Bairro Feliz - Pingo Doce

Fernando Rocha

Fernando Rocha

“2021 vai ser muito exigente”, admite Fernando Rocha

O ano transato foi difícil para todos e será para sempre recordado como “o ano da pandemia” e, ainda que, para Matosinhos, este tenha tido “um balanço positivo”, foram vários os desafios que o executivo municipal enfrentou e superou com distinção. “«Obrigou» a redefinir todas as prioridades e a reorientar toda a estratégia e orçamento municipal”, revelou o vice-presidente da Câmara Municipal, avançando que foi, contudo, possível concretizar um conjunto de iniciativas para promover a capacidade de reação e a sustentabilidade dos negócios locais a médio e longo prazo.

Fernando Rocha esteve à conversa com a VIVA!, numa entrevista informal, onde fez o balanço do ano de 2020, avaliou o papel preponderante da autarquia no apoio às pessoas mais afetadas pela pandemia, abordou o forte crescimento turístico que Matosinhos tem registado e revelou ainda alguns dos objetivos traçados para este novo ano, popularmente, apelidado como “o ano da esperança”.

Que balanço faz de 2020? 

É um balanço extremamente positivo, apesar da situação inesperada e dramática da pandemia que nos “obrigou” a redefinir todas as prioridades e reorientar toda a estratégia e orçamento municipal. Desde o primeiro momento que a Câmara Municipal assumiu o seu papel enquanto interlocutor e parceiro privilegiado de toda a população. Tivemos que agir e não esperar pelo agudizar da crise para reagir.

Foi possível concretizar um conjunto de iniciativas para promover a capacidade de reação e a sustentabilidade dos negócios locais a médio e longo prazo, como, por exemplo, a criação de serviço de apoio específico para disponibilização de toda a informação oficial, bem como de atendimento técnico não presencial, relacionados com as medidas governamentais de resposta à covid-19, os apoios no âmbito do Portugal 2020 e os apoios dentro do âmbito de atuação da autarquia.

Destaco também a criação do Fundo de Emergência Municipal para empresas, dirigido sobretudo aos pequenos e médios negócios locais, em situações de comprovado impacto financeiro decorrente da pandemia, e que apoiou a economia local num montante de quase meio milhão de euros; a criação e disponibilização de um conjunto de ferramentas de gestão aptas a combater a iliteracia e a exclusão digitais, com especial destaque para a dinamização do marketplace concelhio lançado no final de 2020, bem como através do desenvolvimento de soluções de fidelização e compensação dos clientes desta oferta do município, promovendo e sustentando o tão desejado e necessário “regresso ao comércio tradicional”.

E, por último, o desenvolvimento de iniciativas de ativação e prescrição do comércio local, tais como a realização de sorteios dirigidos aos clientes finais do comércio local concelhio e a emissão, distribuição e comercialização de vales de compras no comércio tradicional, numa estratégia de multiplicação das compras privadas na época de natal.

Há algum objetivo autárquico que tenha ficado por cumprir? 

Claro que sim. Desde março de 2020, o nosso foco foi a situação de emergência que nos obrigou a redefinir prioridades e objetivos. Este efeito sentiu-se mais nas políticas imateriais porque a nível dos investimentos foi possível manter o ritmo. Mas, não nos podemos esquecer que o Teatro Municipal, as galerias de arte, os museus, bibliotecas e casas da juventude entre outros tiveram que fechar e suspender a sua atividade regular e presencial.

Como adivinha este ano? 

Difícil. Já está a ser. 2021 vai ser marcado pela incerteza e essencialmente muito exigente. Vamos ter de continuar a dar uma atenção muito especial às pessoas mais necessitadas e frágeis face à crise económica e social que se antevê.

Quais os objetivos traçados para os pelouros da Cultura, Desenvolvimento Económico, Turismo, Inovação e Modernização Administrativa, Polícia Municipal e Fiscalização, Fiscalização Urbanística e Gestão do Património, pelos quais é responsável, para 2021? 

Contrariar a recessão decorrente do impacto da pandemia na economia local de Matosinhos apostando na manutenção e reforço das áreas de apoio prestado ao longo de 2020. Apoio na informação, modernização do comércio e serviços de proximidade, apoio financeiro, dirigido sobretudo aos pequenos e médios negócios locais, em situações de comprovado impacto financeiro decorrente do impacto da pandemia.

