O novo Presidente da República, António José Seguro, escolheu o Porto para uma das primeiras deslocações oficiais do mandato. A visita incluiu uma sessão solene nos Paços do Concelho do Porto, onde o chefe de Estado destacou a importância da unidade nacional e da coesão entre territórios.
Perante cerca de 150 convidados, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, deixou uma mensagem clara sobre o momento político atual: “é hora de unir”.
António José Seguro explicou o simbolismo da escolha do Porto para uma das primeiras paragens institucionais. “Esta é a expressão de uma convicção política clara. Portugal é um todo, um país em que todos contam e nenhum território pode ser dispensado”, afirmou. O Presidente acrescentou ainda que, durante o seu mandato, “a coesão territorial não será uma circunstância” (via CM Porto).
No discurso, o chefe de Estado destacou também o papel histórico da cidade: “Há cidades que marcam a história de um país, o Porto ajudou a escrevê-la. Neste nosso Porto, cruzam-se tempos, povos e vontades”.
Para o autarca portuense, a presença do Presidente na cidade logo no início do mandato tem também um valor simbólico importante. Segundo Pedro Duarte, a cerimónia “é um importante simbolismo que certifica que a mais alta figura do Estado Português olha para o território nacional como um todo”.
Durante a intervenção, o presidente da autarquia defendeu a necessidade de ultrapassar divisões sociais e políticas. “Este é o tempo para a igualdade de oportunidades e para a coesão territorial. É o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há demasiadas décadas bloqueia o desenvolvimento do país”, afirmou.
Na cerimónia, que começou com guarda de honra, Pedro Duarte destacou ainda que a eleição de António José Seguro representa uma aposta na moderação política. O autarca referiu que o novo Presidente “foi eleito sob o signo da moderação e do equilíbrio”, acrescentando que “num tempo marcado por discursos cada vez mais polarizados, por algoritmos que amplificam o conflito e pela tentação permanente de reduzir a realidade a escolhas simplistas entre ‘nós’ e ‘eles’, a moderação tornou-se uma virtude particularmente exigente”.
Convicto do papel que o chefe de Estado poderá desempenhar no novo ciclo político, Pedro Duarte afirmou ainda que António José Seguro “é a calma inconformada de que o país precisa neste momento”.
Agradecendo a receção, António José Seguro falou do ambiente único que sente na cidade: “aqui respira-se um ar particular. Um ar que transporta a memória dos séculos e a força das gerações que moldaram estas ruas, estas pontes, estas margens”. Na sua opinião, “o Porto lembra-nos que o futuro se constrói com trabalho, com perseverança e com a dedicação das nossas gentes”.
O Presidente da República destacou ainda o papel da cidade no contexto nacional, sublinhando que “o Porto continua a provar que a sua verdadeira identidade reside na capacidade permanente de se reinventar”.
Na intervenção, referiu instituições como a Fundação de Serralves, a Casa da Música, o Teatro Nacional São João e o Museu Nacional Soares dos Reis como exemplos do dinamismo cultural da cidade.
O chefe de Estado lembrou também a dimensão económica e científica do Porto, referindo que “aqui nasceram e cresceram empresas que se tornaram referências nacionais e internacionais”.
No campo ambiental, António José Seguro salientou ainda o compromisso da cidade com a sustentabilidade: “O Porto está entre as grandes cidades europeias, comprometidas com a neutralidade carbónica até 2030. É, hoje, um polo de inovação para alcançar as metas do Pacto Ecológico Europeu”.
Já na parte final da intervenção, o Presidente voltou a justificar a escolha da cidade para um dos primeiros momentos do mandato: “o Porto é sempre fiel ao seu caráter livre”.
(Foto: via CM Porto – João Pedro Rocha)
