Recheio

Alfredo Cunha 50 anos de fotografia | “Mitos Adiados” | Projeto 20, Centro Português de Fotografia

Alfredo Cunha 50 anos de fotografia | “Mitos Adiados” | Projeto 20, Centro Português de Fotografia
@ Carlos Cardoso

“Mitos Adiados”
Até 1 novembro, Centro Português de Fotografia

“Mitos adiados” é uma exposição com fotografias de autoria de Carlos Cardoso, que retratam um douro saudosista e abandonado, salientando a sua permanência nos aspectos físico e geográfico.
“Vemos o Douro com o olhar dos fotógrafos pioneiros: a magnificência dos socalcos descendo em ondas suaves até ao rio, as pontes e os túneis de Emílio Biel, o trabalho da vinha e a vindima do seu aprendiz, Domingos Alvão, as mimosas ou as amendoeiras em flor do turismo do Estado Novo. Quando a cor chegou, as tonalidades sobrepostas do ouro dos solstícios e os vermelhos velhos. Este foi e é o Douro mítico, com os rabelos guiados por marinheiros, a descerem em fila até ao cais, as pipas rumo aos armazéns de Gaia.
Este Douro permanece nos postais e nos panfletos de publicidade. Carlos Cardoso, ano a ano, reconstruiu o Douro de hoje, mantendo a realidade das suas permanências e mudanças, a preto e branco, entre a memória das imagens e o seu significado, que só o contraste da sombra e da luz permitem clarificar. (…)
Então, porque se trata de um olhar fotográfico, uma nova coleção de imagens transforma o abandono, o desleixo e o desalento em belas imagens de vestígios, de signos impuros de uma pura saudade.
Define-se uma unidade visível entre as brechas nas lâminas de xisto, na sua ilusória solidez e as construções que falam dos níveis técnicos da cultura do homem. Ambas se esboroam, se cobrem de ervas daninhas, se rasgam sob o impulso vital das árvores: ambas falam de um pretérito e de um presente em mudança. As camadas de xisto desmantelam-se como as linhas do caminho de ferro, definindo novas camadas de chão. As estações abandonadas, criadas para afirmarem o seu portuguesismo, são invadidas pelo mato e pela desolação. Por vezes cruzam-se os dois mundos do velho recente e do novo, na geometria dos equipamentos, mas sempre, sempre a geometria maior são os montes que reduzem a mera cicatriz a estrada que os rasga.
Este Douro construído, marcado e sofrido está condenado a ser um deslumbramento.
O ondulado matricial das serras é aprofundado com as linhas concêntricas e as verticais muito brancas dos patamares; os precipícios, os xistos estrelados de luzeiros, a estrada real do rio tornaram-se sistemáticas apropriações do homem. Mas um miradouro das alturas, um banco de descanso repintado, as quintas multiplicando a qualidade do vinho são outras respostas ao que a Natureza oferece ou nega: a Natureza é indiferente ao homem, indiferente a si, como conceito. A tensão entre o espírito crítico e a saudade ou a procura da beleza são coisas do homem. É disso que falam estas imagens”. Maria do Carmo Serén

Projeto 20 – Finalistas de fototografia ESMAD/P.Porto
Até 8 novembro, Centro Português de Fotografia

Se a função da teoria é explicar e enriquecer o entendimento que temos das imagens, também há nos processos da fotografia, uma ‘erótica’ da experimentação e da prática que desafia as teorias, que não poderemos explicar, mas sentir, como Susan Sontag nos sugere.
A arte “convida à reflexão, mas escapa a qualquer pensamento definidor sobre o seu conteúdo”, como escreveu Henk Borgdorff no seu estudo sobre investigação académica através da prática artística. Será a dimensão sensorial que estará acessível nesta exposição, que reúne os trabalhos finais de doze estudantes da Escola Superior de Media, Artes e Design do Politécnico do Porto e de uma estudante convidada, finalista da Karel de Grote Hogeschool, em Antuérpia. (Foto: © Sofia Pacheco)
Exposição de fotografia (mostra coletiva)
Ana Alves | Beatriz Chaves | Beatriz Lopes | Dulce Barros | Francisca Brandão | Helena Teixeira | Márcia Pessoa | Mariana Almeida | Mariana Félix Brandão | Patrícia Carvalho | Paulo Ribeiro | Sofia Pacheco Rana Van Pellecom (Estudante da Karel de Grote University College -Antuérpia)

Alfredo Cunha 50 anos de fotografia – 1970-2020
17 outubro a 2 maio 2021, Centro Português de Fotografia

“Este Alfredo Cunha de quem se fala é o homem com a sua câmara e o seu olhar.
Qualquer bom fotojornalista intui, antes de o saber claramente, que uma imagem, que deve encerrar todo um conteúdo e uma sedução, é, sempre foi, um momento decisivo. Antes de ser definido por Cartier-Bresson, já existia na mente de quem fotografa o acontecimento, o rosto e o movimento.
Na longa carreira de 50 anos de Alfredo Cunha, muita coisa mudou: o país que fotografa; o equipamento que usa — já longe da primeiríssima Petri FT, da Leica M3, que começou a usar em 1973, e das Leicas que se seguiram e a que se manteve sempre fiel; o suporte — do analógico, maioritariamente preto e branco, ao digital, que pratica desde 2003. A imagem fotojornalística responde à exigência de concordância com o texto, também se liga ao onde, quando, como e porquê. Porém, quando o fotógrafo já definiu o seu estilo — e é esse o caso de Alfredo Cunha —, a sedução da imagem sobrepõe-se à sedução da notícia. Em todas elas se torna difícil associar a imagem a um estilo pois Alfredo Cunha ultrapassa a corrente do momento e o tema.
E é neste sentido que podemos dizer, com Barthes, que as suas fotografias resultam sem código, dependem da transmissão do seu para nosso afecto.”
Teresa Siza (texto adaptado) (Foto © Alfredo Cunha)

Horário:
Terça a sexta-feira: 10h às 18h (e também à segunda, nos meses de julho e agosto);
Sábados, domingos e feriados: 15h às 19h.

Centro Português de Fotografia/ Direção-Geral de Arquivos
Edifício da Cadeia da Relação do Porto
Campo Mártires da Liberdade – Porto
Telf: 222 076 310 | Fax 222 076 311
www.cpf.pt

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