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Junho, mês dos Santos Populares

Junho, mês dos Santos Populares

No mês em que se festejam os Santos Populares, a VIVA! quis descobrir a origem destas celebrações.

Festejado pelos portuenses a 24 de junho, o S. João, apesar de oficialmente se tratar de uma celebração católica, destinada a comemorar o nascimento de São João Batista, tem na verdade origem pagã.

A fertilidade, o solstício de verão, as colheitas e a abundância eram o motivo do festejo dos pagãos. A Igreja, tal como fez com outras festas pagãs, cristianizou esta festa destinando-lhe como padroeiro S. João.

Assim, tendo em conta a origem pagã desta festa, na sua origem, uma das principais tradições era a utilização dos alhos-porros e ramos de cidreira e limonete.

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Os alhos-porros eram um símbolo fálico da fertilidade masculina, usados pelos homens para acertar nas cabeças dos que por eles passassem. Já as mulheres recorriam aos ramos de cidreira e de limonete, símbolo dos pelos púbicos femininos.

Os balões de ar quente, que enchem o céu de luzes em noite de S. João estão também inseridos numa prática de culto pagão ao sol e à luz. E as cascatas, que começaram por aparecer no século XIX, têm no Porto o seu mais famoso concurso.

Ao longo dos anos, as festividades do S. João começaram a integrar novas tradições, entre elas a utilização dos martelos. Estes foram inventados em 1963 por Manuel Boaventura, industrial do Porto.

O objetivo era criar mais um brinquedo para o negócio, mas, nesse ano, Manuel Boaventura optou por oferecer vários martelos azuis e brancos aos estudantes durante a semana da Queima das Fitas, em maio. A moda pegou de tal forma que, passado um mês, os martelinhos já estavam nas ruas na noite de S. João, o que se manteve até aos dias de hoje.

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Quanto às fogueiras, de origem europeia e também parte da antiga tradição pagã de celebrar o solstício de verão, foram substituídas pelo emblemático fogo-de-artifício.

Num outro concelho do distrito do Porto, nomeadamente na Póvoa de Varzim, o S. Pedro é celebrado em cada bairro como se fosse a única festa do mundo. A noite mais longa do ano para todos os poveiros e visitantes acontece de 28 para 29 de junho, onde é possível sentir o cheiro a sardinha assada em cada rua e o som da música popular portuguesa ecoa.

Para percebermos a origem desta celebração temos de recuar ao ano de 1962, época em que as festividades “ressurgiram”, depois de um período de interrupção de 60 anos.

Importa, assim, referir que já no século XIX se celebrava o S. Pedro no Bairro da Lapa (atual Bairro Sul). Em 1892 um terrível naufrágio abalou toda a comunidade poveira e os próprios festejos dos Santos Populares.

O luto instalou-se, tendo perdurado por longos anos, em que os casamentos passaram a ser feitos de negro e todos os restantes festejos, fossem populares ou religiosos, deixaram de se viver nesta cidade.

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Em 1962, o então presidente da Comissão Municipal de Turismo, José de Azevedo, teve a ideia de dar um cariz solidário à noitada de S. Pedro, onde as pessoas deveriam “abrir” as portas de suas casas, partilhando as sardinhas com quem passasse e quisesse comer.

A parte cultural também estaria integrada no programa das festas, constituído por um espetáculo de teatro ao ar livre, pelo festival da canção poveira, pela criação de uma nova marcha popular todos os anos e pelas rusgas populares (um conjunto de pessoas que desfilam pela cidade, sendo que cada uma possui a sua própria marcha).

No que toca à componente religiosa da Festa, foi realizado um Cortejo Religioso que incorporava uma imagem de S. Pedro. O Cortejo saiu da Igreja da Lapa e terminou o seu percurso no Castelo, onde foi realizada uma missa.

Esta primeira edição da Festa de S. Pedro foi um enorme sucesso, uma vez que se procurou identificar profundamente o espírito dos poveiros, exaltando muito do seu trabalho, das suas origens e da sua religiosidade.

Ao longo dos anos os programas de festas foram cada vez mais enriquecidos, tornando-se mais vastos, englobando não só uma componente religiosa e popular, mas dando, cada vez mais, lugar a atividades culturais, recreativas e desportivas.

A noite de 28 continua a ser um dos pontos principais desta celebração e na Póvoa todos saem para visitar os bairros e admirar as iluminações, decorações, bem como os tronos que evidenciam a imagem do Santo e as cores de cada bairro.

A festa prolonga-se madrugada dentro pelas ruas da cidade, onde também se apreciam as rusgas a dançar e os seus trajes.

Durante o dia seguinte, 29 de junho, decorrem as festividades religiosas na Igreja da Lapa e a Procissão dos Santos Populares, que constituem o momento mais importante desta festa.

Quanto às Festas de Santo António, este é um santo mais comemorado na zona Sul do país, no entanto, também o Norte lhe dedica bastante importância.

A celebração deste Santo, a 13 de junho, tem também origem pagã, onde era assinalada a expulsão do inverno e o surgimento da primavera, o ciclo natural da fecundidade dos solos e da aproximação das colheitas.

Na altura era, então, necessário afastar as secas, as doenças e a esterilidade com rituais e sacrifícios e o homem e a mulher tinham uma relação mais direta e íntima com a Natureza.

Santo António, protetor dos marinheiros e das raparigas casadoiras, começou por se chamar Fernando de Bulhões tendo alterado para António. Sendo um excelente pregador, a sua missão evangelizadora e os seus muitos milagres valeram-lhe um culto popular que se intensificou nos séculos XV e XVI.

Existem várias teorias ligadas à origem deste Santo casamenteiro e uma delas é contada na Biografia do Santo do Amor. O autor, Fernando Nuno, relata o caso de uma jovem devota que foi ter com frei António, pedindo-lhe ajuda para casar com o seu vizinho Filipe, contudo a família da rapariga era pobre e não tinha dinheiro para o seu dote (antigamente atribuído aos pais do noivo).

Enternecido, Santo António ter-lhe-á dito que o melhor era colocar o assunto nas mãos de Deus, mas decidiu, daquela vez, não distribuir os donativos arrecadados junto dos fiéis. Assim que reunido o valor suficiente atirou-o, dentro de uma bolsa, para o quarto da rapariga, juntamente com um bilhete que dizia “este é o dote que permitirá à noiva casar-se”.

A Câmara Municipal de Lisboa, seguindo a tradição de ajudar casais a subir ao altar, organiza, todos os anos, os casamentos de Santo António para todos aqueles que não têm possibilidade de pagar a cerimónia.

Nos dias de hoje, em Vila Nova de Famalicão, as Festas Antoninas mobilizam todo o concelho e chamam à cidade milhares de turistas. A festa dura a noite toda e, um pouco por toda a cidade, há música, bailaricos e arraiais populares.

As marchas populares são um dos pontos altos das festas, onde um grandioso desfile alegórico atravessa o centro da cidade até ao estádio Municipal, espalhando cor e alegria pelas ruas, numa animada e saudável disputa entre as diversas associações do concelho.

Estas celebrações são também das crianças, que protagonizam um dos momentos mais bonitos do evento, com as Marchas Infantis. A música é também um dos pontos fortes das festas de Vila Nova de Famalicão, com a presença de grandes nomes da música nacional.

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