
“Houve um tempo, criançada de todas as idades, em que Matosinhos não tinha quase nada daquilo que hoje cá há. Não havia Porto de Leixões nem prédios à beira-mar, quase nada de arquiteturas ou idas à praia, shopping nenhum e autoestradas nem sonhá-las.
A vida, ainda assim, transcorria entre as idílicas margens do rio Leça e as eiras onde se malhava o milho; as mulheres carregavam à cabeça as latas do leite e a roupa lavada no rio; e os homens ostentavam vastos bigodes e poses de se lhes tirar o chapéu”.
O “photomaton” do concelho de Matosinhos destes outros tempos está (quase) todo fixado na exposição “Retratos & Memórias” que esta quinta-feira se inaugura na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, onde ficará patente até ao dia 6 de maio.
Composta, segundo comunicado, por imagens que pertencem aos espólios fotográficos de Armando Leça e A. Vieira, atualmente à guarda do Arquivo Fotográfico Municipal, a exposição apresenta “fotografias individuais, de grupo e de família, revelando diferentes momentos do quotidiano, ambientes e classes sociais”.
Propondo um olhar demorado sobre Matosinhos em 35 imagens de grande intensidade dramática, “Retratos & Memórias” mostra as primeiras idas à praia e os pachorrentos lazeres dominicais, os colossais carvalhos que testemunhavam essas vidas e, sobretudo, o nascimento de uma era em que a fotografia começou a assumir um importante papel de preservação dos costumes e da memória individual e coletiva, substituindo a pintura e, deste modo, democratizando o acesso ao passado e à sua representação.