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Um Natal tipicamente português

Um Natal tipicamente português

Considerado o mês mais mágico do ano, Dezembro traz-nos aquela que é, também, uma das épocas mais bonitas e apreciadas pelos portugueses desde o primeiro dia de janeiro, o Natal. E, depois de um ano bastante controverso, em que a data foi vivida com alguns receios, com famílias separadas, a esperança é que, este ano, se possa sentir e viver verdadeiramente o Natal…

Do presépio ao Pai Natal e das decorações à gastronomia são muitas as tradições que iluminam a noite de 24 para 25 de dezembro. E, atenção, porque algumas delas começam a ser preparadas com mais de um mês de antecedência… Exemplo disso é a famosa árvore de Natal, enfeitada com bolas, piscas e a estrela no topo, que costuma embelezar as salas de estar e, assim, dar as boas-vindas ao Natal de cada ano.

A tradição da árvore, segundo a National Geographic, tem raízes bem mais longínquas que o próprio Natal. “Os romanos enfeitavam árvores por ocasião da Saturnália – festa em honra ao deus Saturno, deus da agricultura, os egípcios enfeitavam a casa com galhos verdes no Solstício, e os druidas decoravam carvalhos também na mesma altura”, explica.

A primeira referência a uma árvore de Natal remonta a 1510, na Lituânia, e é atribuída a Lutero. O costume começou, depois, a ganhar força durante o século XVI, em especial na Alemanha, tendo-se espalhado, a partir de então, para praticamente toda a Europa. A Portugal, em concreto, só chegou no século XIX, em 1844, quando D. Fernando II surpreendeu a família com um pinheirinho enfeitado com bolas e doces, ao lado do qual colocou presentes.

Os estudos revelam que são cada vez mais os portugueses que começam a preparar a árvore ainda no início do mês de novembro e, inclusive, que quem o faz “é mais feliz”. A conclusão é do especialista em psicanálise Steve McKeown, que afirmou que, num mundo de ansiedade, as pessoas procuram associar-se a “coisas que as fazem felizes” e que “as decorações de Natal evocam fortes sentimentos de infância”. “Estas [decorações] são simplesmente uma âncora ou um caminho para aquelas emoções mágicas de excitação da infância”, o que leva a que se sintam mais alegres.

jantares

Por todo o mundo, o Natal é sinónimo de encontros entre amigos e familiares, que se reúnem à mesa para “matar as saudades” enquanto desfrutam de uma refeição tipicamente portuguesa. Nessa noite, o bacalhau é rei e serve-se acompanhado com batatas e tronchuda cozida, depois de regado com um bom fio de azeite. Mas há também quem opte por lhe fazer algumas variações e servir, por exemplo, bacalhau com natas, com broa ou mesmo bacalhau frito.

As sobremesas, essas multiplicam-se entre o tradicional bolo rei, a aletria, as rabanadas, as filhoses, os sonhos, o bolo inglês, o bolo rainha e o tronco de Natal…

Depois de degustadas todas as propostas natalícias, muitas famílias portuguesas rumam às igrejas para assistirem à Missa do Galo, uma tradição integrada nas celebrações da Natividade durante o século X. A missa é celebrada, precisamente, à meia-noite, hora designada por “in galli canti”. E só depois deste hábito cristão, dita a regra, os mais novos são convidados a abrir os presentes de Natal, deixados pelo Pai Natal na bota colocada junto à lareira.

Por todo o país, há ainda muitas outras tradições natalícias, que variam de região para região. Em Braga, por exemplo, é usual os familiares e amigos juntarem-se, no dia 24 de dezembro, mesmo antes da ceia de Natal, para beberem “um bom moscatel de Setúbal, acompanhado por uma banana”. Um estranho hábito que surgiu, por volta de 1979, quando um grupo de amigos se reuniu numa antiga taberna, intitulada “Casa das Bananas”, por ter sido um antigo armazém de fruta.

Já em Guimarães, a cidade berço de Portugal, as boas-vindas ao Natal dá-se ainda em novembro, habitualmente no dia 29, data em que os vimaranenses saem à rua para desfilar pelas ruas da cidade, atrás de um carro de bois que transporta uma árvore de Natal gigante, que depois é plantada na cidade. “Diz-se que São Nicolau é a inspiração por detrás da figura comercial do Pai Natal e, esta tradição é a continuação de um costume iniciado pela Irmandade de São Nicolau, que todos os anos organiza um jantar de Natal”.

Por sua vez, no dia de Natal, 25 de dezembro, quem passar pela vila de Varge, em Bragança é surpreendido pelos Caretos de Varge, um grupo de rapazes solteiros que se junta para correr pelas ruas vestido de caretos, a cantar e a espalhar alegria pela população. Esta tem a amabilidade de os convidar a entrar em casa e a degustar as várias iguarias da mesa, junto das suas famílias.

O Natal é sinónimo de amor, solidariedade e união em todo o mundo. E, de uma forma geral, todos o vivem e sentem de uma maneira distinta. Mas, segundo dizem os nossos, e nós bem o podemos comprovar, não há Natal mais especial do que o português…

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