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Tempo de Decisões

Tempo de Decisões
Agora que assentou a poeira, embora nem por isso tenhamos muito mais dados ou novidades, pode analisar-se com a distância necessária e prever o futuro próximo sobre a situação do futebol europeu e mundial.
Tive o prazer de, a convite do CIES (Centre International dÉtude du Sport), estar presente em Zurique para o 65º Congresso da FIFA, seguramente um dos mais importantes em toda a história da organização, poucos dias depois de um terramoto de proporções ainda desconhecidas e que assolou as altas instâncias do desporto rei. Com ele, dificilmente tudo ficará como dantes. O escândalo na FIFA, afetando vários dos seus altos quadros dirigentes, trouxe a público aquilo que muitos comentavam em surdina.
As cadeiras vão começar a mexer-se e como defendi na crónica de março, Portugal deve ter uma palavra a dizer. Não subestimo Blatter nem coloco de parte que faça mais uma pirueta e se recandidate no próximo congresso extraordinário (que, por sinal, ainda nem está agendado) alegando uma eventual, e seguramente planeada, vaga de fundo. A questão será apenas uma: terá Platini força para o enfrentar e tentar garantir o lugar que deseja, embora 3 anos antes do previsto?
Se a resposta for positiva, abre-se um lugar na UEFA, e aqui pode haver espaço para um português. E, felizmente, não temos apenas uma pessoa capaz de ocupar esse cargo. Mas a procissão ainda vai no adro…
No entanto, é necessário ser diferente dos demais. O futebol não pode cair numa espiral de descrença, falta de ética ou opacidade. Porque desacreditem-se os mais céticos, não há nada que seja imutável e é preciso sangue e ideias novas. É preciso limpar a imagem do futebol e fazer rendê-la em todos os aspetos, económicos e sociais. Em suma, não devemos nem poderemos ficar reduzidos a uma mera mudança de cadeiras.
Noutro patamar é importante perceber que pode estar a aproximar-se um novo paradigma no futebol internacional. A FIFA e a UEFA começam a ser colocadas em causa relativamente a regras que vão contra alguma legislação europeia. E, se no passado assistimos a casos como o de Bosman e Webster, podem estar a chegar mais dois, o dos Fundos de Investimento e o do Fair Play Financeiro.

João Fonseca
Gestor Desportivo
[email protected]

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