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Gaia: Cidade de Cultura

A agenda de atividades do município, que integra, a título de exemplo, concertos no Auditório Municipal, ciclos de atuações no Cine-Teatro Eduardo Brazão e conferências organizadas com base no trabalho do Arquivo Municipal de Gaia – Sophia de Mello Breyner, tem esgotado salas, conquistando um número crescente de pessoas. De acordo com Mário Dorminsky, vereador da Cultura da Câmara Municipal, os “resultados, muito positivos,” são fruto da conjugação de “produtos culturais novos” com a dinâmica desenvolvida nos últimos anos.

cult_gaia1Há seis anos, Gaia não tinha equipamentos para eventos culturais
“Quando cheguei a Gaia, encontrei uma cidade sem cultura urbana. Existia cultura ligada ao movimento associativo, mas a cidade, em si, não tinha nada”, afirmou, em declarações à Viva, referindo apenas a ação do Teatro Experimental do Porto (TEP) e a realização de um festival de Blues.

A inexistência de espaços com capacidade para a realização de eventos foi um dos grandes problemas identificados pela autarquia. “Tivemos algumas dificuldades para ‘desinstalar’ o TEP do Auditório Municipal, uma vez que precisávamos daquele local pelos seus 370 lugares”. Para contornar a situação, foram ainda criadas “tendas de circo” para a concretização de alguns eventos. “Além disso, tentávamos aproveitar o verão para ações ao ar livre, rezando para que não chovesse”, afirmou Dorminsky, entre gargalhadas.

De 300 para três mil visitantes
Com as transformações realizadas na cidade “nos últimos anos”, o vereador da Cultura explicou que o objetivo da autarquia passou a ser o de mostrar às pessoas que já existiam equipamentos e eventos culturais dos quais podiam desfrutar. “Na primeira fase, tínhamos maior adesão de pessoas de fora de Gaia do que de gaienses. Hoje em dia, as tendências inverteram-se completamente: 80% das pessoas que se deslocam aos eventos culturais são de Gaia e 20% de fora da cidade”, descreveu, acrescentando que, se há seis anos se organizavam atividades para “300 ou 400 pessoas”, hoje, os eventos culturais recebem três ou quatro mil visitantes.

cult_gaia2“Não repetimos os eventos culturais do Porto”
À conversa com a Viva, Mário Dorminsky adiantou que uma das estratégias utilizadas no desenho da programação cultural é o cuidado para que se trabalhem “áreas complementares” às que são exploradas no Porto. “Não repetimos. Queremos ter espetáculos em primeira mão”, referiu, exemplificando com o concerto de Teresa Salgueiro, agendado para o dia 12 de abril, no Cine-Teatro Eduardo Brazão, durante o qual a artista vai apresentar o seu novo CD.

Segue-se, a 10 de maio, a atuação de Né Ladeiras que, para o vereador, representa uma boa oportunidade para os visitantes desvendarem um local pouco conhecido. “O cine-teatro é um espaço lindíssimo, cujas paredes estão revestidas por esculturas de José Rodrigues”, relembrou Dorminsky, afirmando que as pessoas ainda desconhecem alguns dos locais de cultura que Gaia tem. “Antigamente, as pessoas utilizavam muito a expressão – ‘vamos a Marrocos’ – quando tinham de atravessar a ponte. Hoje, Gaia já não é Marrocos. Tem praias fabulosas, preocupamo-nos com a criação de espaços verdes, o que equilibrou muito a parte central da cidade”, notou, lamentando que ainda se desconheça a “grande escola de dança” Ginasiano, assim como o Teatro de Ferro, “que organiza o festival de teatro de marionetas”. “Eu próprio associava as Caves do Vinho do Porto à cidade do Porto, sendo que são de Gaia”, confessou o vereador.

“Conta-me Histórias”, uma aposta na cumplicidade entre artistas e visitantes
Muito vocacionado para a criação de laços entre os artistas e o público está o programa “Conta-me Histórias”, que parte de uma entrevista feita por um jornalista a cantores portugueses, à qual se segue um concerto de cerca de uma hora. A intenção do projeto é, segundo Dorminsky, que os artistas “se dispam daquilo que é a sua imagem pública”, aproximando-se dos cidadãos. Depois e Manuela bernardoAzevedo e de Rita Redshoes, o Auditório Municipal receberá Mafalda Veiga, no dia 20 deste mês. Algodão/Pac Man (4 de maio) e Bernando Sassetti (18 de maio) vão também marcar presença no Cine-Teatro Eduardo Brazão, além de estarem também confirmados os concertos de Luísa Amado (mulher de Carlos Paredes) com Victor de Sousa, no dia 1 de junho, no Corpus Christi, Mazgani, a 14 de junho, e Old Jerusalém, no dia 22 de junho, nos jardins da Casa Barbot.

Casa da Cultura com seis exposições de artes plásticas
Ainda que tenha vindo a perder força, tendo em conta os cortes orçamentais, segundo Dorminsky, as artes plásticas continuam a ter um lugar de destaque na agenda cultural de Vila Nova de Gaia. “Durante quatro anos, tivemos exposições dos maiores nomes da pintura nacional. Agora temos nomes importantes, mas as exposições são mais reduzidas”, lamentou, explicando que “é necessário pensar no retorno financeiro”.

Ao longo de 2012, a Casa Barbot é palco de seis exposições de artes plásticas que pretendem “aproximar a arte do público em geral”. Maria Manuela Mendes da Silva abriu o ano com uma exposição de pintura chamada “Tempos”. Até ao final de abril, é possível conhecer os “Silêncios” de Maria Dulce Barata Feyo, que foi discípula de Dórdio Gomes e Júlio Resende. Para maio e junho está programada uma luis_represasexposição baseada nos trabalhos de ilustração de Elsa Lé. Nos dois meses seguintes, a Casa da Cultura vai receber os trabalhos do escultor Paulo Neves, numa mostra denominada “Meandros”.

Ainda que os cortes no orçamento tenham criado dificuldades ao setor cultural, Mário Dorminsky adiantou que, este ano, a autarquia espera “recuperar 60% do investimento realizado”. “Isto não é feito através de patrocínios, mas com parcerias junto de empresas, artistas plásticos e pessoas da literatura”, mencionou, realçando uma vez mais que todos os eventos, quer da área da música, saber e artes plásticas, têm estado absolutamente esgotados. “Já temos concertos para abril e maio completamente cheios”, notou, destacando aqui a importância do passaporte cultural, já utilizado por 50 mil pessoas, que permite a obtenção de descontos nos eventos realizados nos diversos equipamentos culturais.

Mariana Albuquerque

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