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Transportes públicos gratuitos? Eis o grande desejo de Matosinhos

Transportes públicos gratuitos? Eis o grande desejo de Matosinhos

A discussão em torno da gratuitidade dos transportes públicos no Porto continua a gerar reações, sobretudo ao nível metropolitano. Em declarações à TSF, a presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, defende que a medida só fará verdadeiramente diferença se for pensada para toda a Área Metropolitana do Porto.

Para a autarca, a proposta aprovada pela Assembleia Municipal do Porto, que prevê viagens gratuitas para residentes do Porto, com um custo anual estimado em 20,5 milhões de euros, terá um alcance limitado se não envolver os municípios vizinhos. 

Na sua perspetiva, esta iniciativa “não tem impacto se for aplicada apenas aos residentes do Porto”. E explica porquê: “Quem utiliza mais o carro dentro da cidade são as pessoas que vivem fora do Porto e que entram e saem diariamente na cidade” (via TSF).

Nesse sentido, considera essencial alargar a abordagem, “para aliviarmos a pressão grande de tráfego que o Porto tem, precisamos de ter uma estratégia global”.

Luísa Salgueiro entende ainda que o contexto atual é propício para avançar com mudanças estruturais: este “é o momento” para garantir que “a coesão metropolitana produza efeitos nas políticas de mobilidade que são tão preocupantes”.

Uma visão semelhante é partilhada pela Associação Comboios do Século XXI, que alerta para a necessidade de reforçar a oferta de transportes. 

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Nuno Lopes, representante da associação e utilizador do sistema, sublinha que o preço não é o único fator decisivo: “não é por poupar 40 euros por mês que uma pessoa de repente sujeita-se a um transporte público”, acrescentando que a questão “não é só de boa vontade, é física”.

Também a Associação Nacional dos Transportes de Passageiros (Antrop) reconhece o potencial da medida, mas deixa reservas quanto à sua implementação. A associação alerta que o Estado mantém uma dívida significativa aos operadores e sublinha dificuldades estruturais.

“Preocupamo-nos porque o sistema de gratuidade ou até de descontos implica uma série de procedimentos e o país não está preparado para eles”. Acrescenta ainda que “hoje em dia já há empresas privadas de transportes que estão a assumir o custo das políticas sociais do Estado”.

Apesar da intenção do município de antecipar a entrada em vigor para o verão, a medida está, para já, prevista apenas para 1 de janeiro de 2027. A proposta foi aprovada com voto contra do Chega e abstenção da CDU e do grupo municipal “Filipe Araújo: Fazer à Porto”.

(Foto: via X – Metro do Porto)

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