Quanto à Polícia Municipal e Fiscalização para 2021, o objetivo destes serviços será a prestação de auxílio à comunidade, a garantia da sua segurança, bem-estar e qualidade de vida.

O município de Matosinhos teve um papel preponderante no apoio às famílias mais carenciadas do concelho, empresários e comércio local no decorrer do último ano, fruto das consequências económicas provocadas pela pandemia. Estes apoios vão manter-se ao longo de 2021? De que forma? 

A Câmara Municipal de Matosinhos sempre prestou um apoio muito relevante às famílias carenciadas do concelho e aos cidadãos mais vulneráveis tendo, durante a situação pandémica, reforçado esses apoios e criado, até, outras formas de compensar a quebra abrupta de rendimentos que muitas famílias e empresas do concelho estão a sofrer.

São vários os serviços municipais que contribuem para este objetivo como é o caso da Polícia Municipal que, desde 2013, através do seu programa “Idosos em Segurança” acompanha diariamente idosos que vivem sozinhos, que têm dificuldades de mobilidade e carências económicas. Com a situação que vivemos, este apoio intensificou-se bastante e expandiu-se. Diariamente, é feita uma visita ou telefonema a, atualmente, 82 idosos, a fim de saber quais as necessidades de medicamentos, alimentação ou cuidados de saúde que precisam.

Os agentes deslocam-se aos supermercados, padarias, farmácias, correios e centros de saúde para assegurar que nada falta a estas pessoas. Muitas vezes, tem sido necessário providenciar tratamentos como a administração de injeções ou curativos. Além disso, é também, nossa preocupação garantir a articulação com os Centros de Saúde e até Hospitais quando, por qualquer motivo, são internados.

Atravessamos tempos difíceis em que os idosos isolados se sentem ainda mais sozinhos e para eles temos sempre tempo e dedicamos-lhes a nossa melhor atenção e carinho.

O setor da Cultura, também um dos mais afetados pela pandemia de covid-19, terá novos apoios por parte da Câmara Municipal? 

Lançamos um programa de apoio, o Fundo de Emergência Municipal (FEM), dirigido às associações culturais do concelho, com abertura de duas fases de candidatura, que abrangeu cerca de 18 associações, com um montante de 19.000,00€. Paralelamente, os eventos contratados para o ano de 2020 e que sofreram adiamento/cancelamento foram remarcados e pagos percentualmente de acordo com as regras legais aplicáveis nestas situações. Assim procederemos no futuro de forma a manter “vivas” as estruturas culturais que são as bases de toda a nossa atividade.

De que forma é que acredita que este poderá ser um “ano normal” nesta área?

Vivemos momentos de incerteza e é muito difícil, ou quase impossível, projetar o futuro. A intenção é permitir a realização de espetáculos presenciais, de acordo com a programação habitual. Contudo, dependerá dos desenvolvimentos da pandemia e da saúde publica.

Quais os principais eventos agendados para 2021? 

Estão previstos, entre outros, a realização do “Festival Matosinhos em Jazz”; a recriação histórica “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”; a comemoração do ano Xacobeo com a realização duas grandes iniciativas alusivas aos Caminhos de Santiago; o Literatura em Viagem (LeV); o Plano Municipal de Leitura (PML), que foi considerado o melhor plano do país em 2020; uma grande exposição “Os últimos 25 anos da Coleção Artística Municipal”; o FITEI, o DDD, as grandes Festas do Senhor de Matosinhos, que este ano celebra os 700 anos sobre o seu primeiro documento escrito, as programações regulares da Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM), Quarteto de Cordas de Matosinhos e a segunda edição “Porto Design Bienal”.

Temos também prevista a abertura do Museu da Memória de Matosinhos, no Palacete Visconde de Trevões, e celebrar e fechar os acordos que permitam ainda este ano iniciar as obras de construção e montagem do Museu do Mar e da Industria Conserveira. Mas tudo dependerá da evolução da pandemia…

Nos últimos anos, Matosinhos tem vindo a assistir a um grande crescimento turístico. Porque é que acha que isso está a acontecer? 

Matosinhos tem vindo a afirmar-se como um destino de importante potencial turístico, resultado da variedade e singularidade dos seus recursos, da sua orla costeira, das condições que oferece para a prática de desportos aquáticos, do património e dinamização cultural, das reconhecidas obras de arquitetura contemporânea e da sua gastronomia ímpar. Cada vez mais operadores internacionais e opinion makers referem Matosinhos nos seus artigos e sugerem a cidade como destino de relevante interesse turístico.

