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A tradição das maias

A tradição das maias

De Norte a Sul de Portugal, é usual ver-se, no decorrer do mês de maio, as portas ou as janelas das casas enfeitadas com giestas amarelas, sobretudo nos meios rurais, para afastar o mal, ou o “carrapato”, que, dizem, representa o mal em geral. Trata-se de uma tradição bastante antiga, que se materializa na noite de 30 de abril para 1 de maio, com os portugueses a colocarem nas entradas das casas as ditas “maias”, vulgarmente encontradas nos montes e nas bermas dos caminhos.

Segundo reza a história, este é um rito que pretende assinalar o fim do inverno e, simultaneamente, dar as boas vindas à primavera, com uma flor que simboliza a “luz” e a “vida”, tendo em conta a sua coloração. E, por isso, está também associada à agricultura, representando um símbolo de “proteção e fertilidade para a terra”.

“É uma forma de celebrar a fertilidade e a abundância da natureza que nos rodeia e um alerta para a importância de a respeitarmos e aprendermos que fazemos parte do todo e não estamos nunca acima dele”, sublinhou Luís Alves, agrónomo, em declarações à Time Out.

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Em causa está uma tradição pagã que se fundiu com o cristianismo e que é celebrada das mais diversas formas, dependendo das regiões. No Norte, este é um hábito bastante característico, com a população a acreditar que o simples cheiro das giestas-das-vassouras, cientificamente designadas de “Cytisus scoparius”, ajudam a “afastar o mau olhado”. Por isso, há quem, inclusive, além de colocar “as maias à porta”, as espalhe por muitos outros sítios, como os automóveis. Tudo com o objetivo primordial de afastar o azar e potenciar a abundância…

De acordo com o historiador Ernesto Veiga de Oliveira, citado pela Câmara de Mirandela, em toda a faixa ocidental atlântica do país, onde se inclui o Minho, não existe qualquer prática alimentar associada, mas em Trás-os-Montes e nas Beira, as Maiasestão associadas às castanhas, que os conterrâneos guardam, propositadamente, para consumir no primeiro dia de maio. “Quem não come castanhas no 1.º de Maio, monta-o o burro”, diz o provérbio, que significa que quem passar por um burro e não tiver consumido castanhas, corre o risco de ser mordido por este.  

A esta tradição junta-se, ainda, em Trás-os-Montes, o ritual do “Maio-Moço”, que dita que as raparigas novas devem enfeitar um menino, o Maio-Moço, e passeá-lo pela rua, enquanto dançam e cantam à sua volta. Já em Monsanto, Beira Baixa, por exemplo, é usual, no domingo seguinte ao terceiro dia de maio, celebrar-se a “Marafona”, uma boneca feita de dois paus, dispostos em cruz, que dá nome à festa local da Divina Santa Cruz.

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Fotografia: Minho Digital

Existem várias teorias ligadas à possível origem da tradição das maias, nomeadamente uma boneca de palha de centeio, de seu nome “Maia”, à volta da qual era usual dançar-se na noite de 30 de abril para 1 de maio. Outra das explicações está relacionada com o Império Romano e o nome da deusa romana da fecundidade, da projeção da energia vital e da primavera, Maia. 

“No Alto Minho, associa-se esta tradição à Festa da Santa Cruz ou ao Corpo de Deus, presumindo-se que a tradição vem dos tempos bíblicos, quando Herodes mandou colocar giestas à porta de onde dormia o menino Jesus, mas foi surpreendido pela exposição de giestas em quase todas as casas da aldeia onde o «salvador» morava”, lê-se num artigo do jornal “O Minho”, publicado no ano passado.

Independentemente das tradições de cada região, Maio é, efetivamente, um mês especial. Conhecido também por “mês de Maria”, maio é símbolo de vida e luz e um verdadeiro tributo à deusa da terra e das flores, “Maia”.

Fotografia: Dora Mota

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