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Afonso Reis Cabral é o vencedor do Prémio José Saramago 2019

Afonso Reis Cabral é o vencedor do Prémio José Saramago 2019

A 11ª edição do Prémio José Saramago distinguiu o escritor português Afonso Reis Cabral, de 29 anos, pelo seu romance “Pão de Açúcar”. O anúncio foi feito esta terça-feira, na sede da Fundação José Saramago.

Promovido pela Fundação Círculo de Leitores, o prémio é atribuído desde 1999, distinguindo uma obra literária no domínio da ficção, em língua portuguesa, por um escritor com idade não superior a 35 anos.

Afonso Reis Cabral é, então, o vencedor do Prémio Literário José Saramago 2019, juntando-se a Paulo José Miranda, José Luís Peixoto, Adriana Lisboa, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, João Tordo, Andréa del Fuego, Ondjaki, Bruno Vieira Amaral e Julián Fuks, que viram também livros seus premiados com este galardão.

“Pão de Açúcar” foi editado no ano passado, e aborda um caso verídico que aconteceu no Porto: o assassinato da transexual Gisberta, em 2006, depois de sucessivos atos de violência e na sequência de um ataque, perpetrado por jovens entre os 12 e os 16 anos, à guarda da instituição católica Oficina de São José.

“Partindo de um caso de escândalo transformado em caso de polícia, o assassínio do travesti Gisberta, em 2006, num edifício abandonado do Porto, Afonso Reis Cabral constrói uma narrativa tensa, sob cuja linha narrativa crepita a violência dos excluídos e a raiva dos deserdados. Revelando maturidade narrativa e estilística notáveis, fazendo da contenção a arma da progressão do relato, Reis Cabral adota o ponto de vista dos miúdos administrando a construção de um sentimento grupal de medo e ódio (as fronteiras entre um e outro são ténues) que descarrega no seu elo mais fraco a raiva de uma frustração longamente contida. A originalidade da narrativa reside precisamente neste ponto de vista, que faz de ‘Pão de Açúcar’ uma espécie de romance de (de)formação, um texto que relata a formação de um grupo que se reúne num assassinato, na passagem da infância para a adolescência.”, assinala António Mega Ferreira, um dos elementos do júri, no comunicado enviado à VIVA!.

O júri do Prémio José Saramago foi presidido pela editora Guilhermina Gomes e dele fizeram também parte a poetisa angolana Ana Paula Tavares, o já referido autor português António Mega Ferreira, a escritora brasileira Nélida Piñon e a presidente da Fundação Saramago, Pilar del Rio.

De recordar que Afonso Reis Cabral venceu, em 2014, o Prémio LeYa, com o romance “O Meu Irmão”. Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira, na categoria de Promessa, e, em 2018, o Prémio Novos, na categoria de Literatura.

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