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Profissionais em teletrabalho foram os mais afetados emocionalmente pela pandemia, diz estudo

Profissionais em teletrabalho foram os mais afetados emocionalmente pela pandemia, diz estudo

“Profissionais em teletrabalho sentiram que a pandemia afetou mais severamente as suas vidas e sentiram um maior impacto emocional, comparativamente a profissionais que continuaram a exercer a sua profissão presencialmente”.

A conclusão é de um estudo, realizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, no âmbito de uma parceria internacional que envolve mais de 40 universidades nos cinco continentes, que procura avaliar os “impactos da pandemia ao nível do bem-estar psicológico e relacional, em indivíduos casados ou numa relação amorosa”, a viver em Portugal, comparando as suas respostas durante o período de confinamento e durante o desconfinamento progressivo.

Os dados divulgados revelaram que, além dos inquiridos em teletrabalho, também os do género feminino sentiram “maior impacto emocional” face à pandemia de covid-19, comparativamente aos inquiridos do género masculino.

Segundo o CES, a questão da habitação foi também uma “variável muito importante” na investigação. “A maior parte dos participantes revelou estar satisfeito/muito satisfeito com a sua habitação (84.5% na fase do confinamento e 85.6% durante o desconfinamento), tendo sido os participantes com menor satisfação em relação à habitação aqueles que sentiram um maior impacto emocional da pandemia durante a fase do confinamento”, sublinha, destacando que no que diz respeito à existência de indicadores de depressão, ansiedade e stresse, verificou-me uma “ligeira redução das médias” quando comparadas as duas fases.

Os inquiridos menos satisfeitos com a habitação e do género feminino são aqueles que “apresentam indicadores mais elevados de depressão, ansiedade e stress na fase do confinamento”, sendo que, no período de desconfinamento, foram as mulheres que se destacaram com “maiores indicadores de depressão”.

Os resultados preliminares deste estudo indicaram também uma “redução da satisfação conjugal” da primeira para a segunda fase. Um resultado que, de acordo com a Universidade de Coimbra, é “evidente” nos participantes do género feminino.

“Quanto pior for a satisfação conjugal, mais elevados serão os indicadores de depressão, ansiedade e stresse, tendo este resultado sido mais saliente na fase do confinamento”, revelou ainda a investigação, que contou com 556 participantes na fase de confinamento e 139 na fase de desconfinamento.

Ainda no que diz respeito ao teletrabalho, recorde-se que, no segundo trimestre deste ano, um milhão de pessoas esteve em teletrabalho, sobretudo devido à covid-19, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Os resultados do módulo do inquérito ao emprego sobre “Trabalho a partir de casa” revelaram que, entre abril e junho, “a população empregada que indicou ter exercido a sua profissão sempre ou quase sempre em casa na semana de referência ou nas três semanas anteriores foi estimada em 1.094,4 mil pessoas, o que representou 23,1% do total da população empregada”.

Grande parte dos que trabalharam sempre ou quase sempre em casa no período em referência situa-se na Área Metropolitana de Lisboa (36%). A percentagem foi mais elevada entre mulheres (25,2%) do que entre homens (21,1%) e entre aqueles com um nível de ensino completo correspondente ao ensino superior (53,8%).

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