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Estudo revela que seis em cada dez cuidadores informais não sabem que têm direito a um estatuto

Estudo revela que seis em cada dez cuidadores informais não sabem que têm direito a um estatuto

Mais de um ano depois de ter sido criado o “Estatuto de Cuidador Informal” em Portugal, a maioria dos cuidadores (59,1%), uma percentagem que equivale a seis em cada dez cuidadores, admite desconhecê-lo. A conclusão é de um estudo realizado pelo Movimento dos Cuidadores Informais, entre os dias 3 de fevereiro a 11 de março, com base em mais de mil entrevistas.

Intitulado “O que é ser cuidador informal em Portugal”, o estudo mostra ainda que dos 40% que têm conhecimento do estatuto, 77,2% considera-o incompleto.

“22,1% destes inquiridos definem o documento como pouco abrangente, criticando o acesso aos apoios nele definidos, que consideram muito burocrático e limitado (21,3%), apoios esses que são ainda, para 20,1%, considerados insuficientes. A falta de regulamentação e apoio na carreira profissional e contributiva do cuidador (13,3%) e a falta de apoio financeiro (9,8%) são outros dos aspetos que merecem destaque”, refere nota de imprensa enviada à VIVA!.

O inquérito avaliou também o número de dependentes que cada cuidador tem a seu cargo, constatando que a grande maioria tem apenas um dependente a seu cargo (69,7%). Contudo, existem 15,8% dos cuidadores que são responsáveis por dois ou mais dependentes.

A maioria dos cuidadores informais cuida da mãe ou do pai (51,4%), do cônjuge (18%) ou dos filhos (12,7%), sendo as principais limitações ou doenças que justificam a necessidade de cuidados as relacionadas com o foro mental e psíquico: doença de Alzheimer/Demência (32,6%), AVC (12,4%) e diabetes (6,4%). 

De acordo com o estudo, a maioria dos cuidadores (56,8%) não se encontrava preparado para assumir o papel de cuidador, consideram trazer inúmeros desafios. Entre eles, os inquiridos destacaram a falta de apoio emocional/psicológico (64,6%), de apoios relacionados com Estado (59,1%) e de apoios financeiros (51,8%).

Para 41,2% dos cuidadores, era importante a existência de uma “formação específica” em algum aspeto do processo de cuidar. 81,3% considera as respostas sociais e serviços disponibilizados “insuficientes”, realçando a necessidade de auxílio na prestação de cuidados (46,9%), apoio financeiro (39,6%) e apoio psicológico (13,5%). Por sua vez, “90,5% dos cuidadores manifestam o desejo de ter mais tempo para voltar às rotinas existentes antes de se tornarem cuidadores”.

No total, 75,4% das famílias dos cuidadores sofreram alterações na sua dinâmica/rotinas a partir do momento em que o cuidador começou a exercer essa função, com 48,7% dos cuidadores obrigados a abandonar ou alterar o seu trabalho/profissão e 87,1% a confirmarem a necessidade de descanso/férias.

“Um trabalho difícil, agravado pela pandemia, que se traduziu numa sobrecarga emocional, que teve impacto na qualidade de vida e bem-estar e na saúde mental”, considera o Movimento dos Cuidadores Informais.

Segundo refere, o número de cuidadores informais cresceu significativamente no último ano. Em 2018, apenas 8% da população era cuidador informal, enquanto em 2020 o estatuto abrange 14% da população.

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