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Como estimular a autonomia dos nossos filhos?

Como estimular a autonomia dos nossos filhos?

Autonomia é uma palavra que vem do grego e quer dizer competência para gerir a própria vida, ou seja, auto significa “si mesmo” e nomos significa “lei, regra”, então autonomia é a capacidade de agir por si mesmo seguindo as suas próprias regras. Na filosofia ética, a abordagem feita à Autonomia leva-nos a pensar que é sinónimo de liberdade, que se caracteriza pela capacidade de fazer as próprias escolhas sem se deixar dominar por certas tendências, nem se permitir a ser sujeito a uma autoridade.

Esta frase assume um grande significado quando falamos em métodos de estudo, em organização e motivação escolar. As regras são muitas vezes impostas aos filhos, seja na escola ou em casa, e nem sempre têm a oportunidade de compreender o seu significado.

Pense comigo, acha que uma criança pode agir de forma autónoma se a sua vida for inteiramente gerida por regras a serem seguidas à risca?

Vou apresentar-lhe dicas para estimular a autonomia do seu filho e, ainda, para proporcionar o estudo mais autónomo em casa.

Deve ter em mente que a autonomia não se adquire da mesma forma que se aprende as letras, os números, as cores, as formas, a ler, etc. A autonomia vem naturalmente, decorre dos comportamentos que temos em relação aos nossos filhos.

A confiança dos pais

Para ser autónomo, os nossos filhos precisam e ter confiança em si mesmos e é muito importante que nós pais também tenhamos confiança neles. A criança sente essa confiança e, já se sabe, confiança gera confiança. Com bases sólidas, o seu filho poderá começar a realizar uma série de experiências que desenvolverão o seu senso de autonomia. Uma criança que se sente bem consigo mesma e tem plena confiança nos pais tomará a iniciativa, em várias ações. Boas iniciativas devem ser incentivadas para que o seu filho entenda que está no caminho certo e que tem todo o seu apoio.

– Permita que o seu filho realize escolhas

Outro aspeto que contribui para o desenvolvimento da autonomia é dar oportunidade para que o seu filho se envolva nas decisões de casa. É uma forma de estimular a sua responsabilidade perante situações que também são do seu interesse. Deixo exemplos: dar opções para o jantar de sexta-feira; as roupas que vai vestir numa ocasião especial; ou mesmo o próximo livro que irão ler juntos. O truque aqui é limitar as opções, mas permitir que o seu filho faça a escolha.

Estimulando a autonomia nestas pequenas decisões, os nossos filhos começam a perceber que todas as ações dependem de uma escolha e essa escolha terá as suas consequências. Assim, começam a perceber se as suas decisões foram boas ou más, e também aprendem a desenvolver a autonomia a partir desse conhecimento, ou seja, descobrem que podem aprender com os seus próprios erros.

É importante que nunca se substitua ao seu filho em tarefas ou problemas que ele tenha. Quando o seu filho pedir ajuda, ajude-o, mas não faça por ele. Estimule, antes, a capacidade dele para resolver os seus próprios assuntos, demonstrando disponibilidade para o apoiar no que for necessário.

– Ensine sobre frustração

Se o seu filho se arrepender de uma escolha que fez, converse abertamente e explique-lhe que, naquele momento, ele pensou que aquela era a melhor opção. É válido reforçar que haverá outras oportunidades e que não há problema se nos enganarmos ou errarmos.
Não critique os erros, ajude-o a lidar com as próprias frustrações e a refletir melhor sobre as próprias decisões e ações.

– Brinquem muito

Promova momentos em que possa participar nas brincadeiras ou jogos do seu filho, e siga todas as orientações e ideias dele – desde que elas não sejam perigosas, claro. Esta sugestão permite que ele tome as rédeas da brincadeira, da história, da ação e faça as escolhas sobre os personagens, os cenários ou as situações. Outro aspeto importante, é a brincadeira livre, pois é um ponto determinante no desenvolvimento da autonomia e criatividade das crianças. Por isso, também é importante que dê espaço e tempo ao seu filho para poder brincar de forma não orientada.

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Foquemos, agora, na autonomia das tarefas escolares:

– Ajude o seu filho a organizar um cronograma de estudos

Garanta que o seu filho tem uma rotina! Estimule-o a planear os horários de estudo, distribuindo as aulas, as disciplinas que precisa de mais estudo, as atividades extracurriculares, os TPC e os momentos para brincar e relaxar.

– Dê reforços positivos

Converse com o seu filho e explique-lhe que, se realizar as atividades propostas ou estudar o que é necessário, terá mais tempo para brincar e descansar. No caso de resistência às tarefas escolares, é importante promover o diálogo e tentar perceber porque é que as tarefas escolares lhe são tão desmotivantes. Incentive-o com pequenas recompensas, como: um jogo em conjunto, um passeio de bicicleta, o prato favorito ao jantar, etc.
A família tem um papel determinante no desenvolvimento da autonomia. Nesse sentido, o reforço positivo é fundamental para a criança adquirir a confiança e a segurança necessárias para se tornar mais autónoma. Valorize todas as conquistas do seu filho e motive-o quando as coisas correm menos bem.

-Acompanhe as tarefas

Reforce que está presente e pode ajudar em caso de dúvidas pontuais ou dificuldades para entender o enunciado. No entanto, relembre-o que está ali apenas para apoiar e orientar, não para realizar as atividades por ele. A superproteção parental é um dos fatores que impede o desenvolvimento da autonomia nas crianças. E para contrariar isso, estabeleça uma relação de confiança com o seu filho, baseada numa proximidade saudável e não “asfixiante”.

– Promova a prática de diferentes técnicas ou métodos de estudo

Que tal sugerir, ao seu filho, novas formas de estudar? Juntos, podem assistir a documentários sobre os temas estudados, realizar pesquisas, criar mapas mentais, fazer uma gravação da matéria, representar…etc. Dessa forma, está a ajudar o seu filho a descobrir novos métodos de estudo e como aplicá-los no dia a dia, garantindo que ele terá o conhecimento e a autonomia para explorá-los no futuro.

– Ensine responsabilidade

Nos primeiros anos escolares, podemos ensinar os nossos filhos a desenvolver a autonomia, com pequenas responsabilidades, por exemplo, ficar responsável por alguma tarefa como: organizar o material escolar, preparar a mochila para o dia seguinte, e até mesmo escolher a roupa que irá vestir.

Na adolescência essa responsabilidade deve ser progressiva, pois já estarão numa fase em que precisam tomar algumas decisões sozinhos, como por exemplo: organizar a própria agenda escolar e estudar para os testes.

Como disse Maria Montessori, sobre autonomia: “Não se trata de abandonar a criança em si mesma para fazer o que ela quer, mas de prepará-la para um ambiente onde possa agir livremente.”

Estas são algumas dicas que o poderão ajudar a desenvolver a autonomia o seu filho. Não esquecendo que é crucial acompanhar o seu filho diariamente, escutá-lo, dar-lhe importância, deixá-lo tomar as suas próprias iniciativas, fazê-lo sentir que é uma pessoa inteira, pois isso vai ajudá-lo a ganhar a autoconfiança necessária para a sua evolução rumo à autonomia.

Isabel Bettencourt
Professora | Coach Escolar

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