O anúncio do projeto vencedor foi feito esta sexta-feira de manhã pelo júri do concurso, numa sessão pública que decorreu nas instalações da empresa municipal do Porto GOP – Gestão de Obras Públicas.
O concurso público, publicado em Diário da República em 02 de agosto de 2016, estipulava a atribuição de 12.500 euros ao “concorrente classificado em primeiro lugar”, de 10.000 euros ao segundo classificado e de 7.500 euros ao concorrente a quem venha a ser atribuído o terceiro lugar.
Em segundo lugar ficou a proposta apresentada por Pablo Pita Arquitetos, do Porto, sendo o terceiro lugar atribuído ao projeto de MVCC – Mercês Vieira e Camilo Cortesão Arquitetos, também do Porto.
O projeto de Nuno Brandão Costa para a conceção do TIC tem um custo estimado de 6,3 milhões de euros e “permitirá uma interligação eficaz, confortável e segura entre os diferentes meios de transporte, promovendo assim o conceito de intermodalidade no sistema de transportes”, lê-se na proposta que apresentou a concurso.
No final da sessão pública, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, considerou que este concurso não defraudou as expectativas da autarquia, por ter recebido 22 propostas e por se “ver que entre os proponentes” há “grandes nomes da arquitetura nacional”.
Para Rui Moreira, o TIC, anunciado há 14 anos pelo governo de então mas que nunca avançou, trata-se de um “projeto que tem várias vantagens”, já que “vai fazer a ligação entre duas partes da zona de Campanhã”, freguesia “que é rasgada por três vias – férrea, Via de Cintura Interna e Estrada da Circunvalação”.
“A nossa ideia é que aquela zona (Oriental) tenha vida. É preciso tecer, cerzir a cidade”, disse, acrescentando que a única forma de resolver “os problemas de mobilidade no Porto é permitindo a intermodalidade”.
O autarca disse ainda esperar que a empreitada, que deverá ter um prazo de execução de cerca de 18 meses, arranque em 2018.
De acordo com a memória descritiva do projeto, solicitada pela Lusa ao gabinete do arquiteto Nuno Brandão Costa, o TIC ficará implementado “no limite da zona edificável, junto à estação” de comboios de Campanhã, onde há uma estação do Metro do Porto.
“O terminal é desenhado como um dispositivo infraestrutural linear que estabelece um limite físico para a estação”, integrando “as componentes automóvel, autocarros e camionetas, pedonal e ciclovia” e “as grandes naves que abrigam os veículos têm grandes aberturas para o exterior nos seus topos”, para assim introduzir luz e arejamento natural nos espaços.
Ainda segundo a agência Lusa, e de acordo com a memória descritiva, peões, automóveis, bicicletas e autocarros partilharão o mesmo espaço dimensionado de modo a não confluir a autonomia de cada percurso e meio, mas de modo a facilmente ser efetuada a troca de locomoção (de carro para comboio, de bicicleta para comboio, etc.).
Dado o “enorme lapso de espaço verde” naquele local, o arquiteto propõe ainda introduzir um “parque natural urbano”.