar um periodo. Quando era miúda escrevia imenso. Inventava histórias. Tive sempre membros da familia ligados à música. O meu tio Pedro, por exemplo,  foi um guitarrista de fado muito interessante. Ele ensinava-me fados quando tinha 8, 10 anos. Por isso, a música fez sempre parte das minhas memórias, surgindo naturalmente”, começa por explicar Mafalda Veiga.
“O que eu sabia era que faria qualquer coisa ligada às artes. Mas era uma dúvida que eu tinha: o que seguir em concreto. Os professores tiveram um papel importante. Acho que um professor marcante acaba por nos direcionar e eu tive professoras de português muito estimulantes. Depois, comecei a tocar guitarra aos 11 anos. O meu tio ensinou-me”, justifica.

mafalda_veiga“Não sou uma instrumentista”
“E comecei a compor, na altura em inglês. Nunca fui muito estudiosa. Não sou uma instrumentista. Aprecio a guitarra como instrumento de experimentação. Mais tarde comecei a compor em português. A primeira canção que compus em português deveria ter uns 17 anos. Refiro-me ao tema ‘O velho’. E ficou cada vez mais frequente compor. Até que acabou por ser um caminho”, remata a cantautora.
Tudo despoletou muito rápido. O registo “Pássaros do Sul”, de 1987, ficou para a história. O sucesso foi imediato e tudo se desenrolou muito rapidamente.
“Eu na altura estava na faculdade.Tinha um amigo que se interessava imenso por música e que ajudou, na altura, a contactar músicos para fazer umas maquetes. Eu não estava assim, ainda muito virada. Estava a estudar na altura. E esse amigo é que se propôs a levar o material às editoras. Foi muito querido ter feito isso, pois acabei por assinar com a EMI” .
Com uma paixão visivelmente assumida pela profissão, Mafalda Veiga assume o papel importante do registo “Tatuagens” (1999) para a sua carreira.
“Foi o disco que mais gostei de compor. O tema “Cada lugar teu” marcou muito as pessoas. Trata-se de um tema que as pessoas cantam e vivem muito, do princípio ao fim. E contam histórias pessoais relacionadas com essa música. Pois esse tema acompanha momentos importantes das suas vidas E isso é muito importante e muito gratificante”.
Outro acontecimento marcante foi, em pleno Euro 2004, quando Mafalda teve a oportunidade de fazer a primeira parte da também icónica Suzanne Vega.
“Fazer a primeira parte de Suzanne Vega também foi muito engraçado. Foi o dia de um jogo  importante e nós vencemos a Inglaterra. Foi mesmo incrivel. Lembro-me que entramos com a bandeira de Portugal. Estavamos super felizes. Havia um grande écran. O público estava a assistir ao jogo e depois tinha os concertos. Havia milhares de pessoas a assistir aos concertos. E foi ótimo. Mas a parte que me lembro mais em relação à Suzanne Vega são os bastidores. A Suzanne Vega é extremamente acessível e simpática. Estivemos a conversar imenso. Ela é extraordinária. Uma grande compositora”, resume.
Quanto a projetos mais recentes temos a “Praia” de Mafalda. Algo muito luminoso que nos traz, essencialmente, as “coisas boas da vida”. Mas não só.
“Não acho que tratar de temas do quotidiano seja redutor. Julgo que o quotidiano está repleto de pequenas coisas que têm uma profundidade muito grande e outras nem por isso. Acho que o disco ‘Praia’ tem essas duas vertentes. Eu sinto que é o disco em que me exponho mais como pessoa, com as caraterísticas que eu tenho como pessoa”, completa Mafalda Veiga.
”Acho que os outros trabalhos talvez tenham uma vertente mais literária. Há canções que escrevi com mais humor, outras com mais ironia. Por exemplo, o tema ‘Insónia’ é completamente irónico, sobre o que eu sinto sobre as insónias que é algo que eu tenho sempre. O ‘Olha como a Vida é Boa’ tem um lado divertido de olhar para a vida e para determinadas imagens que uso na canção”, esclarece.
“Sem dúvida que é um disco onde eu queria centrar-me no que me fizesse feliz. Também tenho um fado, que é talvez a canção mais profunda do disco e, no entanto, é uma coisa quotidiana. São os barcos que entram e saem de Lisboa que se traduz no rio e relação que temos com esta realidade”, explica Mafalda Veiga.
Liberdade é o conceito chave deste registo. “Este disco é mais livre e mais solto. Liberdade pode ser mesmo a palavra-chave do registo. É que às vezes quando se grava um disco, nem sempre se consegue acabar conforme se idealizou. E às vezes no estúdio a cantar, não consigo transmitir o que queria. Eu estava com muita vontade de chegar ao fim das gravações e ter as músicas cantadas com a mesma emoção com que as escrevi. É precisamente isso que vou tentar fazer nos espetáculos também”, assegura.                         
Para quem não teve a oportunidade de assistir ao “Dar Letra à Música” no Museu FC Porto, tem sempre o concerto na Casa da Música a 8 de março. Lá estaremos.

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