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Centro Hospitalar de S. João lidera ranking nacional

Centro Hospitalar de S. João lidera ranking nacional
O Centro Hospitalar de São João lidera o ranking de hospitais públicos da Escola Nacional de Saúde Pública e repetiu também o primeiro lugar da “Avaliação de Desempenho dos Hospitais Públicos (Internamento) em Portugal Continental”, realizada anualmente pela Escola Nacional de Saúde Pública.
Pela oitava vez em 11 anos, o centro hospitalar associado à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto ocupa o primeiro lugar deste ranking da qualidade/efetividade dos cuidados prestados em internamento pelos hospitais portugueses.
Para além de ocupar o primeiro lugar da classificação geral, o Centro Hospitalar de São João ocupa a primeira posição no que toca ao tratamento de doenças cardíacas e vasculares, das doenças digestivas, infeciosas, neurológicas e nas doenças do sangue e órgãos linfáticos e hematopoéticos.
Assim, o Centro Hospitalar de São João, no Porto, está de novo no pódio dos melhores hospitais públicos. O segredo está na arte de bem gerir e no espírito de missão dos seus profissionais.
A nova distinção na radiografia ao desempenho dos estabelecimentos de saúde públicos “não surpreendeu os médicos nem os utentes” do histórico São João do Porto, hospital que repete o lugar cimeiro do pódio no ofício de bem tratar.
Margarida Tavares, diretora clínica da instituição, lembra que esta é já a oitava vez em 11 avaliações globais que o Hospital de São João ocupa a posição cimeira do ranking elaborado pela Escola Nacional de Saúde Pública.
O espírito de missão, o amor à camisola, o trabalho em equipa e a monitorização da informação em tempo real das diversas valências hospitalares são alguns dos fatores que, segundo Margarida Tavares, explicam o sucesso do São João, mesmo em anos de duros cortes na saúde.
“Os últimos cinco anos foram particularmente difíceis ao nível de recursos disponíveis, mas neste hospital, dos clínicos aos diretores de serviços, passando pelas chefias intermédias, mantém-se a vontade de dispensar aos utentes o que de melhor se faz no mundo, quer na doença como na prevenção”, refere a diretora clínica.
A vontade de não se contentar com o básico começa a montante na maior unidade de saúde mais emblemática do Porto, diferenciação que Margarida Tavares diz não ser alheia à formação dos jovens internos e ao investimento feito em parcerias com os melhores hospitais estrangeiros.
“A preocupação de bem acolher e tratar faz parte da cultura história deste hospital, estratégia que não se perdeu com a política de racionalização de recursos”, acrescenta Margarida Tavares.
A informação em rede dos diversos departamentos, que permite detetar qualquer tipo de desvio ao padrão das unidades de saúde e serviços, é apontada como fundamental para os bons resultados de gestão global.
“Há um controlo efetivo e em tempo real do que se passa neste hospital, do internamento, às cirurgias em ambulatório, número de infetados num serviço, que medicação fazem os doentes, taxa de ocupação de blocos e intervenção imediata para apurar as razões porque estão parados”, adianta a responsável clínica.
O hospital que viveu uma situação limite em meados de 2014, com a demissão em bloco de 58 diretores de serviço, “atravessa uma fase de estabilidade”, depois da administração liderada pelo resistente António Ferreira ter agilizado os problemas mais agudos de asfixia burocrática e de subfinanciamento junto do Ministério da Saúde.
“Nem tudo são rosas, os profissionais perderam alguns dos seus rendimentos, trabalha-se muitas vezes em esforço, mas não nos deixamos de sentir orgulhosos por sermos considerados os melhores naquilo que fazemos”, observa Margarida Tavares.
Para além dos louros, a distinção não tem resultados práticos num hospital onde o desinvestimento é sistemático ao longo dos últimos cinco anos: “É um prémio simbólico, pois o tratamento desigual mantém-se em relação a outras instituições que não cumprem orçamentos. Aliás, o São João é até prejudicado por ter acesso a menos recursos porque é preciso pagar as dívidas dos outros”.

José Alberto Magalhães
Diretor de Informação Revista VIVA

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