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GUIdance desafia Guimarães

GUIdance desafia Guimarães

Do lado dos protagonistas do evento estão conceituadas companhias nacionais e internacionais, como a Australian Dance Theatre, que se estreia em Portugal com uma “experiência tridimensional intemporal” que conjuga dança, música, palavra, vídeo e arquitectura.

dance2De acordo com José Bastos, director artístico do CCVF, o festival “pretende propor novas práticas, novos modelos de colaboração, novas formas de apresentação e novas formas de apropriação”. Esta noite, às 22 horas, o desafio é no feminino. As intérpretes e criadoras Amélia Bentes e Leonor Keil apresentam “Mapacorpo”, num cruzamento entre a dança e o desenho digital. Este trabalho representa, nas próprias palavras de Amélia Bentes, “um lugar secreto, onírico, da nostalgia do particular, do impreciso, indescritível”, onde, partindo de um jogo de cumplicidades, o corpo adquire um papel central.

No sábado, o GUIdance promete um momento especial com o espectáculo “Rosas danst Rosas”, de Anne Teresa De Keermaeker, que marcou o início da companhia Rosas. Criada há mais de 30 anos, a performance é hoje considerada um clássico da dança contemporânea e conjuga a rapidez de movimentos com a sua lenta desmultiplicação. “Durante vinte minutos, a respiração de quatro bailarinas marca o ritmo de gestos que a rotina conhece de cor e que é marca de uma submissão de género que a intensa luta da modernização provoca. E é nesta sucessão de movimento que somos levados a inscrever as nossas emoções”.
O espectáculo de Anne Teresa, que é conhecida pela reacção que consegue despertar no público, promete, assim, opor a liberdade expressiva do corpo, característica do modernismo na dança, a uma rotina “levada à exaustão”.

dance4O programa do festival prossegue nos dias 16 e 17 de Março com uma criação coreográfica assente na “procura da beleza”. O espectáculo “Entre todas as coisas”, de Teresa Prima, é a segunda produção do Projecto B – trabalho de pesquisa, experimentação, sensibilização e criação movido pela busca do belo.
De referir que estes artistas já estão familiarizados com os palcos de Guimarães. Em Setembro de 2010, o Centro Cultural Vila Flor apresentou o primeiro espectáculo do projecto, “na terra a olhar o céu” e realizou oficinas para crianças, jovens e adultos que resultaram na criação de pequenos grupos de trabalho que ainda hoje desenvolvem as suas pesquisas.

Ainda no dia 17, às 22 horas, Olga Roriz apresenta duas performances. Na primeira parte do espectáculo, a artista realizará o solo “Electra”, criação inspirada na mitologia clássica e que acentua uma transversalidade dos temas clássicos. Na segunda parte, a coreógrafa propõe “A sagração da Primavera”, que a própria define como “um risco, um precipício no abismo” ao qual “loucamente” se lançou “com toda a paixão”. Trata-se de uma das mais importantes obras sinfónicas do século XX, de Igor Stravinsky, que estreou em Paris, em 1913, e agitou o mundo da música e da dança.
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No dia seguinte, o palco do pequeno auditório do CCVF será de Lígia Soares, que apresenta o solo “Ar ao Vento”, e de Andresa Soares, protagonista de “Era uma coisa mesmo muito abstracta”.
A primeira coreografia alimenta-se da palavra como ferramenta de pensamento abstracto. “A intérprete, sentada, enceta um ‘diálogo’ com o público. Dá-se início a um jogo de palavras que parece inverter o papel entre o palco e a plateia, a performance e o espectador”, conta o CCVF em comunicado.
Em “Era uma coisa mesmo muito abstracta”, Andresa Soares desafia o mundo da abstracção “através do movimento pensado a cada momento”.

A primeira edição do GUIdance termina no dia 19 de Março com “Babel (Words)”, de Sidi Larbi Cherkaoui e Damien Jalet, espectáculo que explora a linguagem e a sua relação com a nacionalidade, a identidade e a religião. A performance parte da lenda da Torre de Babel (na qual Deus castiga os que construíram uma torre em seu nome, semeando o caos e separando-os em diferentes línguas e culturas) e nasceu logo num primeiro dia de ensaios quando 18 bailarinos de 13 países, 15 línguas diferentes e sete crenças religiosas se juntaram “numa nova viagem”. O trabalho promete, assim, conquistar o público com uma “virtuosidade acrobática”, um “ecletismo de estilos” e uma “energia inesgotável”.

Mariana Albuquerque

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