O porta-voz da Associação das Empresas da Zona Industrial de São Caetano, em Vila Nova de Gaia teceu duras críticas ao processo relacionado com a futura linha de alta velocidade, classificando-o como um exemplo de falta de transparência e pedindo uma atuação clara por parte do Governo.
“É um processo que está repleto de opacidade por todo o lado”, afirmou Francisco Bastos, presidente executivo da Arcádia e representante da associação, que reúne mais de 20 empresas instaladas na zona industrial, responsáveis por cerca de 220 postos de trabalho e por uma faturação conjunta de 25 milhões de euros (via Porto Canal).
O foco da contestação está numa proposta alternativa para a localização da estação de alta velocidade, que, de acordo com o contrato inicial, deveria ser construída em Santo Ovídio. No entanto, o consórcio AVAN Norte – formado pelas empresas Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto – pretende deslocar a infraestrutura para Vilar do Paraíso. A associação empresarial alerta que esta alteração pode modificar o traçado previsto e originar novas expropriações na zona industrial de São Caetano.
“Tem que ser o Estado a tomar estas decisões estratégicas para o país, não pode ser o consórcio”, reforçou Francisco Bastos. Questionado sobre a possibilidade de o consórcio estar a usar os prazos dos fundos europeus como forma de pressão, o empresário disse não ter certezas, mas reconheceu que “essa pressão está em cima de toda a gente”.
De acordo com o porta-voz, o consórcio argumenta “que essa pressão existe de forma natural, pelo facto de esses ‘timings’ serem apertados” e admite que “poderá estar mesmo em causa o projeto do TGV caso não exista uma aprovação” da solução alternativa apresentada, tida quase como “solução única”, mesmo que divirja do que foi contratualizado.
As empresas associadas pedem agora “um esclarecimento rápido, seja da IP [Infraestruturas de Portugal], seja do Ministério das Infraestruturas, que venha dar alguma luz, que venha assumir aqui alguma responsabilidade, o Governo tem que assumir aqui as suas responsabilidades”. Para Francisco Bastos, estas entidades e o consórcio “deveriam estar a trabalhar em uníssono e deviam estar a ter uma comunicação proativa e frontal com os portugueses”.
Ainda assim, o empresário reconhece que o Executivo “deve estar numa posição muito desconfortável” e que a situação “rapidamente tem que ser esclarecida”, acrescentando acreditar “que é nisso que estão neste momento a trabalhar”.
“Queremos acreditar que o consórcio, tendo ganhado este concurso público – e ainda por cima é um consórcio português, que está a fazer uma obra para os portugueses e para o crescimento do nosso país – não tenha aqui, digamos, outros interesses em jogo e que não haja aqui uma fatura que certas determinadas empresas, empresários e moradores tenham que pagar por algumas escolhas que possam ter outros interesses em vista”, afirmou.
Francisco Bastos concluiu referindo que ainda não há clareza sobre qual será a solução final e sobre o impacto que ela poderá ter na sua empresa e nas restantes companhias instaladas na zona industrial.