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Uma dor que se sente no feminino

Uma dor que se sente no feminino

Todos os meses são muitas as mulheres que sofrem de dismenorreia, a dor associada à menstruação. Apesar da maioria das mulheres não estar familiarizada com o termo, a verdade é que muitas conhecem bem o mal-estar associado a esta condição que, dependendo da intensidade, pode provocar náuseas, vómitos, dores de cabeça ou tonturas.

A dismenorreia pode gerar um desconforto, passageiro ou permanente. Pode manifestar-se com uma pontada breve ou lancinante. Pode ser uma cólica que surge de forma inesperada. Pode ser uma dor suportável mas também pode ser uma dor incapacitante. Certo é que é uma condição que faz parte de todas as mulheres em idade reprodutiva.

Com maior incidência entre jovens em idade escolar, devido à imaturidade do útero, a dismenorreia, mais conhecida por cólica menstrual, manifesta-se através de uma dor pélvica ou abdominal inferior, cíclica ou recorrente que atinge cerca de 79% das mulheres em idade reprodutiva, chegando mesmo a provocar dores incapacitantes que estão na origem de uma das principais causas de absentismo escolar ou profissional em mulheres fora da menopausa. Trata-se de um tipo de cólica muito forte que acompanha os ciclos ovulatórios. Por norma, aparece horas antes ou no início do fluxo menstrual e é mais intensa nos primeiros dois a três dias.

Para muitas mulheres estas dores são apenas desconfortáveis e passageiras, mas para outras são tão intensas que acabam por condicionar fortemente a sua vida em termos físicos, sexuais, sociais, laborais e até em termos psicológicos.

Muitas vezes desvalorizada, a dor menstrual não apresenta uma causa patológica identificável e, por ser tão frequente, acaba por ser encarada como algo natural. Apesar de constituir uma das situações mais comuns na adolescência, pode surgir com a primeira menstruação e continuar ou diminuir ao longo da vida ou manifestar-se na idade adulta.

Na maior parte das situações as dores surgem até 4-5 anos após a primeira menstruação, o que se deve à flutuação hormonal característica das jovens e na natural libertação de prostaglandinas pelo útero, durante a menstruação. As prostaglandinas são responsáveis pela normal contração do útero ao libertar o fluxo que resulta da eliminação do revestimento uterino, sempre que não se verifica uma fecundação.

A libertação destes compostos (prostaglandinas) gera contrações uterinas que se manifestam através de uma dor na região inferior do abdómen. Ainda que estejamos perante um  processo normal, este é um processo que pode gerar um mal-estar geral que é muitas vezes acompanhado de outros sintomas como náuseas, vómitos, dor de cabeça, dor nas pernas, diarreia e cansaço.

A dismenorreia afeta sobretudo adolescentes e mulheres jovens mas existem outros factores que podem estar associados a esta condição como sejam mulheres que ainda não têm filhos ou mulheres com ciclos menstruais irregulares ou abundantes e até com quadros de depressão ou ansiedade. A magreza (Índice de Massa Corporal inferior a 20Kg/m2) e ciclos longos e/ou irregulares podem constituir factores que aumentam o risco e a gravidade dos sintomas.

Ainda que limitativa para a vida da mulher, a dismenorreia pode ser controlada com alguns gestos de autocuidado como um banho de imersão em água morna ou a prática de exercício físico regular, de modo a estimular a produção de endorfinas, o “analgésico” natural do organismo. Existem ainda tratamentos não farmacológicos como seja a aplicação pélvica de calor que possuem um efeito analgésico. Este é um procedimento que pode resultar em algum alívio e até complementar eventuais terapêuticas com medicamentos.

Cláudia Bernardo
Médica de Medicina Geral e Familiar
Diretora Clinica da OPFC

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