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Carlos Monteiro

Carlos Monteiro

““Sempre quis apostar na inovação na saúde”

Do Porto, a sua terra natal, Carlos Monteiro assume, sem medos, que herdou a “lealdade na convivência” e a “resiliência nas dificuldades”. Valores que lhe foram incutidos em tenra idade e lhe permitiram, em 2015, a garra e a audácia necessárias para, depois de um percurso de praticamente duas décadas de trabalho em três multinacionais do setor farmacêutico, França, Alemanha e Norte da América, fundar a Biojam Holding Group.

Em causa esteve uma decisão altamente arriscada e onde aplicou todas as suas poupanças, tudo com o objetivo de fazer nascer uma empresa da indústria farmacêutica, 100% portuguesa, que apostasse em medicamentos diferenciados, com uma componente de inovação forte, a sua grande marca.  O interesse de Carlos Monteiro em tão nobre área surgiu depois de terminar o serviço militar e iniciar, em 1987, uma carreira como Delegado de Informação Médica. “Imediatamente vi que a nossa missão não era apenas e só comercial, mas sim uma vontade em aportar caminhos com vista à melhoria da qualidade de vida dos profissionais de saúde e dos doentes”, realçou.

Os triunfos da missão, imediatamente, se fizeram sentir com a Biojam a alcançar, apenas um ano após o seu nascimento, a liderança no mercado ibérico no tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda. Uma conquista ímpar que serviu de mote às múltiplas que se sucederam, como o facto de, aquando da emergência da situação pandémica em Portugal, ter sido uma das empresas pioneiras na disponibilização de testes para a covid-19. Um processo difícil, mas que Carlos Monteiro sempre defendeu por acreditar na eficácia da testagem.

Nesta entrevista, com o “mar por perto”, o que, segundo destacou, nunca pode faltar numa visita à cidade Invicta, o CEO da Biojam abriu-nos as portas da sua vida e da história da farmacêutica que lidera. Partilhou com a VIVA! o principal impacto do SARS-CoV-2 na indústria farmacêutica, de que forma a empresa lidou com a pandemia, os principais medicamentos criados e fez ainda uma espécie de balanço destes sete anos de mercado.

Saiba tudo nesta entrevista ao homem, que se intitula “portuense de berço com muito orgulho”, com mais de 30 anos de indústria farmacêutica.

Como se define enquanto pessoa, portuense e fundador da Biojam?

No Porto nasci e realizei a função mais difícil a que me propus em 55 anos de vida, “a de pai”. Sou portuense de berço com muito orgulho, com uma visão de conhecer mundo, como o nosso conterrâneo D. Henrique, “o navegador”. Diria mesmo que quem vive pregado a um só chão, não sabe sonhar outros lugares. Fundar a Biojam SA em Portugal com vista a este e outros mercados, como Espanha, prova bem esta minha intrínseca atitude de procurar “inovação” para colocar ao serviço da saúde.

Qual o sítio, ou os sítios, que mais aprecia no Porto? Porquê?

Antas, onde nasci onde, pela mão do meu pai, assisti ao primeiro jogo do meu clube de coração. “Quem vem e atravessa o rio, junto à Serra do Pilar, vê um velho casario que estende até ao mar”… esta imagem é, definitivamente, a minha interpretação do Porto: “és cascata são-joanina erguida sobre o monte”.  

O que nunca pode faltar numa visita à cidade?

O casamento entre o imenso rio Douro e o belo mar … a Foz do Douro e, se possível, um peixe grelhado no Ramada do Mar. O mar sempre por perto.

Como e em que altura da sua vida decidiu fundar a Biojam?

Depois de vários projetos em multinacionais da indústria farmacêutica, eis que uma incompatibilidade com o meu chefe direto europeu me proporcionou esta decisão. Hoje agradeço por isso.

Terá sido uma decisão bastante ponderada, depois de um percurso por três multinacionais do sector farmacêutico. Como foi o processo de criação da empresa? Quais foram os principais objetivos que, na altura, estiveram por detrás da criação da mesma?

Ser empresário em Portugal é um ato de enorme loucura, as burocracias, a carga fiscal, uma lei laboral pouco amiga da criação de emprego, uma sensação de constante adaptação a um ambiente social e político em mutação. Mas, o meu objetivo era apostar na inovação na saúde, sempre em prol da qualidade dos produtos e serviços para a comunidade científica que servimos e dos “doentes”.

Quem o conhece diz que sempre teve a certeza que, um dia, iria liderar uma empresa na indústria farmacêutica. Porquê?

Comecei, em 1987, como Delegado de Informação Médica, depois de sair do Serviço Militar, onde estive 16 meses, e, desde logo, vi que a nossa missão não era apenas comercial. Aprender a procurar soluções para tratar doentes não é apenas uma tarefa comercial, tem muito de vontade em aportar caminhos com vista à melhoria da qualidade de vida dos profissionais de saúde e, claro, dos “doentes”.

Nas multinacionais onde tive o privilégio de trabalhar, sempre procurei o conhecimento científico como meio de promover soluções. Mas, sempre quis criar algo com o meu cunho de missão e visão.

Como define a Biojam?

Como uma empresa leal, com partilha de conhecimento e crítica, exigente, comprometida e com uma responsabilidade social acrescida, perante as pessoas a quem nos dirigimos e dedicamos. A qualidade de vida dos concidadãos é a base de toda a nossa atuação.

Um ano depois da sua fundação, a empresa alcançou a liderança no mercado Ibérico no tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda. Como foi atingir este reconhecimento em tão pouco tempo?