O município tem consolidado a sua estratégia de divulgação turística, tal como o plano de participação em feiras nacionais e internacionais nas quais promove e divulga o concelho como destino turístico, além da participação em conceituados eventos de âmbito local, nacional e ibérico.

Em 2019, Matosinhos acolheu 78 navios de cruzeiro, com mais de 88 mil passageiros a bordo.  Além disso, a oferta de alojamento no concelho vinha gradualmente a ser reforçada, através da abertura, em outubro de 2019, de uma nova unidade hoteleira de quatro estrelas, com uma localização estratégica, junto ao acesso ao Terminal de Cruzeiros e numa das artérias com maior concentração de estabelecimentos de restauração da cidade e a construção, ainda a decorrer, do Four Poins by Sheraton em Matosinhos Sul.

Apesar das circunstâncias e das incertezas vividas o ano passo, o município não quis deixar de assinalar o inicio do Ano Jacobeu, através de diversas iniciativas, entre as quais a decoração dos postos de turismo com motivos alusivos à associação da concha da vieira a Matosinhos e ao Ano Jacobeu, a publicação de um livro infantojuvenil que aborda o Caminho de Santiago e a Lenda de Cayo Carpo e a produção de autocolantes holográficos para carimbo das credenciais de peregrinos, entre outras ações.

Paralelamente, ao longo de 2020, foram sendo desenvolvidas outras ações, tais como a aquisição de crachás para oferta aos peregrinos, a criação de um novo folheto “SantiaGO” com informações sobre o Caminho da Costa Atlântica e procedeu-se igualmente à realização de uma visita virtual sobre a Lenda da Vieira do Cayo Carpo, no Dia Mundial do Turismo, com orientação do Dr. Joel Cleto.

Com o objetivo de reforçar a aposta neste segmento-alvo, encontra-se igualmente a decorrer o processo de certificação do Caminho Português de Santiago e do Caminho Português da Costa, ambos com passagem no concelho de Matosinhos. Além de que se encontra também em processo de implementação a sinalética direcional no traçado alternativo ao caminho pela Orla Costeira

Na área da gastronomia, a impossibilidade de realização de determinados eventos e ações de âmbito gastronómico de relevo, tais como o Festival do Peixe e Marisco Amar Matosinhos, levou o município a apostar noutro tipo de ações adaptadas às atuais circunstâncias, junto dos estabelecimentos de restauração do concelho, com o intuito de apoiar o setor da restauração neste período crítico e atípico que o país atravessa.

Qual o plano da autarquia para atrair mais turistas durante este ano, principalmente no período de verão?  

Assim que a saúde pública permitir iremos regressar às grandes iniciativas e aos festivais, às ações no âmbito da gastronomia, que incentivam à visita aos nossos restaurantes, aos grandes eventos desportivos de relevo nacional e internacional e à presença e reforço promocional nos vários certames, com o objetivo de dar a conhecer o concelho e as suas potencialidades a um maior número de visitantes.

O foco será mais no turista nacional ou internacional?   

Numa primeira fase da retoma, e logo que situação comece a estabilizar, acreditamos que o impacto será mais sentido ao nível do turismo dentro de portas, com o mercado nacional e de proximidade/ ibérico. Contudo, julgamos que volvidos alguns meses esta situação se expandirá também um pouco por todo o território europeu, com a retoma dos voos regulares das companhias aéreas.

Qual a posição da Câmara Municipal quanto ao encerramento da atividade de refinação, da Galp, em Matosinhos? De que forma é que a autarquia poderá ajudar os trabalhadores afetados por esta decisão? 

A Câmara de Matosinhos foi surpreendida com o encerramento da Refinaria da Galp e está muito preocupada com o futuro dos seus trabalhadores e ainda com todos aqueles que, embora externos, prestavam serviços na refinaria. Além de que, não nos podemos esquecer, há um conjunto muito grande de pequenas empresas que tinham como principal cliente a refinaria. Estamos a acompanhar a situação, sempre em diálogo com as estruturas dos trabalhadores de forma a evitar uma situação social difícil para muitas famílias. Vivemos um tempo de grande incerteza, apreensão e muita preocupação.

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