O autarca disse que achava “ótimo que o senhor ministro faça esta declaração de interesse, que corresponde a uma pretensão da cidade do Porto”, e que “agora, vamos durante os próximos dias trabalhar para perceber se há condições de facto para podermos ter isto num equipamento municipal, se o Estado pretende ter aqui um museu nacional ou se é um museu municipal, são tudo questões que ainda não estão certas”.
No domingo, em entrevista ao jornal Público, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, revelou que “é desejo do Governo que os Mirós fiquem no Porto”, justificando que “já existem em Lisboa muitos museus” de arte moderna e contemporânea.
Rui Moreira saudou a exposição que o Museu de Arte Contemporânea de Serralves vai receber das obras do artista catalão na posse do Estado depois do caso do Banco Português de Negócios (BPN), mas recordou que Serralves “com certeza que não vai ficar com a coleção Miró” devido à abrangência temporal daquele museu, que é posterior a 1960.
Sem querer adiantar que espaços municipais poderiam acolher as obras de Miró, o autarca portuense afirmou que não falta “imaginação para encontrar um espaço disponível”, caso o Estado queira de facto “confiar à cidade do Porto a gestão de uma coleção Miró que tem uma capacidade expositiva e museológica importante”.
Rui Moreira, que lembrou São Tomé ao dizer “vamos ver” se a transferência das obras para o Porto se confirma, realçou que ainda vai ser preciso acordar os termos e as condições de depósito.
“A boa noticia é que finalmente ao fim de tanto tempo parece que se percebeu que esta coleção fica bem no Porto”, acrescentou Rui Moreira.
Luís Filipe Castro Mendes indicou ao Público que o desafio vai ser lançado ao Porto, a toda a sociedade, às entidades que tiverem interesse, e comentou que “se Câmara do Porto tiver uma solução, será uma notícia interessante”.