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Casa dos Forros

Casa dos Forros

A primeira morada da Casa dos Forros, aberta nos anos 20 por Anselmo Caniceiro, foi na Rua de Passos Manuel. Mais tarde, em 1958, Miguel Pinheiro, decidiu adquirir a loja e reabriu-a ao público a 8 de novembro.

Em 1962 a Casa dos Forros foi expandida para a Rua de Cedofeita, onde é aberta uma filial. “Após a venda da loja-mãe nos anos 80 do século XX ficamos apenas com esta loja da rua de Cedofeita e a partir de 2002, com a reforma do meu sogro, eu e a minha mulher decidimos ficar com o estabelecimento”, revela-nos Jorge Coelho.

Trata-se de um negócio familiar, por onde passam várias gerações, prova disso é o facto de também a filha de Jorge Coelho já integrar o negócio. “A minha filha, Marta Pinheiro, é a responsável pelo vitrinismo tendo, já ganho vários prémios através da nossa loja”, conta.

Na Casa dos Forros os clientes e turistas vão poder encontrar “forros de tafetá, malha, alpacas, botões, tesouras e uma vasta gama de produtos, acessórios e miudezas para a costura e manualidades”.

Jorge Coelho confessa que os turistas procuram cada vez mais o estabelecimento “quer seja apenas para observar, quer seja para comprar”. “Ficam encantados com as montras e o painel de botões” e elogiam “sempre a loja e a sua antiguidade, muitas vezes afirmando que nos países de origem dificilmente encontram lojas como esta”.

Os clientes têm aparecido, assim, de países como o Brasil, França e Itália, que encontram a Casa dos Forros através da sua página de Facebook.

Por outro lado, o responsável admite que “Casa dos Forros”, tem passado por algumas fases complicadas, e recorda que com “a abertura em massa de grandes superfícies de pronto-a-vestir sentiu-se uma significativa quebra de vendas, acompanhada pelo envelhecimento” do principal público-alvo.

A abertura da Europa “para os produtos fabricados na China contra os quais era impossível competir devidos aos seus preços extremamente baixos”, também prejudicou o negócio.

Depois de serem atingidos por sucessivas recessões, Jorge Coelho procurou “diversificar o produto de modo a atingir novos públicos, renovando a clientela bastante envelhecida”. Contudo, “o esvaziamento da zona de Cedofeita, das faculdades que aí existiam, como Engenharia, Farmácia e Ciências” provocaram “um novo golpe, perdendo-se uma grande parte da clientela académica”.

“Com a pandemia assistimos, mais uma vez, a uma redução significativa da nossa clientela, estando a recuperação a ser muito tímida e lenta”, aponta.

Para Jorge as melhores recordações que tem da Casa dos Forros são lhe dadas pelos clientes, que são muitas vezes considerados família. São criadas “verdadeiras ligações de amizade”, muitos conhecem “a família e perguntam pela minha mulher, filhas, neto e sogro, falecido recentemente”, relata.

Além da história e antiguidade, o responsável acredita que aquilo que distingue este espaço dos restantes é “a atenção à qualidade do produto” que vendem, aos preços que praticam e “à satisfação do cliente”. “Procuramos aconselhar da melhor forma o cliente para que seja mais fácil ele resolver os seus problemas”, e, por esse motivo, dão ideias e sugerem “soluções através de um atendimento personalizado”.

Desde os anos 20, os produtos oferecidos sofreram, naturalmente, várias alterações.  “Inicialmente a loja era especializada apenas em forros e miudezas para alfaiataria e com a chegada do meu sogro (Miguel Pinheiro) foram introduzidos os botões, e artigos para modistas”.

Já na gerência de Jorge Coelho a oferta dos produtos e serviços foi diversificada com a introdução de “linhas de tricot e crochet, arranjos de fechos, colocação de ilhós” e a criação de “parcerias e dinâmicas com outros negócios, como é o caso das escolas de costura”.

Na opinião do responsável iniciativas como o “Porto de Tradição” são importantes para que não se perca “a identidade cultural e comercial que sempre foi tão forte” na cidade. “Só a Câmara Municipal do Porto tem a capacidade e pode ajudar a manter esta característica muito própria”, uma vez que a “sua não preservação” poderá levar a cidade do Porto “a uma cidade sem identidade própria”, igual “a qualquer outra”.

Casa dos Forros
Rua de Cedofeita n.º 189, Porto
Telefone 22 200 7765

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