Dormir bem é assim tão importante? Sim, dormir bem é importante!
Se não dormirmos bem vamos perder capacidades como: repor energia, registar memórias, repor células que sofreram danos ao longo do dia e remover o “lixo”, restabelecer as defesas e recarregar as baterias para o dia seguinte.
Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, 46% dos portugueses com idade igual ou superior a 25 anos dormem menos de 6 horas dia e 21% confirmam demorar mais do que 30 minutos a adormecer. Mais ainda, 40% considerou que têm dificuldade em manter-se acordados, têm atingimento na condução de viaturas ou em outras atividades diárias na vida pessoal e profissional de cada um.
É importante considerar que todos os distúrbios do sono são de valorizar e que a abordagem feita por profissionais com experiência reconhecida neste tipo de patologia.
Perante os sintomas de má qualidade do sono, como a sonolência diurna excessiva, a sensação de sono não reparador, a fadiga, as alterações de humor, a necessidade de se levantar de noite para urinar, a perda de apetite sexual, insónias e falhas de memória, entre outras, o ideal é recorrer a uma Consulta de Medicina do Sono e, se indicado realizar exames que permitem caracterizar melhor o nosso sono, como estudo específico designado polissonografia ou outros.
Se for o caso de prevalecer a roncopatias e apneias (pausas respiratórias prolongadas durante a noite) presenciadas (habitualmente pelo parceiro) poderemos estar perante a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) , a doença respiratória mais prevalente do sono, que afecta cerca de 1000 milhões de pessoas em todo o mundo e em Portugal, apesar de subdiagnosticada afetará cerca de 17-20% dos adultos entre os 30-69 anos.
A SAOS é provocada por colapsos intermitentes da via respiratória que originam pausas na respiração (apneias) e que ocorrem com duração superior a 10 segundos, durante o sono.
Estas apneias levam a diminuição dos níveis de oxigénio no sangue que, se ocorrem de uma forma permanente e repetida, acabam por afectar todos os orgão do corpo humano, e estão associadas ao aparecimento de doenças cardiovasculares (acidentes vasculares cerebrais, AVC, arritmias graves e hipertensão arterial de difícil controlo), metabólicas ( diabetes tipo 2, síndrome metabólica, dislipidémia, obesidade) ou neurológicas ( demência e outras doenças degenerativas do cérebro)
Por outro lado as insónias e perturbações do ritmo circadiano, assim como outras doenças menos frequentes que causam privação de sono ou adormecimentos catapléticos (com perda repentina dos sentidos), serão sempre causadoras de doença orgânica, funcional / psicogénica.
Podemos então afirmar que as doenças do sono têm implicação directa na saúde pública e por isso é de extrema necessidade que o seu diagnóstico seja feito atempadamente pois o tratamento da maioria destes distúrbios é eficaz e com resultados reconhecidos.
Artigo da autoria da Dr.ª Maria José Guimarães, especialista em Pneumologia no Douro Centro Médico (Porto)