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Portugal: “O futuro tem menos água”

Portugal: “O futuro tem menos água”

O alerta é da Associação Natureza Portugal (ANP) e está espelhado num relatório, intitulado com o próprio nome – “O futuro tem menos água” -, onde a organização ambientalista analisa como as alterações climáticas afetam a quantidade de água disponível no país.

De acordo com o relatório, divulgado poucos dias antes de se assinalar o Dia Mundial da Água, 1 de outubro, Portugal tem assistido a uma redução das suas disponibilidades hídricas nas últimas décadas, em particular na região Sul. Uma situação que se verifica devido ao “aumento global da temperatura, a verões mais longos, menos chuva no inverno e, consequentemente menos água a infiltrar-se na terra”. “O nosso país tem atravessado secas cada vez mais frequentes e prolongadas”, mesmo em zonas onde não era habitual, lê-se na informação divulgada.

“Os cenários de alterações climáticas apontam para diminuição da precipitação em Portugal Continental, cerca de 5 % num cenário menos gravoso de emissão de gases com efeito de estufa a 15% num cenário mais gravoso. Este último cenário mostra fortes contrastes espaciais de diminuição percentual, que agravam ainda mais a distribuição desigual da precipitação no território: Norte, 5 a 15%; Centro, 10 a 20%; e Sul, 15 a 30%. Estes cenários apontam previsões para o período 2071-2100 por comparação com o período 1971-2000”.

De acordo com a ANP, o consumo de água em Portugal continua a aumentar significativamente, sendo que “reduzir o desperdício e aumentar a eficiência” já não será suficiente. “Há bacias onde é já fundamental limitar o consumo”, destaca, dando como exemplos as bacias do Sado, do Mira e do Barlavento Algarvio, “onde se deveriam permitir apenas os consumos que tenham garantia de abastecimento”. “A expansão dos regadios e dos usos turísticos pode comprometer seriamente a segurança da oferta de água nestas bacias, em média já insuficiente para satisfazer a procura existente”, sublinha.

“O futuro vai ter menos água, e é essencial que todos nós tenhamos esta consciência. Deve partir dos nossos governantes preparar esta realidade, limitando o consumo em algumas bacias portuguesas, permitindo apenas os consumos onde tenham garantia de abastecimento e promovendo medidas efetivas para proteger os recursos hídricos em particular no sul do país”, assinala ainda a organização, que trabalha em parceria com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

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