A zona da Ribeira do Porto prepara-se para evocar, no próximo dia 28 de março, o 124.º aniversário de uma das suas figuras mais emblemáticas: o “Duque da Ribeira”, homem que durante mais de sete décadas salvou vidas e resgatou corpos no Rio Douro.
Nascido como Diocleciano Monteiro, o Duque tornou-se uma presença constante junto ao rio, onde atuava como verdadeiro “pronto-socorro” da cidade, muito antes de existirem meios organizados de emergência.
Uma vida dedicada ao rio e aos outros
Barqueiro, pescador e estivador, o Duque passava os dias junto ao Douro, atento a qualquer sinal de perigo. Segundo o sobrinho, Cândido Venceslau, terá realizado dezenas de salvamentos e participado no resgate de centenas de corpos — números difíceis de confirmar, mas amplamente reconhecidos pela memória coletiva da cidade. (via Porto Canal)
O primeiro salvamento aconteceu quando tinha apenas 11 anos, ao mergulhar para resgatar uma pessoa que caiu ao rio. Ao longo da vida, destacou-se pelo profundo conhecimento das correntes e pelo uso de técnicas próprias, como a “grateia”, utilizada para recuperar corpos do fundo do rio.
Mais do que salvador, uma referência da cidade
Durante décadas, foi chamado a qualquer hora do dia ou da noite. Muitas vezes, além de resgatar vítimas, ajudava famílias sem recursos, chegando a organizar recolhas para pagar funerais.
A sua ação não se limitava ao Douro: foi também chamado para intervenções em lagoas e pedreiras nos arredores do Porto.
Além disso, ensinou centenas de crianças a nadar, muitas delas de forma gratuita, contribuindo para a segurança de várias gerações ribeirinhas.
Homenagem marcada para 28 de março
A evocação do aniversário está marcada para as 09h00, com ponto de encontro junto à Capitania dos Portos do Douro e Leixões, na Rua da Alfândega.
A iniciativa é promovida pela associação Dramas, que tem como missão preservar a memória desta figura histórica da cidade.
O Duque da Ribeira morreu a 9 de fevereiro de 1996, aos 94 anos, deixando um legado marcado pela coragem, solidariedade e ligação profunda ao rio Douro, uma memória que continua viva entre as gentes do Porto e de Gaia.