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Festival do Livro

Festival do Livro
Devaneios poéticos ao ritmo de um carrossel

Serão momentos descontraídos que prometem “encantar as mentes e o coração” de todos aqueles que não tiverem medo de alinhar na aventura de um livro. Entre os dias 13 e 22 de dezembro, o Bairro dos Livros (que dinamiza, no segundo sábado de cada mês, uma série de ações culturais e artísticas) vai contagiar dois espaços portuenses – o Mercado do Bom Sucesso (MBS) e o Edifício Montepio, na Avenida dos Aliados – com a “magia” de um festival onde o principal desafio é ser bairrista.

Promovido pela Cultureprint, (através do referido projeto) e realizado em parceria com a sociedade do MBS e a Câmara Municipal do Porto, o evento funcionará como “um espaço de convívio e de boa conversa em torno dos livros”. Assim, para além de apostar numa “oferta livreira invejável”, proporcionada por livrarias independentes, alfarrabistas, editores e espaços livreiros especializados, em jeito de feira, a iniciativa integrará uma programação cultural reforçada. “Tanto a feira como o programa cultural de ambos os espaços que acolhem o Festival do Livro são marcados pela informalidade e pela recriação de uma atmosfera de Bairro que põe em contacto público e artistas, escritores e leitores. No Festival, somos todos Bairristas”, explicaram as organizadoras Minês Castanheira, Isabel Rocha e Catarina Rocha.

fest_liv2E é neste espírito de troca de ideias, histórias e experiências que o evento do Bairro dos Livros pretende cumprir o seu grande objetivo: “celebrar o Livro e promover a Leitura”. A abertura de novos horizontes aos artistas emergentes é outras das metas assumidas pela Cultureprint. “O programa cultural vem trazer uma oferta diversificada ao público portuense, servindo de montra a muitos artistas, associações, companhias, grupos e coletivos artísticos que, de outra forma, não teriam esta visibilidade”, sublinharam as responsáveis. Para além disso – acrescentaram – “a presença das livrarias da cidade, editores, livreiros, alfarrabistas e outros espaços especializados a preços de feira cria oportunidades fantásticas para o consumidor de livros, que garante, não raras vezes, um feroz apoio à sobrevivência destes agentes do comércio tradicional”.

fest_liv5Fazer do Porto “uma grande cidade dos livros”

A contar com o apoio da autarquia local (através da Porto Lazer) e do renovado Mercado Bom Sucesso, o Festival do Livro encontrou a oportunidade certa de chegar a “dois corações simbólicos” da Invicta. “Achamos muito interessante a ideia de fazer do Porto uma grande cidade dos livros, durante o mês de dezembro, com os dois centros da cidade – os Aliados e a Boavista – em rede com uma boa oferta de atividades culturais e também uma diversificada oferta em termos de obras literárias”, realçaram.

O programa está, neste momento, a ser ultimado, mas diversão é, segundo a equipa, um ingrediente já assegurado. Tudo isto porque “Ler é um carrossel”, como avança o lema do evento. Porquê? “Bem além da analogia mais óbvia que o tema permite, que é o de associar o prazer da leitura a um rodopio de letras cheio de diversão e sem fim à vista, há todo um lado emocional que imprimimos sempre ao ambiente do Bairro dos Livros e do Festival em particular, que é o dos Carrosséis”, esclareceram. “Esta é uma iniciativa onde todos são bem-vindos, onde as atividades para as crianças são pensadas para criar e recriar a magia da Literatura infantil e onde os adultos podem dar largas aos seus devaneios mais poéticos”, acrescentaram. E para “seguir à letra” o mote do evento, há até a possibilidade de o festival brindar os visitantes com um pequeno carrossel à entrada de um dos espaços.

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Tertúlias, concertos, leituras, oficinas e o primeiro Story Slam português

Minês Castanheira, Isabel Rocha e Catarina Rocha prometem uma programação “diversificada, divertida e interessante”. “Há tertúlias, concertos, performances, teatro, leitura de poesia, oficinas e horas do conto para os mais pequenos, apresentações de livros, debates, coros infantis, estórias improvisadas no momento, um tocador de realejo e até vendedores de palavras”, adiantaram, realçando que os eventos diários são de entrada gratuita para os mais pequenos e para os mais velhos. “Tudo com o apoio e participação da Rádio Manobras, uma rádio comunitária do Porto, que tem estado connosco desde o início”, referiram.

fest_liv3Entre os momentos altos previstos no festival, as organizadoras destacam, por exemplo, os ateliês de alimentação e literatura, em que a poesia e os livros são para comer, a pintura coletiva de um mural gigante no espaço infantil e uma grande sessão performativa de poesia e quadras a partir dos Pregões do Porto reinterpretados”. Do programa musical sublinham a presença de “dois dos mais incontornáveis nomes da música em Portugal: José Duarte e o Maestro António Victorino d’Almeida”, para além do concerto do Ensemble Juvenil de Jazz dos Gambozinos, da atuação do Coro da Associação de Pais do Conservatório de Música do Porto e da sessão de Literatura Mirandesa com direito a Gaiteiros de Miranda. E “porque a poesia também é quando nós quisermos” – o Festival do Livro receberá a performance “Natal no Carrossel”, assinada por Rui Portulez, “que ensaia um rodopio por alguns dos melhores poetas portugueses, de Fernando Pessoa a Sophia, passando por Ruy Belo, Jorge de Sena, Pedro Tamen ou Eugénio de Andrade”. “Mas há mais: debates, apresentações de livros, sessões de autógrafos e tertúlias”, enumerou a equipa.

Uma das novidades da iniciativa será a realização do primeiro Story Slam português: um concurso de contos ao vivo, com base poética, originário de Nova Iorque. Apesar da estreia da atividade em território luso, as responsáveis defenderam que já existe “uma tradição de grandes contistas e toda uma nova geração de contadores de histórias a Norte, que se especializam em contos para adultos e contos fest_liv4infantis”. O Story Slam vai reunir, no palco do evento, “alguns nomes que fazem as delícias do público, entre os quais o do conhecido ‘contautor’ Thomas Bakk”. “No fundo, trata-se de um concurso de contos que decorre ao vivo, a partir de improviso e sem um guião escrito, e que nasce com o objetivo de recuperar o imaginário desta arte e do seu enorme poder evocativo. A votação do público vai definir o vencedor, mas ganhamos todos boas histórias para alimentar a mente”, afirmaram as responsáveis.

“Estamos a criar leitores e sabemos disso”

Todos os meses, o Bairro dos Livros junta “leitores de todo o lado numa visita às livrarias em atividades no espaço público que celebram o Livro e a partilha de histórias”. Ao longo destes convívios, a Cultureprint foi-se apercebendo que, de facto, “o livro está mais vivo do que nunca e os leitores também”. “Trata-se de ligar as pessoas e de articular as redes – dos coletivos, das livrarias, dos alfarrabistas, dos editores, dos escritores – que já existem para dar visibilidade a uma área que ferve de criatividade e paixão”, explicaram. É exatamente por isso que costumam dizer que este é um “Bairro geográfico e emocional”. “Há miúdos que nunca se vão esquecer de terem levado para casa poemas dentro de seringas, quando ler foi ‘o melhor remédio’ ou de pescarem de cana em riste as histórias dobradas em origami quando ler foi ‘fixe’. E são só dois exemplos. Estamos a criar leitores e sabemos disso”, concluíram.

Texto: Mariana Albuquerque  |  Fotos: Bairro dos Livros

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