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Cervejaria Galiza fecha as portas definitivamente

Cervejaria Galiza fecha as portas definitivamente

O processo de insolvência da Cervejaria Galiza terminou, o que levou ao anúncio oficial do encerramento deste estabelecimento a 22 de março. Desta forma, os trabalhadores da Cervejaria Galiza perdem a oportunidade de voltarem a abrir o espaço, já que o senhorio exerceu o seu direito de preferência em tribunal.

Fundada a 29 de julho de 1972, a Cervejaria Galiza tornou-se um marco na restauração na cidade do Porto.  Em novembro de 2019, os trabalhadores do histórico estabelecimento foram apanhados de surpresa com uma tentativa de encerramento coercivo. Desde aí, os funcionários organizaram-se e assumiram a gestão diária do espaço até julho de 2020, altura em que se tornou inviável a cervejaria estar aberta.

Nuno Coelho, do Sindicato de Hotelaria do Norte, explicou ao Jornal de Notícias que o desfecho do processo “decorre da lei” e que o “administrador de insolvência teve de fazer uma proposta ao senhorio de utilizar o direito de preferência ao senhorio”, que acabou por ser aceite.

A decisão foi tomada após o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia ter declarado a 4 de junho a insolvência da proprietária da Cervejaria Galiza, a Sociedade Atividades Hoteleiras Galiza Portuense, na sequência do requerimento apresentado por um dos fornecedores, a empresa Sociedade Real Sabor, no qual reclamava o pagamento de 11.951 euros.

Os trabalhadores da cervejaria ficaram dependentes do resultado da assembleia de credores agendada para 4 de agosto. Caso conseguissem um investidor que garantisse os postos de trabalho e realizasse o pagamento das dívidas de quase 2 milhões de euros ao Fisco, ainda existia esperança para o Galiza.

Apesar de ter surgido um investidor interessado em cumprir esses dois requisitos, apareceu outro investidor que tinha objetivos diferentes para o espaço. Por isso, o processo acabou por se prolongar até dia 18 de março, altura em que o senhorio exerceu o seu direito de preferência.

“Tinham um investidor, a empresa Imparávelpuzle, de Adriano Cardoso, que iria dar continuidade à cervejaria como marisqueira e cervejaria”, comentou António Ferreira, ex-funcionário da cervejaria e representante dos trabalhadores comissão de credores, à Lusa. “A recuperação do espaço pelo senhorio deixou uma incógnita sobre os trabalhadores que agora se veem sem perspetiva nenhuma”, acrescentou.

Com este encerramento, 30 pessoas ficam sem emprego e, embora todos “estejam no fundo de desemprego, mais de metade ainda estão longe da idade da reforma”.

Moratórias podem atingir empresas em dívida

Enquanto a Cervejaria Galiza viu este desfecho por causa de dívidas acumuladas antes da pandemia, existem muitas empresas e famílias que poderão entrar em incumprimento no pagamento de prestações de crédito e terem de entregar negócios e propriedades ao banco. É o Banco de Portugal que aconselha os clientes a terem uma atitude preventiva contra essa possibilidade. Isto porque a maioria das moratórias de crédito chega ao fim em setembro e existe o risco de os clientes não conseguirem voltar a pagar essas mensalidades, acumulando dívidas.

O Jornal de Negócios avança que mais de 6,5 mil milhões de euros em empréstimos estarão em risco de incumprimento. Este valor é avançado tendo em conta 4 bancos: Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander Portugal e BPI. Em dezembro de 2020, as quatro instituições financeiras tinham cerca de 29 mil milhões de euros de créditos em moratória.

Como forma de contornar esse incumprimento, algumas pessoas têm pedido para juntarem os seus créditos de forma a reduzirem as suas prestações mensais. No relatório do Banco de Portugal sobre a evolução dos novos créditos, a opção que engloba a solução de crédito consolidado surge como o segundo serviço de financiamento mais pedido, aparecendo logo a seguir a cartões de crédito e linhas de crédito.

De momento, apenas as moratórias disponibilizadas pela Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) já terminaram. A associação refere que os sinais de incumprimento são pouco significativos. Mesmo assim, vale a pena lembrar que essas moratórias são privadas, sendo que as moratórias do Estado representam a maioria dos apoios fornecidos.

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