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Projeto coordenado por centro do Porto ajuda crianças em África

Projeto coordenado por centro do Porto ajuda crianças em África
Cerca de 20 mil crianças beneficiaram das dez novas bibliotecas de rua criadas em três países africanos, iniciativa coordenada pelo centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS, do Porto, e financiada pela Comissão Europeia em 500 mil euros.

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Este é um dos resultados do projeto “ACP Street Libraries – culture for all” (Bibliotecas de Rua ACP – cultura para todos), que tem como objetivo o desenvolvimento e a formação de crianças e jovens, em particular de comunidades mais carenciadas e isoladas, através da criação de novas bibliotecas de rua e da renovação das já existentes.
A iniciativa, que pretende preservar e promover a cultura local através de meios digitais, foi implementada no Gana, na Libéria e nos Camarões, países da associação ACP – África, Caribe e Pacífico.
“O grupo dos estados da ACP possui tradições e património cultural precioso e distintivo”, disse à Lusa o investigador da Fraunhofer André Lima, no entanto, em países como os referidos, “artistas e empresários culturais enfrentam meios limitados quando se trata de distribuir produtos e serviços culturais”.
Um dos principais focos deste projeto é fazer com que a literatura e a cultura africana, “antiga e rica”, se tornem acessíveis a um grande número de pessoas em África, focalizando as crianças e os jovens, para que tenham igual acesso à alfabetização, aos recursos educativos e culturais, acrescentou.
Estas novas bibliotecas de rua englobam carrinhas de transporte de livros, estruturas fixas construídas em locais estratégicos e, mais recentemente, o conceito tem vindo a ser adotado e implementado “com sucesso” nas escolas, nas salas de aula e nos clubes de leitura.
De acordo com o investigador, até ao momento, já foram recolhidos e disponibilizados numa plataforma (aplicação para telemóveis) criada pelo centro, cerca de 150 novos conteúdos culturais de origem africana e mil ‘ebooks’.
Esta aplicação, onde a equipa conta receber livros eletrónicos e áudios em inglês e francês, foi disponibilizada ao público em setembro e vai permitir o envolvimento de aproximadamente 500 instituições e promotores culturais.
“O significativo aumento da penetração do telemóvel nestas regiões permitiu não só a disseminação de produtos digitais para a população, mas também uma maior participação de artistas e empreendedores locais, com interação em fóruns e criação de ‘blogs’ individuais”, lê-se num comunicado do centro de investigação.
Esta iniciativa surgiu no Gana, em 2011, pelo fundador e director executivo da Volunteer Patnerships for West Africa (VPWA), uma das instituições africanas envolvidas no projeto, Hayford Siaw.
O conceito foi criado para combater os baixos níveis de literacia cultural e tecnológica que afetam o país, sobretudo na população mais jovem e crianças nas comunidades rurais, e proporcionar o desenvolvimento pessoal e sócio-cultural.
O projeto “ACP Street Libraries – culture for all” é fruto de uma parceria com a Microsoft, a Volunteer Partnerships for West Africa (VPWA), do Gana, a Youth Crime Watch of Liberia (YCWL), da Libéria e a Appui Solidaire pour le Renforcement de l’Aide au Développement (ASRAD), dos Camarões.
Em desenvolvimento encontram-se mais duas bibliotecas, no Gana e na Libéria.

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