Na sua última cerimónia de entrega das medalhas municipais enquanto presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira sublinhou, esta quarta-feira, na Casa do Roseiral, que servir a cidade foi “mais, muito mais do que uma honra”. Com um discurso emotivo, evocou a história da Invicta, homenageou os distinguidos e fez uma retrospetiva dos três mandatos à frente do município.
“Termino agradecendo aos portuenses por me terem confiado, pelo voto, o poder para desempenhar este cargo. […] Confesso-vos que foi um enorme prazer servir o Porto”, afirmou Rui Moreira, citando Sophia de Mello Breyner Andresen ao lembrar que “o Porto é o lugar onde para mim começam as maravilhas e todas as angústias”. (via Porto.)
O dia 9 de julho, que assinala a chegada de D. Pedro IV ao Porto, foi palco de condecorações a 52 personalidades e instituições, entre as quais o historiador José Pacheco Pereira, os músicos Pedro Burmester e Sérgio Godinho (cuja distinção será entregue na Feira do Livro) e o IPO Porto, todos distinguidos com a Medalha de Honra da Cidade.
“Aqui, temos o bom hábito de agradecer a quem nos faz bem”, disse o autarca, frisando que é nas pessoas que reside a força e a identidade do Porto.
O presidente da Câmara aproveitou também para alertar para os riscos que ameaçam a democracia, como o enfraquecimento da liberdade de imprensa e de expressão, a desinformação ou a exclusão social. Destacou a importância da cultura, do conhecimento e da educação como pilares essenciais de uma sociedade democrática.
No balanço dos 12 anos à frente do Município, Rui Moreira enumerou projetos emblemáticos como a reabilitação do Mercado do Bolhão, do Cinema Batalha e do Matadouro Industrial, o reforço da ação social, os programas de habitação e a aposta numa mobilidade mais sustentável. Destacou ainda a vitalidade cultural da cidade e o seu reconhecimento nacional e europeu.
“Temos hoje uma cidade mais moderna, com mais qualidade urbana, mais dinâmica e mais coesa. Mas que soube preservar a sua alma e autenticidade”, sublinhou, alertando para os desafios que permanecem, como a habitação, a mobilidade e a descentralização de competências.
A concluir, deixou uma mensagem para o futuro: “Estou confiante de que os portuenses saberão escolher um projeto político que encare os desafios da cidade com políticas inovadoras, que acrescentem valor e tenham retorno económico, social e cultural”.
A cerimónia terminou com a tradicional entrega de medalhas e um Porto de Honra nos jardins da Casa do Roseiral.