O presidente da Área Metropolitana do Porto defendeu que a gratuitidade dos transportes públicos, já prevista para o Porto, deve ser estendida a todo o território metropolitano, admitindo que está a trabalhar com outros municípios nesse sentido.
A posição foi assumida por Pedro Duarte após uma reunião do Conselho Metropolitano, que reúne os 17 autarcas da região.
O autarca reconhece que existe vontade política entre os municípios, mas alerta que a concretização da medida depende de condições financeiras e orçamentais.
Medida no Porto pode avançar já este ano
Em causa está a gratuitidade dos transportes públicos para os residentes no Porto, que lhes permitirá circular por toda a Área Metropolitana, podendo entrar em vigor ainda este ano.
No entanto, a medida não é acompanhada pelos restantes municípios, o que já gerou reservas por parte de autarcas, nomeadamente de Gondomar e de Santa Maria da Feira, devido ao risco de desigualdades entre territórios.
Pedro Duarte sublinha que, legalmente, só pode tomar decisões ao nível municipal, mas manifesta disponibilidade para encontrar soluções conjuntas.
Mobilidade é um problema metropolitano
O presidente da Câmara do Porto defende que a mobilidade deve ser pensada à escala da Área Metropolitana, apontando o elevado número de automóveis que entram diariamente na cidade.
Segundo o autarca, chegam ao Porto entre 130 mil e 140 mil carros por dia, num movimento pendular que contribui para o congestionamento e pressão ambiental.
Nesse sentido, considera essencial que outros municípios adotem medidas que desincentivem o uso do transporte individual.
Corredores BUS e mudança cultural na mobilidade
Pedro Duarte admite que a gratuitidade, por si só, pode não ser suficiente para alterar hábitos, defendendo a necessidade de melhorar a qualidade do serviço.
Entre as medidas previstas está a criação de novos corredores BUS já este ano, de forma a aumentar a rapidez e eficiência dos transportes públicos.
O autarca reconhece que estas alterações poderão gerar resistência por parte dos automobilistas, mas considera-as necessárias para promover uma mudança estrutural na mobilidade urbana.