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Experiências de estrada dos “Pé na Terra”

Experiências de estrada dos

“Se é sorte ou azar só o tempo o dirá”. É com esta filosofia de vida que, Cristina Castro, Adérito Pinto, Hélio Ribeiro, Ricardo Coelho e Tiago Soares – os portuenses “Pé na Terra” – lançaram o disco “13”, que conquistou o público, de norte a sul, logo nos concertos de apresentação.

“O novo trabalho é o resultado do percurso que tivemos ao longo destes dois anos de estrada”, explicaram, à Viva, os elementos da banda, que conta já com cinco anos de “muitas peripécias” pelos caminhos da nova música tradicional. “Tivemos experiências bastante enriquecedoras, tanto em Portugal como em Itália e na Bélgica, que nos inspiraram para a criação deste CD”, esclareceram.

pe_terra_3Contrariar superstições

Se para uns, o número 13 é sinónimo de ausência de sorte, para os “Pé na Terra”, trata-se de um número “ligado ao imaginário tradicional, às histórias e estórias dos antepassados”. “Acreditamos que não é um número só de azar. Temos tido as peripécias normais que um grupo de música tem, mas pensamos que, com o nosso trabalho, transformaremos essa carga negativa”, afirmaram.
Assim surgiu o segundo álbum da banda, num cruzamento de temas tradicionais, como o “Vira dos Seis” e a “Farrapeira”, com composições originais, que transparecem o gosto do grupo pela inovação e a receptividade a outros géneros musicais como o rock, algumas vezes na sua vertente progressiva.
O novo trabalho discográfico dos “Pé na Terra” foi apresentado no final do ano passado no Hard Club, com sala esgotada. “Tivemos um público caloroso, o que tornou o concerto inesquecível. Além de termos tocado todos os temas novos, não podíamos deixar de fazer algumas surpresas e, logo a abrir, tivemos a interpretação do conto ‘se é sorte ou azar só o tempo o dirá!’, pela Ana Lage”, contaram.
A evolução do “Treze” em relação ao primeiro disco é, para os “Pé na Terra, bastante notória. “Houve um maior investimento individual que resultou numa substancial melhoria da qualidade do som final”, apontaram. Um dos aspectos que o grupo portuense quis manter foi a preocupação com a imagem gráfica. “A capa do primeiro disco foi feita em serapilheira e este novo “13” tem um formato circular e é em tecido, que tem tido uma resposta muito positiva.

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A paixão pelos concertos ao vivo

Na conversa com a Viva, os “Pé na Terra” afirmaram ser “uma banda de estrada”. “Sentimo-nos muito bem a tocar ao vivo e a viajar”, confessaram, acrescentando que “a verdadeira essência de uma banda são os concertos ao vivo”, onde as experiências vividas na estrada os enriquecem “como músicos e pessoas”.
“O contacto com o público e a reacção que ele tem aos nossos espectáculos é muito importante. Temos tido boas experiências em Portugal e no estrangeiro, onde fazemos de cada concerto um momento único”, contaram. Unidos pela música e pela amizade, os portuenses, garantem, assim, que os “Pé na Terra” em tournée são “diversão, festa, muita música e alegria”.
Transformar as dificuldades em razões para seguir em frente ainda com mais energia é outra das filosofias da banda. “Uma das nossas bandeiras é fazer chegar a música a cada vez mais gente, conseguir alterar a concepção dos portugueses em geral de que a música portuguesa de raiz está ultrapassada e não passa do sol e dó”, revelaram.

A “nova música tradicional”

Os “Pé na Terra” acreditam, assim, numa música tradicional rejuvenescida. “Bebemos da fonte directa ou indirectamente, através de recolhas efectuadas por musicólogos ou por nós mesmos, e juntamos uma pitada de todo o conjunto de influências que cada membro do grupo traz consigo”, explicaram, defendendo que, dessa mistura nasce uma nova linguagem, “mais actual, mais dinâmica e com mais força”.

Mariana Albuquerque

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