A Torre dos Clérigos, um dos monumentos mais emblemáticos do Porto, alcançou um marco histórico: 10 milhões de visitantes desde 2014, ano em que o espaço foi reestruturado e ganhou uma nova dinâmica cultural e turística.
Só em 2025, o monumento recebeu cerca de 1,2 milhões de visitantes, consolidando o estatuto de um dos pontos mais procurados da cidade.
Este momento simbólico coincide também com outro aniversário relevante: 30 anos da classificação do Centro Histórico do Porto como Património Mundial da UNESCO, distinção que inclui o icónico conjunto arquitetónico dos Clérigos.
Um símbolo histórico da cidade
Durante séculos, a torre desempenhou várias funções no quotidiano dos portuenses. Segundo o diretor-executivo da instituição, António Tavares, o edifício foi durante muito tempo o mais alto da cidade.
Além de servir como referência visual na paisagem urbana, a torre funcionava também como relógio público. Todos os dias, ao meio-dia, era disparado um tiro de canhão para assinalar a hora de almoço dos trabalhadores.
A torre desempenhou ainda funções de orientação para navios que procuravam entrar na barra do rio Douro.
Nova estratégia aposta na experiência do visitante
A grande mudança começou em 2014, com obras de reabilitação que permitiram abrir um museu e introduzir novas valências culturais.
Desde então, o espaço passou a acolher exposições permanentes e temporárias, tornando-se num importante polo cultural da cidade. Entre os destaques estão mostras com obras de artistas internacionais como Kandinsky ou Picasso, além de exposições de artistas portugueses.
Após a pandemia de covid-19, a gestão da torre passou também a apostar mais na qualidade da experiência turística.
Uma das medidas adotadas foi a limitação do número de visitantes em simultâneo, com entradas organizadas a cada 30 minutos.
Projetos para o futuro
Apesar dos números expressivos, a Irmandade dos Clérigos quer continuar a inovar na forma como o monumento se apresenta ao público.
O presidente da instituição, o padre Manuel Silva, revelou ao JN que estão a ser estudadas novas iniciativas que incluem espetáculos de luz e projeções em videomapping, técnica que utiliza animações projetadas em superfícies tridimensionais.
O objetivo é criar novas formas de interação entre o monumento e a cidade.
Papel social também faz parte da missão
Para além da vertente turística e cultural, a instituição mantém também uma forte componente solidária.
A Irmandade dos Clérigos apoia regularmente várias instituições e projetos sociais, incluindo a Casa Sacerdotal do Porto e iniciativas de apoio a doentes oncológicos, promovendo também fins de semana solidários cujas receitas revertem para causas sociais.
Um ano de celebração e proximidade
Depois de ultrapassar a marca dos 10 milhões de visitantes, os responsáveis pretendem que 2026 seja um ano especialmente dedicado à comunidade portuense, com novas atividades culturais e iniciativas ligadas ao Centro Histórico.
Atualmente, o bilhete para visitar a Torre dos Clérigos custa 10 euros e inclui acesso ao monumento, ao acervo da Irmandade e às exposições temporárias.