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Estudo revela que teletrabalho pode contribuir para o aumento da natalidade na Europa

Estudo revela que teletrabalho pode contribuir para o aumento da natalidade na Europa

Esta foi, talvez, uma das grandes questões que se impôs aquando do primeiro confinamento, decretado em Portugal em março e abril de 2020. Com mais tempo em casa, confinados ou em teletrabalho, será que os casais estavam mais predispostos a potenciar o aumento da natalidade?

A resposta, positiva, surge agora e convenciona-se a toda a Europa. Especialistas da Coimbra Business School (CBS) e da Universidade de Málaga, em Espanha, realizaram um estudo, a uma amostra de mais de 19 mil trabalhadores de 34 países europeus, incluindo Portugal, e procuraram saber qual a disponibilidade dos trabalhadores para aumentar a família, antes e depois do período pandémico.

De acordo com Carla Henriques, autora do estudo, antes da pandemia os profissionais admitiam dificuldade em “criar uma harmonia entre o trabalho e a vida pessoal”, apontando como principais razões o ritmo e o stress dos empregos presenciais e as deslocações entre casa e o trabalho.

“A mudança nas condições de trabalho que a pandemia veio provocar poderá ter duas consequências benéficas: aumentar o número de filhos que cada família decide ter e aumentar a produtividade de cada colaborador, por permitir que estes poupem imensas horas em deslocações, reduzam o stress e tenham uma maior satisfação global com o emprego”, sustentou a docente do CBS.

Intitulado “Getting a balance in the life satisfaction determinants of full-time and part-time European workers”, o estudo mostra também que existem algumas discrepâncias no que concerne aos trabalhadores a tempo parcial e os trabalhadores a tempo inteiro. Enquanto o primeiro grupo apresentava mais disponibilidade para expandir a família antes do aparecimento do novo coronavírus, o segundo mostrava-se mais reticente, não tendo expectativa de ter mais do que um filho.

 “Muitas vezes, para conseguirem progredir nos seus empregos e obterem uma maior progressão salarial, muitas pessoas – sobretudo mulheres – optavam por ter só uma criança ou, pura e simplesmente, decidiam não ter filhos”, alertou.

A investigadora acredita que o prolongamento do teletrabalho poderá resultar num aumento significativo da natalidade na Europa, mas também na alteração de comportamentos. “Quando a massificação do teletrabalho ainda não era a realidade diária de centenas de milhões de europeus, eram os trabalhadores a tempo inteiro que se mostraram mais insatisfeitos em todas as categorias de análise, comparativamente aos que trabalham a meio-tempo”, afirmou, sublinhando que apesar da situação destes últimos ser mais penalizadora em termos profissionais, os seus níveis de bem-estar eram superiores.

No futuro, quando os constrangimentos da pandemia forem ultrapassados, Carla Henriques acredita que será provável que muitos dos trabalhadores negoceiem com as suas empresas a possibilidade de realizarem a sua atividade profissional em teletrabalho.

A investigação em causa foi publicada no Journal of Economic Analysis and Policy.

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