Citando Winston Churchill, “sangue, suor e lágrimas”. Uma empresa nova com um medicamento para a Leucemia Linfoblástica Aguda só chega à liderança porque os médicos oncologistas pediátricos, farmacêuticos hospitalares, portugueses e espanhóis, viram que os meninos(as) que necessitavam deste medicamento tinham, em mãos, um medicamento inovador que permitia melhorar a sua qualidade de vida e a dos seus familiares.

A inovação é a marca da Biojam na indústria farmacêutica. Porquê?

Porque não queremos fazer o que os outros já fazem muito bem. Mas, por exemplo, se um citotóxico é de armazenamento a frio positivo, nós vamos procurar dar ao mercado um com armazenamento de temperatura ambiente, evitando, assim, desperdício em caso de quebra de energia e não precisando de manipulação para administração. Isto é inovação. E, por isso, há cinco anos criamos o Prémio Biojam Inovar em várias áreas hospitalares.

A Biojam foi uma das empresas pioneiras na disponibilização de testes para a covid-19. Como foi este processo?

Desde a primeira vaga que senti que testar era o caminho. Sempre que defendi essa posição, publicamente, ouvi críticas “positivas” e “negativas”, mas nunca me desviei desse rumo de motivação científica para mitigar a pandemia. Países que o fizeram, como sabemos, obtiveram resultados muito promissores. E, hoje, somos todos muito mais eficazes porque temos uma testagem muito acessível, o que sempre defendi.

Atualmente, com praticamente dois anos de pandemia e muito mais conhecimento sobre o SAS-CoV-2, em que se tem debruçado a intervenção da farmacêutica nessa área?

Testar, testar e testar, estancar os casos positivos, associado a outras regras de convivência social. A acessibilidade da testagem por profissionais de saúde com reporte imediato tem sido a nossa intervenção. De futuro, teremos outras novidades.

Qual o principal impacto que o SARS-CoV-2 teve na indústria farmacêutica?

O principal impacto foi uma adaptação com eficácia a um ambiente desconhecido: teletrabalho num departamento comercial é muito estranho, uma potencial ausência logística de fornecimento aos hospitais, dramática diminuição de consultas e cirurgias… 

De que forma é que a Biojam lidou com a pandemia?

Começamos por preparar todos os nossos profissionais para trabalhar a partir de casa e fizemos reuniões de brainstorming semanais, muitas vezes diárias, para fazer face a esta alteração de hábitos profissionais e adequar os nossos produtos e serviços ao ambiente que se vivia. O compromisso com os nossos concidadãos foi a nossa motivação. E o pensamento foi “Temos Vitamina D, então precisamos de disponibilizar nas farmácias pela hipotética carência desta vitamina, temos Vitamina C, vamos disponibilizar um reforço desta vitamina, temos um medicamento injetável único de utilização exclusiva hospitalar com indicação hipertensão severa em todos os doentes, mas em especial em infetados, então temos que redobrar os stocks para não entrar em rutura”. Sempre nos quisemos sentir úteis perante uma pandemia que afetou toda a gente.

A empresa foi também pioneira no lançamento de uma solução de higiene oral para pessoas diabéticas. Como foi todo este processo? Como surgiu a ideia e de que forma é que foi desenvolvida e chegou, depois, ao mercado?

Não era, e não é o nosso core a medicina dentária. Contudo, ver no mercado da Europa Central uma linha de higiene oral para pessoas com diabetes foi um sim, sem hesitar.

Qual a importância desta solução para os utentes diagnosticados com diabetes?

O Anoxident Balance veio revolucionar a moderação da libertação de glicose na cavidade bucal das pessoas com diabetes com um processo inovador de restaurar o natural pH, entre outras vantagens adicionais.

Até ao momento, quais são os principais medicamentos, criados pela Biojam, no mercado?

Os citotóxicos com indicação oncológica, seja porque não precisam de filtro nem de ser administrados com precisão, o que, até então, era obrigatoriamente necessário.

Que balanço faz da Biojam? Sete anos depois da sua fundação?

Citando Fernando Pessoa, vivo sempre no presente, o futuro desconheço e o passado já não tenho. É um balanço muito positivo.

Até ao momento, qual foi o principal objetivo que alcançou?

Ser um pai, factualmente, bem-sucedido. E digo isto porque ao termos esta missão difícil concluída com excelência, temos disponibilidade mental e de foco para as restantes missões…

Como se cresce num mundo maioritariamente dominado pelos “gigantes” do setor farmacêutico?

Fazendo-se respeitar e dando-se ao respeito.

Que marca gostaria de deixar no país e no mundo?

Nunca envergonhar os que se orgulham da minha incessante vontade de criar ou encontrar soluções para os profissionais de saúde beneficiando a qualidade de vida dos “doentes”.

A Biojam é um grupo 100% português. Há possibilidade da expansão internacional da empresa?

Reforçar a presença nos mercados de Portugal e Espanha é prioridade. Mas, numa segunda fase, queremos expandir para Benelux e América Latina.

Há, certamente, mais soluções inovadoras para lançarem ainda este ano. É possível levantarmos o véu a alguma delas?

A única certeza no mercado farmacêutico é a incerteza. A regulamentação do medicamento pode sempre influenciar novos lançamentos ou atraso dos mesmos.

Como perspetiva o ano de 2022 na indústria farmacêutica?

Não consigo fazer uma previsão. Tudo dependerá da nova realidade pós-pandemia, do alívio das restrições, das novas variantes, do retorno à vida económico-social… tudo se perspetivará em torno disto.

E o da Biojam, em concreto, este ano e nos próximos?

Inovação desde a origem, com o rigor, a competência, a determinação, a ética, a resiliência e o cuidado com os demais como valores humanos fundamentais.

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